Entrevista: Sergey Kalugin (Orgia Pravednikov)


Por Diego Camargo

Progshine – Em primeiro lugar, de onde a banda vem, para onde você acha que está indo e como está o cenário russo para uma banda como a Orgia Pravednikov?

Sergey Kalugin – Não é possível dar uma resposta curta a esta pergunta aparentemente simples. O Orgia Pravednikov (“Orgia Dos Justos”) pertence à uma geração de bandas formadas há cerca de 10 anos ao redor do mundo. Eu acredito que esta geração apresentou ao mundo algo novo, uma coisa ainda desconhecida para o público do rock. Além disso, eu acho que a nossa geração mudou para sempre a imagem do próprio rock. Para ser mais exato, o mito peculiar do rock.
Duvido que esta revolução tenha sido realizada por críticos de música, pois as bandas que surgiram naquela época não estão unidas pela música em si e nem pela invenção de um novo estilo musical (como foi, por exemplo, no surgimento do punk ou a New Wave of British Heavy Metal). Ao contrário, as origens dessas bandas são absolutamente diferentes, e pode-se dizer que cada uma dessas bandas representa um estilo novo e exclusivo.
Em outras palavras, se considerarmos as bandas das quais eu estou falando, do ponto de vista musicológico tradicional, então você vai deixar de descobrir as coisas comum entre elas. A fim de entender onde reside a comunhão que estou falando, vai ser necessário ter uma visão muito mais ampla.
Em particular, estou falando de bandas como Rammstein, Muse e My Chemical Romance. Estas bandas resistiram a uma série de recriminações por não serem campeões em vendas no início, mas foram astutos, mesmo que a crítica ‘especializada’ não entendesse.
As suspeitas dos críticos parecem explicar o comportamento destes artistas fora do palco: eles não lembram a imagem do clássico ‘rocker’ suicida que foi glorificado por idiotas como Oliver Stone no filme “The Doors”, tendo caluniado (claro, com a melhor das intenções, é por isso que eu digo, que Stone é um idiota, mas não é um canalha) um grande artista, sábio, calmo e uma pessoa madura, Jim Morrison.
E na verdade os nossos heróis são alegres, vivos, eles não agem como estrelas, elas gostam de comer e beber e dar risada de algo idiota, eles não precisam gastar todo o seu dinheiro em coisas imbecis e assim por diante. Nenhum deles precisa dar um tiro na própria cabeça como Cobain (Kurt, ex-Nirvana) fez – e onde está o rock nisso? Onde está o fato aqui? Onde fica a sinceridade?
Os críticos não entendem que o rock cresceu muito e cresceu a partir do romantismo juvenil. Nós lidamos com a depressão adolescente, mas com um desespero apocalíptico de tal intensidade e poder, que um artista desses pode pagar caro. Mas tudo isso não importa.
Nós testemunhamos a morte da civilização europeia, “o sol da Europa” sobre o qual escreveu Spengler. “Há tempo para algo bíblico” – que é a essência da mensagem desses artistas tão diferentes.
Eles combinam tudo de melhor, os fatos mais lembrados e marcante da cultura do mundo. Este é um método de colagem pós-moderno.
Por exemplo, o Rammstein – em sua arte é uma das coisas mais chamativas da cultura alemã. Melodias simples e o sentimentalismo da canção popular alemã junto do metal alemão no espírito de bandas como o Ассеpt, euro disco de esquerda e teatro de Bertolt Brecht, a música eletrônica do Kraftwerk e o romântismo alemão do século 19, os místicos do Reno e a coisa mais detestável no mundo o pornô sadomasoquista alemão, o Terceiro Reich e o expressionismo dos anos 20, a imagem do “cientista louco alemão” – um clichê que se tornou mundial e o rock no estilo iuguslavo do Laibach, o industrial do Einstürzende Neubauten, conto de fadas alemães… eu poderia continuar por horas e horas.
Da mesma maneira o Muse cria os seus cocktails loucos com Rachmaninoff, Sex Pistols, Queen, Nirvana, melodias da chanson francesa no mesmo espírito de Charles Aznavour, trilhas sonoras de jogos de computador, passando por Albéniz através do blues clássico e do pós-punk.
Eu acho que é até bom que esses fenômenos culturais incrivelmente complexos sejam percebidos por todos, exceto pelos fãs, como algo corriqueiro, comum dentro da música pop. Algumas dessas obras são tão perfeitas que parecem ser simples e fáceis. Esse efeito, no passado, só foi alcançado pelo Queen, que gravou coisas incrivelmente complicadas e também cheias de referências, misturando Verdi e hard rock, jazz e disco, Nizhinskiy e Elvis e mesmo assim sua música era recebida facilmente. Em nosso mundo de banalidades triunfantes, provavelmente, apenas fingindo ser um fenômeno pop simples, um artista autêntico pode chamar a atenção do público mainstream.
Diego, desculpe-me pela longa introdução, mas só agora posso responder à sua pergunta, quem somos, onde estamos e para onde estamos indo. Nós somos o mesmo fenômeno, mas nascemos na Rússia, em solo russo. Somos o Rammstein russo ou o Muse russo, no entanto nossa música não tem quase nada em comum com essas bandas, e, penso eu, que agora sei o porque.
Assim como estas bandas, nós combinamos tudo de mais brilhante, de mais interessante, que pode chega às nossas mentes, e – em primeiro lugar – estão as canções e melodias russas.
Não há motivo em descrever nossa música pra você Diego, acho que ela é evidentes para quem conhece e gosta de rock e que deu uma chance a nossa música e realizou uma boa análise do nosso primeiro álbum Oglashennye Izydite (2001) e conseguiu distinguir os elementos corretamente (N.E. Sergey se refere a minha resenha do primeiro disco da banda). Eu esperei por uma resenha como a sua em relação à nossa música, de críticos de música russos por 10 anos – e ela ainda continua apenas em meus sonhos. Foi preciso um amigo brasileiro pra que eu visse esse sonho concretizado, para que nós, músicos russos, pudessem ver que somos compreendidos de alguma maneira.
Mas respondendo a sua pergunta, somos influenciados por bandas como King Crimson e Metallica, Dead Can Dance e Iron Maiden, Queen e Jethro Tull, Sepultura e Depeche Mode… É simplesmente impossível citar todos. E também música étnica – celta, árabe, italiana, chinesa, espanhola, alemã, indiana e japonesa… e claro, russa, no entanto, se formos entrar em detalhes, então novamente será necessário sairmos do assunto inicial – me desculpe.
Mas, penso que será interessante para o leitor brasileiro olhar para o que acontece na Rússia.
Bem, falando sobre os temas russos, eu não me refiro a toda a música étnica russa e nem mesmo todas as canções da época da União Soviética que ainda é possível ouvir em todos os restaurantes russos. Normalmente o que é reconhecido como música russa é a música dos ciganos Balcãs, as danças e etc. Por que isso acontece é outra história, mas o importante é saber que a música popular genuínamente russa não tem nada a ver com isso. Quem tiver interesse pode ouvir discos do grupo Pokrovsky, isso sim é música popular genuinamente russa. Na minha opinião, ela lembra a mistura da música celta com a música Sul Africana.
Ao lado do conjunto Pokrovsky na Rússia, há uma série de músicos, que também são influênciados por essa vertente. Estou falando de grupos como Kalinov Most (Kalinov Bridge), Inna Zhelannaya, Alliance e muitos outros. Mas o Orgia Pravednikov não entra nesse grupo.
Há também uma tradição de coral de igreja por aqui, vindos da Grécia, mas acabou sendo adaptado, tal música é também percebida por muitas pessoas como música russa. Mas normalmente acabamos apelando para a cultura europeia tradicional – tanto em texto quanto em música, ou para a Ásia antiga.
Durante muito tempo pareceu-nos que não há nada puramente nacional no que fazemos. Nós pensávamos que eramos apenas uma banda de rock, até que de repente em um determinado momento, percebemos o quanto nossa música é realmente nacional (russa). Nós apenas não seguimos os moldes tradicionais e sim a cultura russa urbana, formada nos últimos 300 anos.
Há 300 anos atrás o czar russo Pedro I decidiu transformar a Rússia num pedaço da Europa. Ele ficou fortemente impressionado com a Holanda e acabou usando-a como um modelo. Na Rússia, todas as mudanças globais aconteceram a partir daí.
Então, Pedro I acabou destruindo totalmente a civilização russa original – arquitetura, costumes, literatura, a tradição da igreja (ele aniquilou instituição patriarcado e adaptou a igreja de acordo com o modelo Inglês), música, férias – tudo, absolutamente tudo. Eles começaram a fazer construções como na Europa, a se vestir como na Europa, toda a elite nacional tem ensino superior europeu. A cultura russa, como tal, manteve-se intacta na comunidade camponesa. Algo semelhante com a cultura indígena após a chegada dos espanhóis católicos, mas nesse caso fomos nós mesmos tanto os índios como os católicos. Nosso povo é tão alegre. Mas no final a civilização original russa desapareceu.
Nós podemos chegar ir mais fundo na história e dizer que a Rússia estava originalmente na Europa, mas isso vai nos afastar de novo da pergunta original.
Bem, depois de Pedro I, nas cidades europeias construída por Pedro, começou a se formar uma nova cultura – a cultura de empréstimos e imitações. Os poetas russos gostava muito de escrever um tipo de poesia que era chamada “de Schiller”, “de Goethe”, “de Byron”. E mais tarde o mesmo método foi utilizado quando os russos olharam para a Ásia – e poemas como “de Hafiz”, “da poesia indiana”, “De Li Bo” começaram a aparecer. Em outras palavras, era a cultura da cópia.

Compositores russos e pintores estudaram na Itália – e se olharmos com a mente aberta, então a música de Glinka lembra muito a música de Rossini. Claro que no processo de ‘cópia’ muitas coisas foram revistas e Glinka não é Rossini, mas apenas graças a essa abordagem é que aconteceu a mais tarde chamada “abertura do espírito russo”.
Depois de Pedro I, o primeiro que adotou as culturas estrangeiras e brincou com elas, tornou-se uma coisa normal para os russos, os russos se tornaram os primeiros pós-modernistas na história, isso cerca de 150 anos antes da ocorrência do pós-modernismo.
Até a música Sacra mudou, o canto gregoriano tornou-se uma coisa do passado eles começaram a cantar da forma católica, e a Igreja começou a pintar cânones no espírito do renascimento italiano. O gênero mais popular na música tornou-se o romance, que veio da Espanha – e como resultado no século 19, provavelmente foram compostos mais romances na Rússia que ao longo da história espanhola.
Inicialmente um tipo de música para aristocratas, o romance acabou chegando as massas urbanas e se tornou o chamado “romance da cidade” – um tipo de música folclórica nova, não tendo nada em comum com a cultura popular russa original. E mais tarde o romance acabou penetrando no resto do país e substituiu os restos da antiga cultura musical russa.
O Rock russo desde o momento da sua origem se mostrou contra esse tipo de música, mas na verdade ele não tem ido muito longe. E se você ouvir atentamente, as composições dos roqueiros mais populares da Rússia vai notar que elas são baseadas no mesmo tipo melódico do chamado romance urbano.
De um modo geral, o romance permea tudo na Rússia, e não se tem para onde escapar. O Rock ainda tenta ser diferente com algumas bandas mas só as músicas dos roqueiros nas quais as tais melodias do romance são percebida é que tem popularidade por aqui. Todos os outros gêneros – do jazz ao hardcore – sobrevivem com grande dificuldade.
Na Rússia os fãs vem de todo o país para um show do Slipknot, por exemplo – mas se o Slipknot começar a tocar aqui uma vez por mês eles não vão receber nem 200 pessoas num show. A popularidade de uma banda de heavy metal por aqui é muito duvidosa, tal som não tem apelo para as massas. A maioria quer ouvir uma música simples e pop.
Bem, sobre a banda. Em primeiro lugar, como todas as pessoas instruídas sobre a instituição do Ocidente, não fizemos nada exceto jurar ódio ao Romance em geral, em especial a música amadora. O Romance foi julgado como um gênero vulgar, do nosso ponto de vista, amador e uma apoteóse da falta de talento tanto musical como poética. Ouvíamos Slayer com todo orgulho e usavamos calças de couro, e era legal. Nós nos sentiamos especiais.
Mas quanto mais nós mesmos nos embebedassemos em nossa própria música, o mais evidente foi que – não importa o quanto nós nos entorpecessemos com o Slayer, de uma maneira ou de outra nós acabamos escrevendo Romance. Podíamos rosnar furiosamente tanto quanto quisessemos – mas mesmo assim o Romance vinha de todo lugar. Queríamos ser furiosos, durões, mas ao invés disso, apesar de todas as distorções e efeitos, nós tinhamos uma ternura quase feminina em nossa música. Finalmente nos deixamos levar. Na Rússia há um provérbio: “Dê ao lobo a melhor carne, e mesmo assim ele ainda vai querer o bosque inteiro”. É inútil tentar fazer algo contraditório à sua própria natureza.
Essa é a resposta à sua pergunta, o que representa o nosso estilo – é a nossa idéia sobre o mundo, o hard rock cuspido pelo Romance russo. Ou vice-versa – o Romance cuspido pelo hard rock, como você achar melhor. Nós nos tornamos os primeiros a compreender como é possível fundir essas origens tão diferentes.
O fato é que o Romance russo tem origem espanhola, herdado da canção popular russa e aniquilado por ela. Esta característica é dada a liberdade do seu ritmo. O Romance russo é antes de tudo livre. É por isso que é muito difícil combinar ele com o Rock, o Rock é ritmicamente objetivo e duro, enquanto o Romance é contínuo em seu ritmo, sem bateria!
Apenas reciclar harmonias antigas, é essa a maioria do que é o rock russo. Por isso mesmo os próprios russos apelidaram ele de “shit-rock” (rock de merda).
No entanto, sendo fascinados pelo Art Rock e Rock Progressivo, descobrimos que, em um arranjo você pode utilizar velocidades e padrões rítmicos agradáveis, típico de grupos como Dream Theater, mas cobri-los de melodia – então o ouvinte tem a impressão de estar ouvindo um suspiro do Romance russo clássico.
Outra descoberta foi o uso do violão dentro dos nossos arranjos. Eu acho que antes de nós ninguém tinha colocado o violão como instrumento base em uma banda de Rock pesado. Nós tivemos essa idéia, inicialmente, porque eu tenho formação de violonista clássico, mas mesmo assim nós levamos cerca de 10 anos para desenvolver bem esse estilo. Um monte de técnicas e truques foram necessárias, tivemos que descobrir o caminho das pedras pra conseguir alcançar o nosso próprio som. E isso pode ser ouvido por completo no nosso disco novo Dlya Teh, Kto Vidit Sny Vol.1 (2010).
E, finalmente, sobre o futuro da banda, é difícil prever. Não há nenhum canal de televisão na Rússia que transmita nosso tipo de música. Não existe nenhuma estação de rádio que toque o nosso tipo de som. Uma das duas revistas de música que poderiam escrever sobre nós acaba de fechar, foi à falência. A segunda ainda está de pé mas com dificuldade, no entanto ela não é tão popular e sua circulação é setorizada.
Apenas dois selos lançam discos de Rock e normalmente trabalham com um tipo de Rock mais comercial e selos pequenos que lançam bandas de grindcore ou death metal não são nosso objetivo pois nós mesmos somos muito mais fortes do que a maioria desses pequenos selos.
Não existe um sistema de “banda de abertura”. Se somos chamados pra abrir o show de uma banda vamos com a maior felicidade, mas em primeiro lugar, existem apenas umas 10 bandas veteranas em todo o país, e nós temos relação com apenas umas duas delas e se levarmos em conta com a mensagem passada em nossa música então apenas uma dela tem um estilo parecido com o nosso. E em segundo lugar, não temos dinheiro para pagar uma viagem dessas e um selo ou gravadora não vai pagar um ônibus ou pagar a nossa gasolina pra isso e a banda principal não tem obrigação nenhuma de compartilhar esse tipo de custo com a banda de abertura.
Estritamente falando, na Rússia não há nenhuma cena de rock independente. Em cada cidade do país há um clube de rock enfumaçado e caindo aos pedaços com capacidade para 150/300 pessoas, com equipamentos quebrados e um dono cansado de ter que molhar a mão da polícia, dos funcionários, dos fiscais e ter que pagar todas as taxas, caso contrário eles é fechado. E de vez em quando conseguimos algumas datas em clubes como esses para a alegria dos nossos fãs mais novos, sim porque os fãs mais antigos não vão se dar ao trabalho de ir a um desses clubes horríveis só pra ver a banda.
E ainda não podemos fazer shows em grandes casas, nesse caso é preciso ter uma gravadora. Desse modo as perspectivas são as seguintes: uma vez que existem apenas duas gravadoras por aqui ou teremos que nos encaixar em uma delas ou ficamos mais fortes para sermos capazes de organizar tudo o que queremos nós mesmos, por enquanto seguimos a segunda opção, e até agora temos tido sucesso.
Nós temos no país vários locais para shows abertos, mas só as bandas que tem suas músicas tocadas no rádio estão ‘autorizadas’ a tocar em lugares como esses. Em outras palavras, somente as bandas que surgiram no início dos anos 80 tem essa chance. Naquela época o Rock foi uma onda que deu certo, tocando em rádio e televisão como um símbolo de liberdade, a energia de protesto do Rock foi utilizada para o desmantelamento do sistema soviético na época. Mas tão logo o sistema tenha falhado e o dinheiro roubado o Rock voltou a ser banido das mídias. O que restou foram as bandas que fazem um Pop Rock comercial e suas músicas não são nenhuma ameaça ao sistema ou às gravadoras. Nós chegamos a participar dessa leva de bandas em que as gravadoras estavam interessadas, mas muitas vezes tivemos que ouvir frases como: “Sua música é muito interessante. Mas nós não precisamos de música interessante”.
Nós tentamos muitas vezes contatos para tocarmos na Europa, mas sem sucesso até agora. Os ‘trashers’ ou as bandas folk tem algumas oportunidades de ir pra Europa, esses gêneros são bem recebidos fora da Rússia, os empresários e promoters europeus sabem como lidar com esse tipo de música, mas uma banda obscura de Rock pesado que não joga em nenhum desses times… é um pouco mais complicado.

Progshine – E como funciona o processo de composição da banda?

Sergey Kalugin -No começo nós trabalhávamos as canções que eu trazia porque eu tinha uma grande quantidade de composições já prontas, e nesses últimos anos como qualquer outra banda de Rock é um trabalho em grupo. Isso é, as canções nascem do processo de trabalho criativo coletivo, uma pessoa traz um riff ou um pedaço interessante, alguém sugere um rítmo um outro uma harmonia e quando a base se forma eu escrevo a letra. Mas o mais importante é o tema inicial. Nós chamamos esse impulso inicial de ‘anjo’. É importante entender o que é este ‘anjo’. Todos tentam construir uma casa pra esse ‘anjo’, pra que eles vivam ali. Pode ser um palácio ou até mesmo uma cabana capenga, o que importa é se o ‘anjo’ gostou da casa que foi feita pra ele. Por exemplo, o The Doors construi muitas casas que os ‘anjos’ gostaram, 40 anos se passaram e eles ainda estão dentro delas enquanto os ‘anjos’ de músicas de outras bandas já foram embora e essas canções ficaram perdidas no tempo. Mas o som do The Doors continua aqui. Isso significa que os ‘anjos’ ainda estão aqui. E falando nisso, existem bandas que construíram palácios maravilhosos, mas não há nenhum ‘anjo’ morando neles e nunca houve, há um grande número de tais palácios mortos no Rock Progressivo.

Progshine – O grupo explora a Internet como uma nova maneira de divulgação, incluindo os álbuns para download gratuito (a banda permitiu que o Progshine colocasse os álbuns para download, clique AQUI pra isso). Quão importante é este mercado? (Eu não posso esquecer que eu só conheço a banda por causa da internet).

Sergey Kalugin -É uma questão simples, eu já mencionei que na Rússia não temos estações de rádio que transmitam a nossa música, não há canais de televisão, revistas de música ou jornais que façam isso também. Ok, eu vou explicar melhor. Há uma estação de rádio em Moscou que transmite Rock clássico, de Chuck Berry a Nirvana, mas eles não tocam bandas russas. Há uma estação de música alternativa e nu-metal, mas apenas para música de origem estrangeira. E há também duas estações de rádio que tocam bandas russas, mas eles não nos querem lá, eles tocam o que é chamado de ‘Rock comercial’. Há também canais de televisão à cabo, o A1 passa apenas música alternativa e nós não nos encaixamos nessa lista. Normalmente só vemos por lá jovens que berram versos sobre romances frustrados. E existe o canal a cabo O2, lá eles passaram nossos vídeos algumas vezes. E isso é tudo Diego. Bem, exceto pela MTV, mas a MTV na Rússia é um caso patológico. Você ficaria louco se visse as coisas que eles passam aqui. E isso acontece em Moscou, em outras cidades não existe nem isso. Nestas circunstâncias a Internet é a plataforma de informação onde podemos mostrar a nossa música. É por isso que tentamos usá-la da melhor maneira possível.

Progshine – Vocês parecem ter um relacionamento íntimo com os fãs. Conte-nos um pouco sobre essa parte. Você acha que cada país se comporta de maneira diferente em relação a este assunto ou parece ser a mesma coisa em toda parte?

Sergey Kalugin -Sim, é verdade. Realmente os nossos fãs são surpreendentemente solidários, mas eu acho que esta solidariedade vem de fora e não de dentro das pessoas. A sociedade pressiona demais as pessoas que tentam permanecer livres para pensar de forma independente e corajosa. Após nossos shows vejo rostos felizes – o pessoal muitas vezes nos dizem que nós lhe damos energia para sobreviver nessa sociedade imoral em que vivemos. E estamos muito orgulhosos de conseguir ajudar as pessoas pelo menos um pouco em sua oposição a este sistema. Eu vi os mesmos rostos em shows do Rammstein e do Muse. É claro que é uma pena que não possamos transmitir nossa mensagem ao mesmo número de pessoas que essas bandas, mas tentamos fazer o melhor com o que temos no momento.

Progshine – Vamos falar um pouco sobre dois lançamentos anteriores do grupo, o CD Ukhodyashcheye Solntse (2007) e o DVD Solntsestoyaniye (2008). Como foram as críticas e a recepção do público? Parece-me que o CD tem um conceito, estou certo?

Sergey Kalugin – O álbum foi aceito pela crítica muito bem e foi até mesmo classificado como o terceiro melhor disco de Rock do ano de acordo com os resultados da votação de um dos portais de internet de maior prestígio musical por aqui. O público também aceitou de bom grado, e o públicou aumentou bastante com esses lançamentos. Nós finalmente conseguimos fazer a nossa música distinta e fácil de entender. Os álbuns anteriores tiveram problemas em muitos aspectos, epecialmente na gravação e nos arranjos.
O DVD não teve nenhuma admiração especial, nos acusaram de ter feito uma produção inferior e nos sugeriram algo no nível do Iron Maiden por exemplo. Parece que os críticos ainda não entendem que não podem nos comparar a uma banda rica. Mas isso é bom, significa que na percepção mundial dos críticos nós estamos no mesmo campo de jogo dos monstros sagrados do Rock mundial, apesar de sermos completamente surrados por eles ainda estamos em campo! Em outras palavras, lançamos um DVD com o orçamento de 10 mil dólares e que acabou sendo muito mais fraco do que um DVD com o orçamento de 1 milhão. Que surpresa! (risos)
Quanto ao conceito do disco anterior, sim, ele existe, e tudo isso está contido na música-chave do disco – “Das Boot”. Bom, eu acho que todo mundo viu o filme alemão de mesmo nome, mas se não, vão logo ver. O filme é surpreendente. É sobre submarinistas alemães da época da Segunda Guerra Mundial. O filme é muito trágico. Aqui na Rússia, temos uma piada muito conhecida: “Submarinos voadores nas estepes da Ucrânia”. Estepes da Ucrânia é algo como o Pampa de vocês. Eu também vi um programa sobre a retirada das forças francesas de Moscou, em 1812, e um fato que me chocou, que eu não sabia me foi apresentado nele. Acontece que o regimento imperial francês marchou de Moscou até a fronteira com bandeiras levantadas! Imaginem – neve, caos, loucura, em todo lugar eram esmagados pelos partidários, sem comida, nem roupas quentes, milhares de pessoas congelando, o Imperator já tinha ido embora há muito tempo, deixando as forças militares para a morte – e essas pessoas marcharam em fila única com suas bandeiras erguidas! Eles fizeram isso por um mês inteiro e depois pelo segundo mês… só de imaginar eu quase chorei vendo o programa. E de alguma forma esses franceses se misturaram com os alemães na minha cabeça, e de repente eu senti que seria legal transformar o submarino da piada em uma imagem trágica. Você sabe, nós nos sentiamos como estúpidos que lutavam com um subarino em um campo verde e sem saber porque. Nós somos como aqueles franceses, levantamos nossa bandeira e marchamos… e eu escrevi uma canção sobre o tempo em que um ato heróico tornou-se impossível, quando um herói não se parece mais com um herói, mas com um verme, e que as pessoas têm de morrer absolutamente sem glória – ninguém vai gostar dos motivos, pelo contrário – na melhor das hipóteses as pessoas vão rir de sua idiotice mas não é preciso se sentir triste por isso. Faça o que parece certo ou o que vai ser certo. Essa é a idéia principal da canção e do álbum em geral. “Acene em despedida ao Sol dos heróis que se foram para sempre” N.E. parte da letra da canção ‘Das Boot’, presente no disco Ukhodyashcheye Solntse (2007).

Progshine – Falando nos discos da banda, o novo álbum acaba de ser lançado certo? Conte-nos um pouco sobre ele, quanto tempo levou para ser produzido e como é para vocês em tempos tão difíceis gravarem em seu próprio estúdio?

Sergey Kalugin – Todo o dinheiro que normalmente é gasto pela banda para a gravação de um novo disco foi investido por nós em equipamentos de estúdio com esse intuíto. Ainda não conseguimos mixar o álbum nós mesmos, por isso colocamos a mixagem e masterização nas mãos de um dos melhores especialistas na Rússia – Youri Bogdanov. O resultado final deve ser julgado pelo público, mas nós ficamos chocados com o trabalho que foi feito. Nem um milhão de anos nós imaginávamos que podíamos ter esse som que ficou registrado no nosso disco novo Dlya Teh, Kto Vidit Sny Vol.1 (2010). Então parece que ainda não conseguimos fazer tudo sozinhos (mas talvez nem seja mesmo necessário). Mas parece que conseguimos chegar no nível internacional. A gravação durou 6 meses e tivemos um calendário bem apertado, mas conseguimos terminar tudo dentro do prazo. Esse prazo é necessário porque ter um estúdio a sua disposição o tempo todo pode te deixar louco, nada impede a banda de levar 15 anos pra gravar um álbum, tentando fazer com que ele soe perfeito. Conheço um monte de exemplos de como projetos interessantes pereceram de maneira semelhante, é uma espécie de loucura de músicos. É por isso que nós inicialmente nos demos um prazo-limite, mas tudo fluiu perfeitamente! 97% das coisas estavam prontas no prazo, com exceção da última faixa que foi composta e gravada a meia noite do último dias, 3 horas antes do disco ser enviado para mixagem. (Que o leitor não fique surpreso, mixar um disco as 3 da manhã é perfeitamente normal [risos]). Claro que seria muito melhor se tivéssemos feito tudo com calma, sem desespero e sem medo de nada. Mas no final deu tudo certo.

Progshine – Como é ser responsável por seu próprio trabalho musical sendo uma banda totalmente independente?

Sergey Kalugin – Diego, como eu disse, nós não teríamos nenhum problema em nos tornarmos ‘dependentes’ – não no sentido errado, como se alguém nos dissesse que tipo de música temos que tocar e sim no sentido de não ter que pensar em um milhão de coisas diferentes como organizar a distribuição dos nossos discos ou quais devem ser as estampas das nossas camisetas… nós gostaríamos de nos concentrar apenas na música. Mas como eu te disse, ninguém nos ofereceu um contrato até agora então temos que construir nosso ‘império’ por conta própria. No final nós somos produtores, designers, técnicos, roadies, negociantes…. nós estamos cansados de ter que fazer tudo, mas, fazer o que?. Graças a Deus, finalmente conseguimos abrir nosso próprio estúdio. Agora não só nós poderemos gravar nossos discos mas outras bandas também podem. No final das contas nós estamos caminhando lentamente pra nos tornarmos um selo independente.

Progshine – Você mencionou outras bandas, há um cenário para o Rock Progressivo na Rússia?

Sergey Kalugin – Bem, o ponto alto do cenário Progressivo russo é quando 20 bandas se juntam pra tocar num pequeno clube na periferia de Moscou e aparecem 60 pessoas pra assistir. Este é o caso do Rock Progressivo por aqui, infelizmente. E tenho que te dizer que dessas 20 bandas, 19 delas são exatamente iguais ao Dream Theater e cantando em inglês. Mas é uma coisa natural para o Rock russo em geral – aqui as pessoas não tentam inventar algo original, na melhor das hipóteses eles copiam muito bem as bandas internacionais. Não muito tempo atrás o Pain Of Salvation tocou em São Petersburgo para umas 500 pessoas, e em Moscou para um pouco mais. Disseram que custou uma enorme quantia para organizar estes dois shows, mas que valeu a pena. Provavelmente é essa toda a audiência que está interessada nesse estilo musical por aqui. Apesar que o Dream Theater reuniu algumas mil pessoas quando veio… mas nenhuma das bandas russas é acompanhada pelo público deles. Graças a Deus que não somos considerados como uma banda Progressiva na Rússia ou então nosso público seria ainda menor.

Progshine – Sergey, você tem um álbum solo chamado Nigredo (1994) que eu adoro, eu ouço ele e vejo uma espécie de “trovador moderno” no disco. Era sua intenção naquele momento?

Sergey Kalugin – Naquele época eu era louco pelo Dead Can Dance, e eu queria muito fazer algo parecido. Eu sempre suspeitei que (como disse o nosso guitarrista, Alex Burkov), o Dead Can Dance e o Metallica são como irmãos que nunca se conheceram, na verdade, eu usaria riffs de metal já naquele álbum, mas eu não tinha tempo suficiente e nem a habilidade suficiente pra fazer isso na época.

Progshine – Assistindo ao DVD Solntsestoyaniye (2008), é incrível ver como o público realmente ouve e assiste ao show e as músicas, me lembrou um pouco o público japonês (salvo as excepções, claro). Você acredita que o povo russo tem uma maior atenção nos shows ou seria o público da banda?

Sergey Kalugin – Já ouvi lendas sobre como o público japonês responde aos shows com entusiasmo e atenção excepcionais – Infelizmente nunca nos apresentamos lá, então eu não tenho como comparar, mas acho que pelo menos o nosso público, aqueles que vêm aos nossos shows têm a mesma reação forte que é dada ao público japônes. Eles são ótimos! Eles inventaram um monte de rituais, na música ‘Turkestanskiy Express’ (O Expresso Do Turquestão’) por exemplo, em que o nosso baterista (N.E. Alexander Vetkhov ) simula um trem se aproximando, eles começam a imitar um trem – é um jogo de criança, com certeza vocês também tem esse tipo de coisa nos shows por ai, provavelmente tenha outro nome.
Em “Sitsiliyskiy Vinograd” (Uvas Da Sicília) eles começam a encenar uma dança que eles mesmo inventaram – uma mistura de tarantela, dança sirtaki e irlandesa. Na canção “Ubit Svoyu Mat” (“Matando Sua Mãe”), eles enchem o show com balões… No geral é graças a eles que depois de tocarmos em um show para 200 pessoas nos sentimos cheios de energia, como se estivéssemos tocando para um estádio cheio. Eles nos salvam com sua energia, se não houvesse esse apoio – nós com certeza já tinhamos desistido. Graças a eles o Rock acontece cada vez que subimos no palco.

Progshine – A atenção que vocês dão ao trabalho gráfico dos seus discos Ukhodyashcheye Solntse (2007) e especialmente no novo Dlya Teh, Kto Vidit Sny Vol.1 (2010) quanto ao DVD Solntsestoyaniye (2008) (e todos os outros discos da banda) é fantástico! Este é um cuidado essencial para completar a música da banda?

Sergey Kalugin – Nós achamos que o Rock é maravilhoso porque é uma síntese das artes, há algo de arte clássica nele. Isso o torna quase religioso, Rock é um culto extático. É uma pena que com o desaparecimento do disco em vinil (LP) a arte em discos tenha perdido muito espaço, as pinturas perderam espaço nessa síntese maravilhosa. O som também ficou pior, mas não é esse o assunto. Nos achamos que para ter um produto completo em mãos não apenas os músicos tem que se empenhar mas também os fotógrafos/pintores e designers também.

Progshine – No “making of” do DVD Solntsestoyaniye (2008), você Sergey aparece em uma das cenas gravando vocais com uma rolha na boca, que técnica é essa? (Risos)

Sergey Kalugin – Bom, as risadas são coisas valiosas! Eu bem que tentei protestar, mas esses desgraçados (N.E. Ele se refere aos outros membros da banda) por conta própria incluíram essa cena no DVD (risos)! Na verdade é tudo muito simples – o engenheiro de som que gravou o álbum me aconselhou a treinar para melhorar minha articulação e, em seguida gravar um dueto de vozes. É uma espécie de análogo de pedras, com os quais Cícero encheu a boca, um treinamento para dar palestras.

Progshine – Sendo uma banda independente vocês conseguem viver apenas com sua música?

Sergey Kalugin – Nós conseguimos prover tudo que a banda precisa, equipamentos, lançar os nossos discos, fazer a promoção deles e ainda deixar cerca de 40% da renda total pra nós mesmos, não é um adicional ruim aos nossos salários. Uma só pessoa talvez pudesse sobreviver apenas com a banda, mas nós temos família e filhos, por isso temos de encontrar outras fontes de renda. Nosso baterista (Alexander Vetkhov) tem diversos outros projetos musicais fora da banda, o guitarrista (Alex Burkov) dá aula particulares de guitarra, o flautista (Yuri Ruslanov) e o baixista (Artemiy Bondarenko ) trabalham como gestores públicos, nosso engenheiro de som ensina física na faculdade ele é um cientista e o diretor de departamento de gestão de vendas de tintas e gesso e eu também dou aulas, mas de violão clássico, mas meu principal ganho vem dos recitais solo que eu faço. Muitas cidades não podem se dar ao luxo de convidar a banda pra tocar, pois eles não têm dinheiro para pagar as despesas de viagem de todos os músicos. Então eu vou sozinho com o violão. E uma vez por mês eu faço um recital em Moscou.

Progshine – O equipamento é importante para uma banda? Até que ponto? Falando nisso, qual é o equipamento utilizado por vocês?

Sergey Kalugin – Cinco anos atrás nós percebemos horrorizados que se quissemos ser bons, assim como as nossas bandas favoritas, teríamos que tocar com instrumentos tão bons quanto os deles. E deveríamos gravar nas mesmas condições. Ninguém se importa se moramos na Rússia e a nossa renda não é igual ao dessas bandas. Se você quiser o som perfeito, tem que conseguir não importa como. Então começamos a investir todo o nosso dinheiro em instrumentos e equipamentos. Nós sempre tivemos dívidas terríveis, e de alguma maneira conseguimos pagar todas elas. Neste exato momento eu posso dizer que nesse quesito estamos no mesmo nível das grandes bandas.
Nosso baterista (Alexander Vetkhov) toca com uma Yamaha Custom Beach, com dois bumbos.
O baixista (Artemiy Bondarenko) usa 1 Alambique de 5 cordas, um Zone fretless de 4 cordas e um Michael Kelly Dragonfly acústico de 5 cordas. Ele usa cabeçote e amplificadores Trace Elliot, mas o amplificador é vintage, fabricado nos anos 70 e para efeitos de distorção ele usa cabeçote e amplificadores Marshall.
O guitarrista (Alex Burkov) tocava com uma Gibson Spirit XPL, mas então uma cópia japonesa de uma Gibson Les Paul Custom modelo John Sykes do ano de 1984 caiu nas mãos dele. Ele imediatamente vendeu sua Gibson e comprou esta guitarra japonesa 5 vezes mais barata e que era melhor do que a Gibson original. Desde então nós somos fãs dos modelos antigos japoneses, eles são muito baratos e o som na maioria das vezes é tão bom ou melhor dos que os das grandes fábricas. Ele também tem uma Fender Stratocaster japonesa antiga de 1990, e eu posso dizer que comparando um modelo Fender personalizado que custa cerca de 6 mil dólares e esta japonesa você não vai ouvir nenhuma diferença. Ele também tem um violão Takamine Natural EAN40C, e dois violões de 12 cordas Hagstrom dos anos 60, um deles acústico o outro elétrico, um violão barítono Gretsch Spectra Sonic, e para as turnês, como um instrumento extra um Korean Kraken Nexter 3.2, nós recomendamos esse para iniciantes, ele é um excelente instrumento de baixo custo. Cabeçotes Mesa Boogie 4X12 Rectifier e amplificadores VHT Valvulator GP3.
Nosso flautista/tecladista (Yuri Ruslanov) toca uma flauta Muramatsu DX e um teclado Korg Triton Extreme. Ele também comprou uma coisa maravilhosa não faz muito tempo, um mandolim Moondoline, esses instrumentos são feitos por um luthier em Glasgow na Inglaterra. Eu nunca ouvi um mandolim com um som tão bom quanto o desse, e agora ele o está tocando também, ele é um multi-instrumentista (risos).
A história mais interessante aconteceu comigo, como eu disse antes, tive que inventar uma maneira de tocar violão clássico em uma banda pesada. Não vou entrar em detalhes, mas atualmente uso um violão Gibson Chet Atkins CEC e Martin OMC16 REAURA, cabeçotes Daedalus S-82, amplificadores Parasound 2250 e como um pré-amplificador eu uso SWR California Blonde um dos modelos ainda fabricados nos EUA, antes da merda da Fender ter comprado a empresa e estragado tudo. Agora eu pretendo comprar uma Gibson Chet Atkins SST e uma Taylor Big Baby 306 que é uma marca antiga fabricada nos Estados Unidos.

Progshine – É com grande prazer que fiz essa entrevista. Eu posso, com certeza, dizer que sou um fã da banda. E eu gostaria de deixar a última palavra livre. Á vontade!

Sergey Kalugin – Obrigado Diego. Eu também fiquei muito contente em responder as suas perguntas! É ótimo que você tenha criado esse portal sem nenhum tipo de ajuda e conseguido transormar ele em um dos mais respeitados sobre o assunto na web. Parece que hoje em dia é o único jeito de conseguir algo, fazendo você mesmo. Nós, como você pode ver, estamos seguindo esse caminho também. E no final das contas, uma das nossas músicas, ‘Das Boot’ também é para você, sobre o seu trabalho com o site que é respeitável e necessário! Eu também gostaria de poder apertar a mão de cada um dos leitores do site, todos os que amam o Rock e que sabem que ele não é apenas cabelo comprido, jeans surrado, carros e sonhos de adolescente (claro que ele também é tudo isso, Beavis & Butt Head são demais! risos), mas também é uma coisa poderosa, séria, um tipo de arte maravilhosa!
Eu gostaria de agradecer ao Brasil por ter me dado um dos discos que está no meu top10 de melhores de todos os tempos na história do Rock. Me lembro da primeira vez que ouvi esse disco, eu pensei comigo: ‘Parece que todo a história do Rock teve que ser escrita só pra que esse álbum fosse gravado! Eu estou falando do disco Roots (1996) do Sepultura. E é um orgulho saber que essas raízes se estenderam até nós, aqui na distante Rússia, e pelo que eu li a respeito, os irmãos Cavalera tem avós russos (risos). Eu ainda sinto que a banda não tenha dado certo, eles acabaram não aguentando o excesso de trabalho na época. É claro que hoje temos duas bandas interessantes, o Sepultura atual e o Soulfly, e também temos o projeto Cavalera Conspiracy, mas a banda com a formação clássica era genial!
Mas o que eu quero dizer para todos que fazem Rock é NÃO DESISTAM! NUNCA! POR NADA! Sempre há uma maneira.
E pr’aqueles que são do Rock! Nós os saldamos! (N.E. Citação do clássico do AC/DC – For those about to rock, we salute you – do original).

 

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Autor: Diego Camargo

Editor chefe do Progshine

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