Entrevista Exclusiva E Resenha Com O Músico Italiano Giorgio C. Neri


Por Diego Camargo

Progshine – Em primeiro lugar, o que o levou a gravar um álbum praticamente sozinho? Você acha que isso era necessário para que todos os aspectos da sua música saíssem do jeito que você queria?

Giorcio C. Neri – Um dos aspectos mais importantes de um trabalho solo é que você é o único medidor do seu trabalho, como um deus que coloca um fim no caos, para se sentir mais próximo de um conceito de criação. E também o processo criativo do começo ao fim é meu, sou o único responsável pela criação.
A desvantagem é o fato de que precisamos enfrentar as diversas crises que surgem, sem contar com o apoio ou suporte de mais ninguém.

Progshine – E por falar nisso, o disco de maneira nenhuma soa como ‘um disco de um homem só’, você saberia nos dizer como fez isso? (risos)

Giorgio – Muitas pessoas dizem que o disco soa como uma banda, graças a bateria de Roberto Maragliano, dinâmico e com entusiasmo, e ao fato de que a minha abordagem de composição e desempenho altera, dependendo do instrumento que estou tocando.

Progshine – Como você se interessou em tantos instrumentos diferentes?

Giorgio – Eu sempre gostei de tocar diversos instrumentos e, muitas vezes, a maioria deles, pelo menos os mais comuns tem um som interessante e útil para a minha música.
E ao invés de me desenvolver como um virtuoso em um único instrumento, preferi por aprender diversos deles.

Progshine – Normalmente, o Rock progressivo, principalmente o italiano, costuma ser sombrio, calmo, quase triste, no entanto você compôs um álbum com muitos momentos, para não dizer a maior parte dos momentos, com uma certa ‘alegria’, são vários os momentos em que o instrumental permite que você ‘balance a cabeça’. Você acha que isso é importante num disco? Porque na minha opinião isso foi ótimo, e eu não lembro de ter ouvido algo do gênero!

Giorgio – Eu trabalhei muitos anos no teatro com iluminação e sonorização, e tentei fazer com que o disco soasse como um filme, uma peça teatral, onde o que conta é a narrativa.
Como a própria vida em si que tem emoções diferentes, e muitas vezes essas emoções estão juntas.

Progshine – No geral, Logos (2008) é um álbum instrumental, porém mesmo para mim que tenho preferência por discos com vocalistas, isso quase não é perceptível, as canções vão passando, todas interligadas de uma maneira com que não se faça notar que na verdade, elas não tem um ‘vocalista’. Como você lida com esse fator? Você acha importante o instrumento falar por si?

Giorgio – O Som é mais puro e evocativo do que qualquer discurso ou voz, te respondo essa entrevista em italiano poderia ser em Português ou Inglês, mas através da minha música que é uma coisa vinda da minha alma, é onde encontro minhas palavras com mais facilidade.O som, os timbres estes são como a voz de Deus.

Progshine – ‘Tuona Il Cannone’ é a única faixa com vocal e letra, e na minha opinião a música lembra bastante Premiata Forneria Marconi, você acha que por ser italiano e pela banda ser uma forte influência vinda da Itália acabou marcando a composição?

Giorgio – Eu gosto de Premiata Forneria Marconi embora eu prefira o Le Orme, mas no caso de ‘Tuona Il Cannone’ o que me inspirou foi ‘The Battle Of Evermore’ do Led Zeppelin, acústica, com o bandolim, evocativa…

Progshine – Como e quando surgiu a idéia do conceito de Logos (2008)?

Giorgio – Foi um longo processo, que eu comecei a escrever há anos atrás, na verdade, eu demorei 6 anos pra terminá-la, foi como um desafio particular, desafiar os meus limites, um desafio com quem não acreditou ser possível, uma forma de desenvolver o meu som, tudo isso acabou sendo ótimo pra mim.

Progshine – Como é o Rock Progressivo na Itália nos dias de hoje? Ele é tão forte quanto foi nos anos 70, já que a Itália foi berço de muitas bandas naquela década, ou você acha que as coisas nunca são como antes?

Giorgio – Acredito que o Prog Italiano é uma vítima de modelos, eu partircularmente não ouço muito o Prog atual, todas as bandas novas estão muito empenhadas em imitar o Genesis e os outros nomes mais conhecidos.
Os anos 70 foram únicos porque havia menos recursos e mais imaginação.
Assim como a Renascença os anos 70 foram únicos.

ProgshineLogos (2008) é o seu primeiro álbum solo, por onde andou Giorgio C. Neri antes de gravar o álbum?

Giorgio – Eu toquei em algumas bandas, fiz cerca de 15 trilhas sonoras para teatro, eu dei aulas de guitarra, quase fiz licenciatura em filosofia também.
Minha antiga banda (1995/97) se chamava Agarthi, nós voltamos a trabalhar juntos agora com o nome de Agarthi Sound Factory, agora eu divido estes dois projectos, e contino a trabalhar com o teatro.

Progshine – Como as pessoas e a crítica têm recebido, no geral, o disco?

Giorgio – Até agora eu tenho recebido ótimas críticas de várias partes do mundo, agradeço à Black Widow por acreditar em mim e no meu trabalho. Todos os elogios que recebo me empurram para fazer o meu melhor sempre. E eu acredito que o meu disco é algo sincero e de coração.

Progshine – Gostaria de agradecer sua participação no Progshine.com e deixar o espaço livre, sinta-se a vontade.

Giorgio – Obrigado, o prazer foi meu em em falar com você, e espero que este encontro continue. Estarei à disposição.

———————-

N.E. – Gostaria de agradecer a Black Widow Records pela gentileza e por fornecer o material para entrevista/resenha.

 

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Autor: Diego Camargo

Editor chefe do Progshine

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