O Grito Do Terreno Baldio


Por Diego Camargo

Eis a saga:

17:00 de um sábado, já estamos atrasados, espero o meu prezado amigo Armando para irmos ao show do Terreno Baldio na Biblioteca Cassiano Ricardo no Tatuapé, não era muito complicado de encontrar o lugar, mas a minha amiga Thaís, que mora próximo, me deu a dica de como chegar no local.

Chegamos ao local sem muita dificuldade, já que a Avenida Celso Garcia é conhecida dos Paulistanos e de fácil acesso pelo Metrô, mas, estamos em cima da hora, tanto que chegando ao local, os 200 assentos já estavam todos tomados, não que isso fosse um problema, de maneira nenhuma, o importante era o som que sairia dos alto falantes.

A banda não demorou a entrar no palco, pouco depois das 18:00 horas estavam no palco Mozart Mello na guitarra, Roberto Lazzarini nos teclados, João Kurk nos vocais, Cassio Poleto no violino, Renato Muniz no baixo e Edson Guilard na bateria, sendo que os 3 primeiros são da formação original do Terreno Baldio.

A casa certamente não estava preparada para o som intrincado e complexo do grupo, e, obviamente, os ‘técnicos de som’ não estavam preparados para o som de uma banda Progressiva. Inclua ai vocal baixo, retorno que não funcionou, o som do violino prejudicado, inclusive a banda foi obrigada a parar totalmente e recomeçar, mas nem com os contratempos a experiência foi ruim.

Já os tinha visto no show da Virada Cultural Paulista no início desse ano, uma banda razoavelmente desconhecida tocando depois d’O Terço e antes da Casa Das Máquinas? Acho que a programação não foi muito esperta, pensei com meus botões. Ledo engano. A banda quase que desconhecida saiu de lá absurdamente aplaudida e eu ouvi muitas pessoas a minha volta dizendo o quão bom tinha sido.

Não foi diferente dessa vez, a banda estava afiada, tocou um repertório equilibrado, mostrando uma grande influência de Gentle Giant em seu som (a única banda que eu me recordo que tem também influência dessa grande e injustiçada banda inglesa é a americana Spock’s Beard de Neal Morse).

João Kurk é carismático ao extremo, fator altamente necessário a um vocalista, e é incrível como o tempo não levou o timbre de seu belo vocal.
Mozart Mello nem precisava ser citado, é impressionante vê-lo tocando, técnica irrepreensível.
Roberto Lazzarini é uma figuraça, sempre preocupado em explicar pra galera mais nova (que não eram poucos) o porquê das músicas, de onde elas saíram e o que significavam.
Renato Muniz é um excelente baixista, não há o que dizer contra essa cara, mas eu ainda sinto falta do som característico de um baixista que toca com palheta.
Edson Guilard é um baterista competente, inclusive com um solo interessante antes de a banda tocar a música ‘Saci-Pererê’ do segundo álbum da banda Além Das Lendas Brasileiras (1977).
Cássio Poleto foi uma grata surpresa, além de dobras várias das intrincadas linhas de guitarra de Mozart Mello solou em várias ocasiões ensandecidamente.

Num show de bom humor e profissionalismo a banda tocou seu repertório enquanto todos os presentes riam consigo mesmos por estar presenciando tão importante momento.

Logo após fecharem o set com o hino da banda ‘Grite’, TODOS sem exceção, levantaram-se de seus lugares aplaudindo e pedindo por mais.

Um sábado altamente contente para esse que vos escreve, e com esperança de ver o Terreno Baldio e outras tantas bandas nos teatros da capital Paulista, já que são espaços que normalmente ficam fechados para apresentações.

‘No terreno baldio você pode gritar, gritar!’

Vídeo da música ‘Despertar’ em 1994:

Comunidade do Orkut

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Autor: Diego Camargo

Editor chefe do Progshine

Um comentário em “O Grito Do Terreno Baldio”

  1. Acompanho o terreno desde o começo.São grandes artistas com um trabalho diferenciado.Seu som é único e a magia que conseguem ao vivo é impressionante ,alem de serem musicos importantes no cenario do rock.seus shows tem uma dinamica incrivel e junto com os mutantes são as duas mais importantes bandas progressivas do pais

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