Resenha: Opeth – Sorceress (2016)


opeth-sorceress-2016

Por Nathan

Artist: Opeth
Disco: Sorceress
Data de lançamento: 30 de Setembro de 2016
Selo: Moderbolaget / Nuclear Blast
Tempo total: 56:42
Disponível em: CD, LP & Digital

Resenha:

“O material acústico é a coisa mais chata e desapontante da história”, “eu não consigo ouvir a identidade do Opeth”, “o Opeth gastou todos os créditos com os fãs ao lançar esse álbum”.

As três frases acima foram retiradas aleatoriamente de comentários feitos por fãs (ou ex-fãs?) da banda. É quase unanimidade: Sorceress é uma tragédia.

POR QUE É TÃO RUIM?

O Opeth é, historicamente, uma banda confusa. Não é possível traçar uma direção musical definida e que resuma a carreira deles em poucas palavras.
Você pode tropeçar em álbuns extremamente pesados, com origem clara no death metal, como Still Life’ (1999), em sonoridades experimentais, como Watershed’ (2008), ou na introspectividade de Damnation’ (2003).

Dentre todas essas transições, a mais clara é a migração definitiva do metal para o rock progressivo, consolidada a partir de 2011. Isso resultou em dois grupos distintos de fãs. Enquanto um grupo, o dos headbangers, fica com o som pré-2008, o outro grupo, dos proggers, venera o trabalho pós-2008.

Fã do “antigo” Opeth desafiando fã do “novo” Opeth para um duelo.

Em 2016, a expectativa em torno de Sorceress’ era basicamente a de um disco seguindo a tendência da banda: Ainda mais rock progressivo, e totalmente longe do metal.
Eis a polêmica: Sorceress’ não é um, nem outro.

“Mikael Åkerfeldt, líder do grupo, conseguiu duas proezas: A primeira foi desagradar as duas bases de fãs da banda ao mesmo tempo. E a segunda foi repetir uma mesma formação por dois álbuns consecutivos.”

Esse é, resumidamente, o motivo de Sorceress’ ser considerado tão ruim. O disco é nebuloso. Ele fica em uma zona acinzentada, difícil de definir. Não é preto, nem branco. Não é rock, nem metal.
E no meio desses 50 tons de cinza, o resultado é de muita expectativa frustrada. Os que queriam mais rock progressivo, ficaram insatisfeitos, e os que esperavam a volta do metal, decepcionados.

E ISSO NÃO É BOM?

O grande ponto é se isso é tão ruim quanto dizem. Afinal, qual o papel da arte? Entregar o que seu público espera? Ou provocar seu público?

Não sei a resposta certa, mas o Opeth certamente está na segunda categoria. Sorceress’ é poderoso e ambicioso. É rico em diferentes sonoridades.

“Persephone” introduz o álbum e já mostra que o Opeth foge do lugar comum. Apenas cordas acústicas em uma pegada bem erudita.
Uma voz feminina (seria Perséfone, rainha do submundo?) anuncia suas angústias, e então começa “Sorceress” – principal música do álbum.

Em “Sorceress” há um riff matador na introdução, seguido por uma base de guitarra e bateria bem tradicional do metal. Esse é um dos poucos momentos em que o Opeth soa mais clássico.
A letra é confusa, entretanto a interpreto como sendo uma mensagem de Hades (rei dos mortos) sobre Perséfone. Mas isso será assunto para outro dia.

“The Wilde Flowers” assume uma faceta mais prog setentista. O nome da faixa é motivado por uma banda britânica que se chamava assim, e foi uma das precursoras da cena de Cantebury.

Repare que temos três faixas citadas acima, e três sonoridades completamente distintas.

E A MISTURA CONTINUA

Se você acha que já ouviu o suficiente, coloque na quarta música.

“Will O the Wisp” é declaradamente inspirada em “Dun Ringill”, uma música gravada pelo Jethro Tull em 1979.
Imagino que você conhece Jethro Tull e Ian Anderson, então já sabe o que esperar… Um ar completamente folk!

Ian Anderson antes da fama.
O peso é retomado com “Chrysalis”, e considero esse o único momento entediante do álbum. É uma das poucas faixas em que o Opeth não oferece nada de novo.
Ainda bem que a redenção vem rapidamente com “Sorceress 2″ e sua suavidade aparente.“The Seventh Sojourn”, recheada por escalas orientais, poderia estar em algum disco do Myrath.
É uma música quase completamente instrumental. De forma geral, eu tendo a rejeitar músicas instrumentais por achá-las um grande pé no saco. “The Seventh Sojourn” queima minha língua.O nível é mantido até o final, “Strange Brew,” “A Fleeting Glance” e “Era” são excelentes. Cada uma com sua peculiaridade.
O encerramento é breve como o início, com “Persephone (Slight Return)”. Uma espécie de continuação da primeira faixa.

QUEBRANDO PARADIGMAS

Sorceress’ não é revolucionário dentro do cenário musical. É muito mais modesto do que isso. Mas o álbum tem a capacidade de ser revolucionário dentro da própria banda. É uma amostra da capacidade do Opeth de se reinventar e surpreender.

Temos em mãos um disco excelente, em que seu maior pecado é ao mesmo tempo sua maior virtude. Quebrar paradigmas sempre gera desconforto, e seria estranho se não fosse assim. É da nossa natureza.

You’re stuck to the failures of your life; marred with the sorrows of your strife.

—————————————-

FICHA TÉCNICA:
Artista:Opeth
Ano: 2016
Álbum:Sorceress
Gênero: Rock Progressivo / Metal Progressivo
País: Suécia
Integrantes: Fredrik Åkesson (guitarra), Joakim Svalberg (teclado), Martin Axenrot (bateria), Martín Méndez (baixo), Mikael Åkerfeldt (vocal e guitarra).

MÚSICAS:
1. Persephone 1:53
2. Sorceress 5:49
3. The Wilde Flowers 6:49
4. Will o the Wisp 5:08
5. Chrysalis 7:17
6.Sorceress 2 3:49
7. The Seventh Sojourn 5:29
8. Strange Brew 8:45
9. A Fleeting Glance 5:07
10. Era 5:42
11. Persephone (Slight Return) 0:54

Nota: 
Ouça:

 

Compre o disco: CD / LPDigital

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2 comentários em “Resenha: Opeth – Sorceress (2016)”

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