Entrevista: Spock’s Beard


Por Diego Camargo

Spock’s Beard é uma das bandas responsáveis ​​pelo renascimento do Prog Rock em meados dos anos 90.
A banda foi formada em 1992 em Los Angeles (EUA) pelos irmãos Neal Morse e Alan Morse. Neal deixou a banda em 2002 para se concentrar em sua carreira solo e a banda continuou com o baterista Nick D’Virgilio nos vocais numa maneira Genesis de fazer as coisas.

Dois anos atrás, a comunidade Prog ficou sabendo que Nick também estava deixando a banda. Então, a Spock’s Beard chamou Ted Leonard (Enchant) para os vocais e guitarras e decidiu que Jimmy Keegan, baterista nos shows ao vivo, seria o novo baterista oficial da banda. ‘Brief Nocturnes E Dreamless Sleep’ foi o primeiro disco com a nova formação e foi lançado em Março (2013), para falar sobre o álbum e sobre a sua carreira entrevistamos exclusivamente o baixista Dave Meros e o novo baterista Jimmy Keegan.

O bate-papo que você pode ler abaixo.


Progshine – Em primeiro lugar, gostaria de perguntar qual é a diferença para a banda escrever com os novos membros Jimmy Keegan e Ted Leonard? Jimmy Keegan não é realmente novo, mas eu suponho que é a primeira vez que ele escreveu com a banda, certo? Quanto vocês acham que isso mudou o som do Spock’s Beard e como é enfrentar a mudança do vocalista pela terceira vez?

Dave Meros – É claro que o vocalista é o ponto focal do som de qualquer banda, então ter que mudar o cantor teve um grande efeito em nosso som. A bateria não tanto, mas eu acho que Ted e Jimmy acrescentaram um pouco mais de “rock” ao som da banda, um pouco mais de ‘poder’ ao que tínhamos antes.

Jimmy Keegan – Somos todos músicos profissionais de estúdio e ‘sidemen’ assim a adaptação a um novo cantor ou músico não é algo novo. Dentro do escopo da banda, todos nós éramos grandes amigos antes de nos juntarmos. Eu pessoalmente não participei nas sessões de composição, mas eu sou um pouco mais pesado como baterista e gosto de levar as músicas em direções únicas, mas é assim mesmo com qualquer banda, este é o prazer. A comunicação entre os músicos.

Progshine – A relação com Nick D’Virgilio ainda existe ou vocês se separaram completamente?

Dave Meros – Ainda somos amigos, foi uma separação infeliz, mas amigável.

Jimmy Keegan – Claro que ainda somo. Nick ainda é um grande amigo.

Progshine – Muitos fãs estavam curiosos sobre ter Alan e Neal trabalhando juntos novamente. Isso foi desencadeado pelo disco solo de Neal Morse Testimony 2?

Dave Meros – Acho que não. Neal tinha co-escrito uma canção com Al no disco ‘X’, então isso foi apenas uma continuação.

Jimmy Keegan – Eles são irmãos então eu acredito que a idéia de ser criativo e passar tempo juntos é apenas parte da vida. Eles podem ter pensado sobre isso em relação ao álbum, mas como eles são irmãos, não é tão incomum eles trabalhando juntos.

Jimmy Keegan

Progshine –Este ano vocês organizaram as pré-encomendas do novo álbum através do site Indie GoGo. No passado, a banda costumava fazer o mesmo processo mas de forma independente através do site da banda. Vocês acham que hoje em dia é a maneira mais fácil para as bandas de médio porte para financiar as gravações de um novo disco?

Dave Meros – Nós fizemos isso em nosso próprio site da última vez, foi. Mas, isso se transformou em vários problemas porque processamos os pagamentos através do PayPal, e o PayPal tem um limite de 30 dias para encomendas, e nós não sabíamos disso. A pré-encomenda do disco ‘X’ foi de seis meses, portanto, quando o PayPal descobriu sobre isso, eles suspenderam nossa conta duantes os seis meses da campanha. Nós não queríamos que isso acontecesse desta vez, então fomos para o caminho do financiamento coletivo, que serviu para levantar o dinheiro muito bem, mas apresentou seu próprio conjunto de problemas e limitações.
Eu acho que o financiamento coletivo é a única maneira que artistas de pequeno e médio porte tem nos dias de hoje. Nós não recebemos um avanço da nossa gravadora para as gravações, não hoje em dia, então se nós não conseguirmos esse dinheiro de alguma forma, simplesmente não poderiamos gravar mais CDs com a qualidade que nós gostamos de ter.
É trabalhoso para nós e a gravadora não gosta disso, uma vez que isso tira um pouco das vendas dela, mas é uma parte necessária do processo para a banda nos dias de hoje.

Jimmy Keegan – Dave e eu (principalmente Dave) fizemos uma série de pesquisas sobre qual seria a melhor maneira de fazer isso acontecer e acabou por ser o Indie GoGo a melhor maneira. Eu acho que é uma maneira brilhante de fazer as coisas. Você corta o intermediário e o artista pode começar a trabalhar de imediato.

Progshine – Hoje em dia, todas as bandas lançam uma edição especial ou limitada de seus discos. Vocês já fizeram isso com o álbum anterior, ‘X’. Como a banda escolheu o material para o disco principal e para a edição limitada em ‘Brief Nocturnes And Dreamless Sleep’?

Dave Meros – O presidente da nossa gravadora escolheu as músicas para nós. Discutimos sobre isso por semanas e não conseguimos chegar a um acordo. Nós basicamente tínhamos três versões diferentes das quais as músicas deveriam ir no disco principal e em qual seqüência.
Então enviamos todo o material para Thomas, mas não contei a ele nenhuma das nossas idéias. Ele nos deu uma resposta alguns dias depois com a seqüência que usamos. A ideia dele foi muito diferente de qualquer uma das nossas idéias e a princípio foi um choque, mas uma vez que demos uma chance para à ideia e ouvimos o disco na ordem sugerida por ele nós percebemos que ele estava absolutamente certo e qualquer uma das nossas ideias teriam, basicamente, arruinado o CD.
Gostaria que tivéssemos confiado nele com essa decisão no nosso nono CD também (N.E. ‘Spock’s Beard’, de 2006). Penso que teria sido um CD muito melhor e teria recebido resenhas mais favoráveis se tivéssemos feito isso. O material daquele disco é ótimo e havia definitivamente bastante material para um bom disco principal e um disco bônus. Mas não foi seqüenciado corretamente e há algumas canções naquele disco que deveriam ter sido colocadas em um disco bônus em uma edição especial. Isso distraiu o ouvinte e no geral ele poderia ter sido um grande CD.

Jimmy Keegan – Foi difícil. Gostamos muito de todo o material. Foi a única vez que realmente discutimos porque cada um tinha as suas faixas favoritas e achava que elas deveriam estar no disco principal. Mas poderia ter colocado qualquer uma das músicas no disco principal que ainda sim todos nós teríamos ficado satisfeitos.

Progshine –Outra novidade para a banda é a inclusão de ‘Brief Nocturnes And Dreamless Sleep’ no Bandcamp e outros varejistas digitais. Quão importante é a venda digital para a banda agora?

Dave Meros – Eu odeio dizer isso porque eu adoro CDs, mas o CD está lentamente se tornando cada vez menos popular. A mídia portátil está assumindo o controle. Para aumentar o problema, um recente aumento nas taxas de envio no Correio para enviar CDs dos EUA para outros países mais do que duplicou, o que incentiva ainda mais para que os fãs comprem o download, já que sai mais barato.

Jimmy Keegan – No final das contas o mercado digital se tornou enorme para nós por causa de algumas falhas imprevistas. Mas no final do dia. É tudo digital (a não ser que você compre o vinil). O formato é apenas relativo, vai do ouvinte precisar ou não ter o CD em suas mãos.

Progshine – Eu apresentei uma de suas músicas novas em um dos meus Podcasts e a resposta foi muito boa (Ouça o Podcast AQUI). Vocês acha que esse é o caminho a percorrer sem os grandes canais de mídia? São pequenos sites, blogs e rádios locais a melhor maneira de espalhar sua música em conjunto com os sites sociais como Facebook e Twitter?

Dave Meros – Bem, eu acho que tudo acrescenta e quanto mais, melhor. No entanto, é verdade que não há nada melhor que um grande meio de comunicação dando suporte. É como montar um quebra-cabeças de 1.000 peças onde todas as peças parecem iguais contra comprar o quebra-cabeças já montado.

Jimmy Keegan – Tudo é bom. Hoje você tem que fazer o que puder. Quanto mais criativo, melhor são as suas chances.

Progshine – Como leitor, eu sempre gostei de saber sobre os gostos dos meus artistas favoritos, tais quais suas bandas e álbuns favoritos. Se vocês pudessem nomear seus álbuns e artistas favoritos, quais seriam eles?

Dave Meros – Isso sempre muda. Agora eu não estou realmente ouvindo muita música. Mas eu gosto muito do novo CD do Bon Iver.

Jimmy Keegan – Pessoalmente: Peter Gabriel, Elton John, Led Zeppelin, Beatles, Yes, Genesis, Joni Mitchell, The Police, Marisa Monte, Bobby Mcferrin, Heart, Maria João, isso é uma coisa infinita!
Tudo depende de qual é o meu humor hoje! Se eu me sinto como pop, rock, jazz, músicas étnicas, brasileiras (Elis Regina, fantástica!), Africanas (Youssou N’Dour), latinas? Recentemente eu estava ouvindo as fantásticas Lara Fabian e Maurane. Duas das mais incríveis cantoras do planeta.

Progshine – E quanto aos seus discos favoritos do Spock’s Beard? Seria possível fazer um top 5?

Dave Meros – Número 1 = Beware Of Darkness
Números 2 ao 5 = Todos os outros.

É sério. Todos os nossos discos tem músicas que eu amo muito e músicas que eu não gosto tanto. Bem, com exceção de ‘Snow’ e ‘Feel Euphoria’. Eu não gosto muito desses dois discos, apesar de os dois terem algumas grandes músicas.

Jimmy Keegan – Não! Impossível.

Dave Meros

Progshine – O Spock’s Beard sempre foi uma banda de Rock Progressivo. Vocês alguma vez já pensaram em ‘suavizar’ a música da banda para tocar no rádio ou na televisão?

Dave Meros – Nós tentamos isso algumas vezes e o resultado é sempre o mesmo: não conseguimos nada na mídia convencional e os nossos fãs Progressivos ficam realmente chateados. Mas continuamos tentando. Talvez dessa vez seja diferente (risos).

Jimmy Keegan – Suavizar? Houve canções no passado que poderiam ser consideradas pop. Mas eu acho que o espírito Prog é a liberdade.

Progshine – A banda está prestes a completar 20 anos desde o primeiro álbum, ‘The Light’. Durante todo esse tempo, alguma vez houve alguma grande crise ou problema quando se trata de encontrar inspiração para compor novas músicas?

Dave Meros – Pra mim SEMPRE há um problema para encontrar inspiração. Cada vez que eu escrevo uma canção, sinto que acabei de ter muita sorte e isso nunca mais acontecerá. Eu não sou um daqueles caras que simplesmente transpira música, eu tenho que arrancar as minhas músicas de mim mesmo, chutando, esperneando o tempo todo, pouco a pouco.

Jimmy Keegan – Ha! Essa eu não posso responder. (N.E. Himmy não compõe)


Progshine – Olhando a partir da perspectiva do tempo, vocês imaginaram o quão longe vocês chegariam? Todos os lugares que você já tocaram, todos os palcos que vocês compartilharam com outras grandes bandas e etc.

Dave Meros – Bem, nós realmente não chegamos tão longe. Muita gente no mundo Prog sabe sobre nós, mas eu não posso dizer que temos algo para nos gabar, nem pela quantidade de shows ou pelas vendas de discos. Se combinássemos todo o dinheiro que ganhamos, ainda não seria suficiente para sustentar nem mesmo um de nós. Mas, tendo dito isso, quando nos reunimos pela primeira vez foi apenas por diversão e nunca esperávamos NENHUM sucesso, de modo que, dessa forma, superamos todas as expectativas.

Jimmy Keegan – Bem, eu me juntei à banda quando eles já estavam tocando a um certo tempo, mas eu aprecio cada chance que eu tenho de tocar para uma audiência que gosta do que eu faço. E poder tocar em lugares como Paris, Copenhague e Vienna fazem toda a experiência ainda mais legal.

Progshine – Em todas as minhas entrevistas o espaço final eu deixo livre para as bandas e artistas dizerem algo para os seus fãs. Então o espaço é todo seu!

Dave Meros – Nós realmente apreciamos todo o apoio que você nos deram durante todos esses anos. Venha nos ver na nossa próxima turnê em Maio!

Jimmy Keegan – Este é o meu décimo ano com o Spock’s Beard. O maior prazer que tenho é, na verdade, não apenas tocar para as pessoas fantásticas que vêm aos nossos shows. É a alegria de conhecê-los. Grandes conversas e ótimas risadas. Eu sou uma pessoa melhor por causa disto. E lá vamos nós outra novamente. Vocês estão prontos?

________________________________________
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Autor: Diego Camargo

Editor chefe do Progshine

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