Entrevista Exclusiva Com Roine Stolt (The Flower Kings, Agents Of Mercy, Transatlantic, Kaipa)


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Por Diego Camargo

Roine Stolt é uma figura importantíssima para o renascimento do Rock Progressivo nos anos 90. À frente de seu The Flower Kings ajudou a dar uma nova cara ao gênero, mantendo as raízes setentistas mas trazendo o novo mundo no mesmo caldeirão.
Tive a oportunidade de bater um papo com o músico sueco por e-mail, o resultado você confere abaixo em mais uma exclusiva entrevista que o Progshine traz a vocês leitores.

Progshine Eu ouvi falar do Agents Of Mercy desde que o projeto foi anunciado, e também vi o lançamento do primeiro disco, The Fading Ghosts Of Twilight (2009) e também do segundo Dramarama (2010), mas confesso que estava com um pé atrás quanto a banda e achava que ia ficar desapontado ao ouvir, pois sou fã do The Flower Kings. Quando o novo disco The Black Forest (2011) foi lançado, tive a oportunidade de receber o CD pra resenhar aqui no Site (leia AQUI) e eu fiquei surpreso com a qualidade! Depois disso ouvi os outros 2 discos com atenção e vi que eu estava errado em desconfiar da qualidade. Você teve muitos ‘problemas’ como esse? Com as pessoas não interessadas em uma nova banda sua e querendo que o The Flower Kings voltasse?

Roine Stolt – Sim, com certeza teve isso – parece ser inerente à maneira com que consumimos música e na maneira como idolatramos músicos e bandas. Eu imaginei que seria muito difícil entender o porque eu estava começando uma nova banda. Então em retrospecto, seria correto dizer que o Agents Of Mercy nunca vai ter uma grande chance entre as pessoas, muitas gente não vai nem ouvir os discos, e se eles ouvirem estarão esperando uma banda igual ao The Flower Kings e comigo cantando. Quase como se o Agents Of Mercy fosse uma ‘ameaça’. Pra mim é apenas a evolução natural da minha maneira de compor e tocar e eu consigo ver as duas bandas co-existindo perfeitamente, assim como no caso do Transatlantic.

Progshine – The Black Forest (2011) é um disco diferente se você olhar ele mais de perto, me pareceu mais sombrio do que os outros dois discos. Você também acha isso?

Roine – Sim, eu também vejo isso – eu continuo sendo a mesma pessoa, mas pra mim foi interessante escrever músicas e letras com um conteúdo mais forte e sombrio.
Depois de mais de 10 discos com o The Flower Kings, com a maioria do material sendo leve, contente e com mensagens positivas eu sentia a necessidade de evoluir com a minha música para algo diferente. The Black Forest (2011) supostamente conta histórias e é um disco bem ‘cinemático’, começando pela capa. (Veja a capa AQUI)

Roine ao vivo com o Agents Of Mercy

Progshine – E falando nisso, quando você decidiu que era hora de colocar o Flower Kings no gelo e começar do zero com uma banda nova e o que te fez voltar ao ‘Flower Power’ esse ano?

Roine – Basicamente pelos mesmos motivos, pra não ficar preso com o mesmo tipo de música, músicos e estilo por tempo demais. Nunca foi minha intenção acabar com o TFK e esse ano simplesmente chegou num ponto que eu senti que era o momento certo, a inspiração e a vontade pra compor pro grupo e sair de novo em turnê estava de volta. Minha vida musical nunca foi levada pelo dinheiro, a inspiração sempre foi o mais importante.

Progshine – E existe a possibilidade de um novo disco do Agents Of Mercy no futuro?

Roine – Sim, com certeza – Eu me vejo gravando outras vezes com o Agents Of Mercy – existe tanto talento e criatividade dentro da banda que eu quero ver quão longe podemos ir ainda. Nós começamos a tão pouco tempo e The Black Forest (2011) é um grande disco e ele mostra que nós também podemos ser muito bons.

Progshine – Voltando ao Flower Kings. Eu entrevistei Jonas Reingold (baixista do grupo, leia a entrevista AQUI) uns meses atrás, e ele me disse que o Flower Kings era tudo na vida dele, por causa da banda ele teve oportunidade de tocar com várias outras bandas, formar o seu próprio grupo, montar o seu próprio selo etc. E pra você? Vindo do Rock Progressivo dos anos 70 com o Kaipa, tendo passado pelos 80 e triunfado nos anos 90. O que o grupo significa pra você?

Roine – Eu acho que pra mim é a mesma coisa que o Jonas te respondeu – mas no meu caso um pouquinho diferente, porque eu comecei a banda e tenho sido a força criativa dela. Pra mim é como se fosse o meu ‘trabalho’ por 12 horas no dia, 7 dias por semana e isso tudo por mais de 15 anos. Me transformou de um músico local desconhecido em uma ‘estrela do Prog Rock’ e me deu a oportunidade de tocar com músicos fabulosos e me levou ao mundo todo, muitas vezes. Mas nunca foi fácil criar esse legado.

Progshine – E falando sobre o Flower Kings, nos fale um pouco sobre o novo disco que será lançado em Junho, Banks Of Eden (2012). Quando começou o processo de composição e os ensaios para as gravações e o que os fãs podem esperar dele? O novo baterista da banda, Felix, mudou o som de vocês de alguma forma?

Roine – Nós começamos a compor no final do ano passado, Em Novembro e Dezembro – Eu já tinha alguns esboços prontos mas dei duro durante umas duas semanas pra compor material pro disco, nós começamos as gravações no estúdio Varispeed em 23 de Janeiro desse ano. Nós realmente não ensaiamos pra esse disco, nós queríamos que ele soasse novo e bem espontâneo. Eu posso dizer que esse disco vai ser facilmente reconhecido pelos fãs, mas nós tentamos algumas coisas diferentes nele. É um balanço delicado – mas no final das contas tudo vai depender se os fãs vão gostar das músicas ou não.
Eu acho que o Felix trouxe para a banda um jeito de tocar mais Rock And Roll, mais energético, nós provavelmente estamos ‘agitando’ mais do que antes.

Roine ao vivo com o Transatlantic

Progshine – E sobre os projetos, você já tocou em muitos deles, eu gostaria de saber o que você pensa sobre o Transatlantic. Você tem alguma ideia de como ele se tornou o monstro que é hoje? Eu sei que o projeto não tem intenção de lançar um disco novo todo ano, mas você acha que um 4º disco será gravado? The Whirlwind (2009) é com certeza um dos melhores discos lançados na última década ou mais!

Roine – Eu acho que o Transatlantic simplesmente veio a tona como um ‘supergrupo’ desde o começo. São 4 músicos de bandas famosas no mundo Progressivo. E além do mais, ninguém pode negar que há uma mágica entre nós – nós somos como uma força e a música surge em abundância, sem nenhum esforço. Eu acredito que haverá um novo disco sim, mas é impossível precisar uma data, o que eu posso dizer é que eu estarei lá e vou adorar cada minuto. E eu concordo com você The Whirlwind (2009) é um disco gigantesco.

Progshine – Você veio ao Brasil 3 vezes não foi? Você se lembra dessas visitas? Você conhece alguma coisa da música brasileira?

Roine – Ah sim, eu me lembro muito bem dessas visitas, nós tivemos momentos maravilhosos por ai. Nós visitamos algumas vilas fora do Rio (de Janeiro) também, Macaé se não me engano. Nós tivemos uma ótima recepção do público e amamos cada minuto.
Eu confesso que não estou familiarizado com a música brasileira, não com detalhes – mas é claro que eu conheço o básico, como o Samba, mas os únicos nomes que eu posso te citar de cabeça são Antonio Carlos Jobim, Sivuca e Sepultura. Eu não conheço muito, mas eu acho que o português do Brasil é uma das línguas mais bonitas pra se ouvir na música.

Progshine – Eu sei que você é é um fã de Rock Progressivo (não precisava nem dizer isso), mas sei também que você é um fã de Joni Mitchell, por exemplo. Você acha que nessa nova geração as pessoas do Rock Progressivo são muito ‘cabeça-fechada’ quanto ao gênero? Mesmo que o Rock Progressivo tenha em sua essência a liberdade de tentar todo estilo musical as pessoas tendem a ser limitadas e se fecham em um mundo onde só os anos 70 contam. Ou talvez essa seja apenas uma impressão minha?

Roine – Eu acho que alguns fãs realmente tem suas mentes fechadas para a música. Na minha opinião a melhor música atualmente não está no Rock Progressivo. Eu gosto de bandas que são inventivas. O que acontece é que essa liberdade que o gênero traz é muito atrativa mas muitas são as bandas que não carregam emoção nenhuma em seus trabalhos, tanto nas composições quanto nos shows.

Progshine – E já que estamos falando em bandas novas, você ouve grupos novos? O que é que anda rodando no seu player ultimamente? Quem sabe até um top 10 dos seus discos favoritos?

Roine – Um top 10 é impossível – mas no momento tenho ouvido os seguintes discos bastante: Weather Report / O box com as gravações do início de carreira, Vangelis/Mythodea, Allan Holdsworth/Blues For Tony,  Steve Hackett/Beyond The Shrouded Horizon, Paul McCartney/Memory Almost Full, Porcupine Tree/The Incident, e o último disco do Foo Fighters (Wasting Light).
E também descobri recentemente a nova banda do Trevor Horn, a The Producers, Lol Creme do 10cc também está nela, um ótimo Pop Progressivo.

Roine ao vivo com o The Flower Kings

Progshine – Eu recentemente escrevi uma longa matérias sobre As Mais Longas Faixas Do Rock Progressivo (veja os links para todas as partes AQUI). e ‘Garden Of Dreams’ ficou com o 4º ‘lugar’. O Flower Kings sempre gravou músicas longas, mas você acha que é possível gravar uma outra dessas de quase uma hora de duração?

Roine – Realmente é difícil te dar certeza disso, mas eu imagino que nós ainda vamos gravar algo mais sério no futuro, um ‘trabalho épico’. Eu gostaria de compor uma Ópera Rock. Eu gosto bastante de tocar essas suítes longas ao vivo, mesmo que seja muito cansativo.

Progshine – Essa é uma pergunta complicada pra quem tem uma banda e já gravou muitos discos como você, e normalmente os músicos tendem a dizer que os trabalhos mais recentes são os seus favoritos. Mas, você tem um disco favorito na sua carreira? Seja ele do Flower Kings, Kaipa, Transatlantic, The Tangent, Agents Of Mercy ou Solo?

Roine – Ah, realmente é uma pergunta impossível de responder. Mas eu acredito que os meus discos favoritos sejam o Stardust We Are (1997) do TFK e o The Whirlwind (2009) do Transatlantic, pois eu fiquei satisfeito com eles num todo, do começo ao fim. E é claro, existem faixas individuais das quais eu gosto muito em todos os discos que eu gravei.

Progshine – Roine, eu gostaria de agradecer por ter me concedido um pouco do seu tempo nessa entrevista, foi realmente um prazer, eu gostaria de deixar o espaço final pra que você deixe uma mensagem para os seus fãs brasileiros.

Roine – Ei vocês do Brasil! Nos ajudem a voltar a tocar por aí, nós realmente adoraríamos voltar. Nós amamos vocês e com certeza nos veremos em breve!

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Autor: Diego Camargo

Editor chefe do Progshine

Uma consideração sobre “Entrevista Exclusiva Com Roine Stolt (The Flower Kings, Agents Of Mercy, Transatlantic, Kaipa)”

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