Disco De Vinil Salva Lojas Em Tempos De Pirataria


Por Thiago Ney

Seria exagero dizer que o vinil vai tirar a indústria fonográfica do buraco, mas dá para afirmar que a bolacha preta está salvando o mês de boa parte dos lojistas de São Paulo.

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Veja, por exemplo, a Baratos Afins, que há 31 anos é um dos principais destinos paulistanos para quem quer conhecer e comprar música: “Hoje 80% do meu faturamento vem das vendas de vinil”, afirma Luiz Calanca, o proprietário da loja.

“Estou me sustentando porque sempre tive um acervo grande de vinil. Está muito difícil vender CD”, aponta.
A situação é parecida na tradicional Ventania Discos. “Também vendemos CDs, mas é menos importante. O que faz girar a nossa receita é a venda de vinil”, diz Alcides Campos.

Impossibilitados de competir com os CDs piratas e com os download gratuitos, lojistas se apoiam no fetiche, no saudosismo e na curiosidade suscitados pelos LPs.

“O CD perdeu o glamour”, opina Calanca. “Recebo uma parcela de clientes jovens. Mas a maioria são colecionadores e DJs. Eles compram bastante coisa de rock e de black music”, diz Carlos Galdy, da Disco 7.

“Muita gente começou a ouvir vinil de quatro, cinco anos para cá e passou a procurar discos nesse formato. Há os curiosos e há aqueles mais velhos, os saudosistas dos anos 1970 e 1980”, brinca Alcides, que completará 25 anos com sua Ventania em 2010.

O preço de um vinil nas lojas varia de R$ 2 (um usado em estado não muito bom) a R$ 70 (um importado novo).
“O vinil é item complementar, não é o centro das atenções”, diz Rodrigo de Castro, gestor de acervo de música da Livraria Cultura. Ele afirma que discos de Amy Winehouse (“Back to Black”) e Radiohead (“In Rainbows) foram os campeões de venda da loja no ano –200 cópias cada um. “Para nós, é um bom negócio, porque ocupa pouca estrutura e traz um faturamento razoável.”

Não é apenas no Brasil que esse nicho está sendo resgatado. Nos Estados Unidos, as vendas de vinil subiram 35% em 2009 em relação a 2008 –até novembro, foram vendidos 2,1 milhões de LPs no país.

A EMI lançará no formato, em 2010, toda a discografia da Legião Urbana. Já a Sony colocou nas lojas a série “Meu Primeiro Disco”, com LPs de gente como João Bosco e Chico Science & Nação Zumbi. Com a reabertura da fábrica de vinil de Belford Roxo (veja texto), outras gravadoras, como a Som Livre, devem preparar lançamentos.

“O vinil não vai mais ter um mercado muito grande”, diz Leonardo Ganem, presidente da Som Livre. “Mas vamos fazer investimentos pontuais nesse setor.”

Fonte

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Autor: Diego Camargo

Editor chefe do Progshine

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