Resenha: Dream Theater – The Astonishing (2016)


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Por Nathan
Originalmente publicado no Rock Em Balboa

Artist: Dream Theater
Disco: The Astonishing
Data de lançamento: 29 de Janeiro de 2016
Selo: Roadrunner Records
Tempo total: 130:23 (2 CDs)

Nota:
2m

 

Resenha:

Genial. Tinha tudo para ser genial. Tinha tudo para voltar a ser aquela banda que surpreendeu todos com ‘Metropolis Pt. 2: Scenes From A Memory’, em 1999.

Conceitual e ambicioso, estamos falando de um trabalho com duas horas de duração e um total de 34 músicas. ‘The Astonishing’ nasce presunçoso e criando expectativas de ser um novo ‘Tommy’, um novo ‘The Wall’, ou, na pior das hipóteses, um novo ‘Clockwork Angels’.

EXEMPLO DE DIVULGAÇÃO

Elogiei muito o Steven Wilson e seu trabalho em ‘Hand. Cannot. Erase.’, que foi uma verdadeira aula de mídia. Junto com a música foram lançados vídeos, um livro na versão deluxe do álbum, e um blog. Isso expandiu a experiência do ouvinte para outras interfaces.

Esse é o futuro da música, buscar diferenciação não só pelo som, mas por todos os sentidos. E nesse ponto o Dream Theater não foi bobo.
A divulgação do álbum foi digna de um estudo de caso, levando as experiências extramusicais para um patamar elevadíssimo.

Criaram um site só para apresentar a história do álbum, com mapas, descrição dos personagens, as letras das músicas, etc. Você pode conferir tudo isso aqui.
Além disso, a banda prometeu um livro e um jogo, para complementar ainda mais a experiência.

Tudo muito bom, tudo muito lindo. Steven Wilson deve ter sentido um pouco de inveja.

O olhar de inveja demonstrado por Steven Wilson e seu irmão gêmeo.

Só que a inveja acaba por aí. Porque o Dream Theater esqueceu-se de duas regras básicas. Para um álbum conceitual funcionar, ainda mais quando ele tem duração infinita e 3242 músicas, você precisa de uma história animal e melodias capazes de manter o ouvinte atraído do início ao fim.

 

“A história beira o infantil. E a melodia é um mela-cueca farofento que dá vontade de colocar um saco plástico na cabeça, só para morrer sufocado e acabar logo com essa tortura.”

RESUMO DA BAGAÇA

Para você não perder duas horas da sua vida, vou te fazer um resumo da história do álbum. Ela bebe de variadas fontes. É claramente motivada por Star Wars, com doses de Jogos Vorazes, Divergente, Os Miseráveis
Apesar de tantas inspirações, a execução é um lixo e tem uma profundidade nível Teletubbies (mentira, Teletubbies é mais complexo).

A história: Estamos no futuro… Uau! Ano de 2285. E no futuro o bicho tá pegando. A região nordeste dos Estados Unidos foi dominada por um império opressor… E o único entretenimento que existe é a música construída por máquinas chamadas NOMACS.

Cansados dessa vida sem baladas, sem música, e sem Raul Seixas, uma vila distante (Ravenskill) criou um exército de rebeldes.
Esse exército é liderado pelo comandante Arhys, com o objetivo de… Adivinhem??? Derrubar o império! Uau!

O álbum começa com uma faixa introdutória que só traz uns barulhos mecânicos, representando os tais NOMACS. Depois vem outra faixa, também introdutória, Dystopian Overture.
Note que são duas introduções. Você se sentirá como Michael Kyle ao descobrir que está fazendo o aquecimento do aquecimento.

The Gift of Music é a primeira música séria (e um dos poucos momentos aproveitáveis!). Na música, é apresentado o personagem Gabriel, irmão de Arhys.
Gabriel é um cara popularzão, que tem o dom da música dentro dele, e por isso vai derrubar todo o império, mas sem antes traçar uma princesa carente no meio do caminho (prioridades são prioridades).

Repare que The Gift of Music é uma música cantada por LaBrie fazendo a voz de Arhys e do narrador. E nesse momento me dei conta de que LaBrie interpretaria todos os personagens da história.
Vocês tem ideia de quão surreal é isso? O cara vai mudando os timbres para tentar simular personagens diferentes, só que ele é um cantor bem limitado para esse tipo de tarefa. Logo, o resultado final é tragicômico.

Enfim, a história vai evoluindo nessa treta aí.

Tinky Winky é um personagem muito mais interessante do que Gabriel.

Obviamente Gabriel fica todo boladão por ser o escolhido, e aí lida com questões existenciais muito profundas, como “por que eu tenho medo de enfrentar o desconhecido?” (The Answer).

Um belo dia nosso garanhão pegador estava tocando guitarra na praça, em troca de umas moedas. E do nada, aparece em pleno subúrbio, a tal da princesa carente, Faythe (A Saviour in the Square).

Ela se apaixona loucamente por Gabriel, mesmo sem nunca ter falado com ele (Act of Faythe), e não consegue pensar em outra coisa, exceto naquilo.
Crepúsculo é uma história de amor mais interessante, pode apostar.

567 horas depois, chegamos à décima quarta faixa, Ravenskill.
Obcecada pelo garanhão cantante, Faythe vai dar um rolê na cidade e sai perguntado por Gabriel, na esperança de encontrá-lo. Então ela topa com o filho de Arhys, chamado X. O nome do moleque não é por acaso, afinal, ele é o maior X9 e acaba contando onde Gabriel está.

Os caras do império, que não são idiotas, seguiram a princesa. Foram até a casa do X9 e pegaram o moleque dedo-duro. Com o pentelho em mãos, eles chantageiam Arhys (A Tempting Offer).

Arhys se mostra um verdadeiro bundão, e em troca da segurança do seu moleque dedo-duro, ele entrega o próprio irmão. A casa cai para o Gabriel, o pegador.

E com isso, após muita enrolação, melação e mais 302 horas de música, chegamos a The Path That Divides. E Arhys, mostrando ser um bundão supremo, traí o império e vira traidor dos traidores para ajudar seu irmão traído Gabriel.

A treta fica séria em The Walking Shadow. Arhys, o bundão, morre. A princesa também. Mas aí Gabriel canta e ela revive. Arhys, como era bundão demais para reviver, continua morto.

Todos ficam felizes, todos saltitantes e cantantes.

A história é ruim, eu consegui resumir 8239 músicas em poucos parágrafos, de tão rasa e manjada.
Se fosse apenas isso, ok. Isso não é um problema gigante, afinal o Avantasia não entrega uma boa história em ‘Ghostlights’, e ainda assim oferece um bom álbum.
Mas a música, as melodias, a voz de LaBrie, as orquestrações… É tudo medonho. É de cagar na mão e esfregar na cara.

É TÃO RUIM

‘The Astonishing’ é ruim. Mas não é só ruim. É muito ruim. Se você acha que é exagero da minha parte, seguem os fatos abaixo que comprovam minha conclusão.

É tão ruim que…

  • No RYM, o álbum é eleito o pior de 2016 na categoria metal progressivo, e o oitavo pior de toda a história.
  • Se você ouvir o álbum três vezes consecutivas no Spotfy, sem pular nenhuma faixa, você ganhará uma conta premium vitalícia.
  • Se você for ao banheiro, meia noite em ponto, e colocar The Astonishing para rodar em alto volume, a loira do banheiro surgirá para desligar essa bagaça!
  • Trump já desistiu de fazer um muro na fronteira com o México. Ao invés do muro, ele abriu licitação para comprar caixas de som. Elas vão ficar na fronteira tocando o álbum em loop. Parece efetivo. Nos testes realizados em laboratório, nenhum mexicano conseguiu chegar perto.
  • E se você não compartilhar essa resenha, o LaBrie aparecerá de madrugada sussurrando no seu ouvido: Brother, can you hear me?

É o fim da dignidade.

People just don’t have the time for music anymore; and no one seems to care.

Ouça:

Compre o disco: CD / LP / MP3

Dream Theater links:
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Amazon

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6 comentários em “Resenha: Dream Theater – The Astonishing (2016)”

  1. Muito bom!
    O texto, não o disco!
    Achei exatamente a mesma coisa. Eu tenho um hábito de ouvir qualquer disco que eu compro três vezes antes de integrá-lo na minha coleção The Astonishing ficou tocando para a sala vazia em alguns momentos para eu não precisar ficar ouvindo ele todo. Sabe como é, fui ao banheiro e demorei um pouquinho a mais pra voltar. Fi pegar uma água e esperei o copo encher até a borda…essas coisas.
    LaBrie nunca foi um bom cantor e (tentar) cantar e ‘interpretar” vários personagens mostra que ele não tem muito bom senso.
    Acredito que o Portnoy, por mais melagomaníaco que seja era o que colocava algum freio nos outros.

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    1. Achei que só eu tinha esse hábito masoquista de ouvir um disco mais de uma vez, mesmo quando ele é nitidamente ruim! Bom saber que não sou o único doido… Rsrsrs…
      Como um amigo meu disse em relação ao Portnoy, “me arrependo por ter reclamado dele, parece que ele era o cara que ao menos dava sentido nessa bagaça”!

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    2. Pior que também faço isso Fernando, mas no meu caso depende muito do disco. Se eu ouvi alguma coisa nele que me parece que vale mesmo a pena, ouço algumas vezes antes de botar na estante. As vezes vai de prima porque o disco é muito bom, e as vezes vai de prima porque eu sei que nunca mais vou ouvir aquela joça rs

      Quanto ao Portnoy, sábio era ele que em 2010 pediu pro grupo dar uma parada. O resto não quis e chutou um dos membros fundadores e o membro mais importante da banda. Taí o resultado 6 anos depois, se o disco anterior de 2013 já era uma bomba sem tamanho, esse… meu filho. E o Labrie eu penso como você, não acho ele bom, mas funcionava dentro do som do DT. Nesse disco dá até dó do Labrie…

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