Resenha: Rush – Snakes & Arrows (2007)


Por Diego Camargo

Rush – Nos Trilhos De Fumaça Entre Cobras E Flechas

Rush.

Já se passaram mais de 30 anos desde sua formação. E aproveito o lançamento do estupendo Snakes & Arrows (2007) que acaba de me chegar pelo correio a pedido da Americanas.com.br pra falar um pouco sobre eles.

Muito se disse sobre Rush nesses 30 anos, que eram cópia do Led Zeppelin no início de carreira (isso é crime?) Que eram progressivos e se venderam pra um som mais comercial, que do pop voltaram a ser pesados… Sabe o que eu vos digo?

Besteira!

O Rush é uma das bandas mais íntegras que se tem notícia no mundo do Rock, e sim, pra mim os caras são mais progressivos que muita banda por ai.

São vários os textos que lemos sobre o quanto os 3 são ótimos em seus respectivos instrumentos.
Alex Lifeson é guitarrista genial, diferente de todos os outros, um guitarrista amigo meu me disse um dia enquanto tentava tirar um som do Rush: ‘Meu, esse cara é doente, não tem escala nenhuma aqui, é tudo da cabeça dele!’ Eu entendi muita coisa ali.
Neil Peart é um dos melhores (senão o melhor) baterista em atividade de todos os tempos, magnânimo e, se não bastasse, é um dos grandes letristas do Rock.
Geddy Lee é também um dos melhores baixistas do mundo (sei do que falo, sou baixista também), e pra quem critica a voz desse camarada eu vos digo outra coisa, um dos melhores vocalistas, linhas melódicas incríveis, sem contar que toca linhas de teclados e sintetizadores muito bem.

Mas deixando os talentos instrumentais dos 3 ‘tiozões’ (jeito carinhoso de falar, risos), o que pouco se fala é que os caras são ótimos COMPOSITORES, suas músicas tem o que deve ter sem parecer fórmula preparada, se precisa de refrão ele estará lá, se precisa de melodia você também vai achar, se você quer partes instrumentais complicadas também vai achar.

Sua influência para outras 250 mil bandas é evidente.

Há alguns meses tinha ouvido o single do disco novo, ‘Far Cry’, e a minha surpresa foi das melhores, depois de um disco de covers, Feedback (2004), que por sinal é ótimo, e várias compilações e discos ao vivo, quebrando sua história de gravar um disco ao vivo a cada 4 de estúdio, a banda volta a ativa com Snakes & Arrows (2007), e como volta bem. E gravado em apenas dois meses em Nova Iorque, nos meses de Novembro e Dezembro de 2006.

Fiz questão de não baixar da internet e esperar que os preços acalmassem um pouco até comprá-lo, e não me arrependi, disco de altíssimo nível. A linha de Vapor Trails (2002) está lá, principalmente no que se refere às guitarras mais pesadas em certas partes, o que é muito bom, já que ele também é um ótimo disco.
Nesse disco Geddy volta a tocar algumas partes com os teclados, mesmo que ainda tímido, o que não tinha acontecido em Vapor Trails (2002). Espero que no próximo ele volte com os teclados com mais força.

O Encarte do disco é simplesmente genial, Hugh Syme que trabalha com a banda desde 1975 faz um trabalho genial em suas ilustrações.

No que se refere às músicas temos destaques até dizer chega, ouçam atentamente a faixa de abertura ‘Far Cry’, que é forte e impõe a assinatura Rush de qualidade. ‘Workin’ Them Angels’ a terceira é uma semi-balada existencialista com ótima linha de baixo e melodia soberba.
‘The Larger Bowl’ tem uma pegada acústica, o que é um lado pouco explorado do Rush, infelizmente.
O disco também tem 3 faixas instrumentais, o que há tempos não acontecia, mas ao contrário da maioria das bandas que tem seus temas instrumentais extremamente chatos (sim eu não gosto de música instrumental, salvo raríssimas exceções) a banda sempre conseguiu compor faixas instrumentais de uma maneira que pudéssemos cantar toda a melodia junto.
Nesse disco temos ‘The Main Monkey Business’ com sua pegada oriental, ‘Hope’, uma peça solo de Alex ao violão (soberba) e ‘Malignant Narcissism’ com uma da linhas de baixo mais animais do mundo.

‘Bravest Face’ é outro destaque.
‘Good News First’ é uma paulada.
E pra terminar em grande estilo ‘We Hold On’.

Vale a aquisição e muito, é sempre muito bom ver bandas como o Rush, que envelhecem com toda a dignidade do mundo.
Nos anos 70, 80,90 e apesar de sumidos nos 00, também, que venham mais 30 anos pra essa banda gigante e sensacional.

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Autor: Diego Camargo

Editor chefe do Progshine

3 comentários em “Resenha: Rush – Snakes & Arrows (2007)”

  1. Cara, o site tá foda! Acompanhei durante muito tempo os prog-etc seu. Está bem diferente, mas está bem feito. Pra ser sincero, o cd em si não me agradou muito. Logicamente, tudo é bem original e cheio da pegada característica. A banda é simplesmente a mais violenta da história! Sucesso! abraço!

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  2. Em primeiro lugar Rodolfo, muito obrigado pelos elogios, é bom ver que o site agrada o pessoal.
    Em segundo, te entendo perfeitamente, essa coisa de, eu adoro um disco e o outro odeia é complexo, por exemplo, eu adoro o The Final Cut do Pink Floyd, mas metade do mundo odeia rsrss

    Valeu a visita!!

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