Resenha: Jack O’ The Clock – Repetitions Of The Old City – I (2016)


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Por Nathan

Artist: Jack O’ The Clock
Disco: Repetitions Of The Old City – I
Data de lançamento: 1 de Novembro de 2016
Selo: Independente
Tempo total: 64:07
Disponível em: CD & Digital

Resenha:

O tempo voa. 2008 parece que foi ontem, mas na verdade já se passou muita coisa desde aquela época. Vou refrescar a sua memória.

Foi nesse ano que Tropa de Elite conquistava o Urso de Ouro, prêmio de melhor filme. Em Cuba, Fidel Castro anunciava sua renúncia. Rafael Nadal estava voando e conquistava Roland-Garros pela quarta vez seguida. Rick Wright, aos 65 anos, nos deixava dessa para melhor. Obama era presidente pela primeira vez. E Lewis Hamilton era campeão mundial da F1.

UM FATO DESPERCEBIDO

Provavelmente você se lembrou de todas essas notícias. Ou de grande parte delas.
Agora vou te contar um fato que certamente você jamais ficou sabendo: Em 2008, São Francisco, Califórnia, surgia uma inusitada banda de rock progressivo, chamada Jack O’ The Clock.

Nunca ouviu falar? Tudo bem. Nem eu. Só fui conhecer a banda nessas últimas semanas, uma dica do Diego, editor do Progshine.

A verdade é que eles nunca conseguiram atingir grande relevância, nem mesmo dentro da cena Prog. A sonoridade da banda é difícil de rotular, eles estão sempre transitando por trilhas bem complexas e distintas, do country e da música barroca, ao Avant-Prog.

‘Repetitions Of The Old City – I’ é o quinto álbum deles, e já vou adiantar: É um bom álbum.
Observação: Na contagem acima estou ignorando o ‘Outsider Songs’, de 2015, por ser um álbum só de versões.

Se você curte uma sonoridade estilo Gentle Giant, com pitadas de Jethro Tull, esse trabalho será uma boa pedida.

Reação da banda, ao ler minha resenha.

REPETIÇÕES DE UMA CIDADE VELHA?

Dizem para jamais julgar um livro pela capa, e de fato, essa dica é preciosa. Entretanto nunca ouvi nada sobre julgar um livro pelo nome.
E foi exatamente o nome desse álbum que me despertou interesse em ouvi-lo.

“Jamais julgue qualquer coisa pela capa: ‘Paranoid’, do Black Sabbath, é a prova disso. Mas sempre julgue as coisas pelo nome: Bastava ver o nome tosco para saber que ‘The Astonighing’, do Dream Theater, não teria como dar certo.”

Em uma entrevista, Damon Waitkus, o guitarrista e vocalista, falou um pouco sobre o álbum e comentou que o título não tem só um significado.
Mas o cerne da ideia parte da concepção freudiana sobre a repetição (Freud chamou de “compulsão à repetição” o processo de reviver interminavelmente determinada neurose).
E ao falar que cidades se repetem, Damon generaliza esse comportamento para o nível da sociedade e todas as suas camadas.

ALEGRIAS E DECEPÇÕES

Logo na abertura, com “I Am So Glad To Meet You”, você irá se deparar com um som de várias vozes sobrepostas cantando em escala maior, em um ar de alegria, quase à capela. Essa suposta alegria pode esconder a letra ácida e crítica do Jack O’ The Clock (“Certo como a merda, a noite chega/ Mas essa é só metade da história”).

A banda canta, em tom cinicamente alegre, sobre feridas e decepções da nossa velha cidade.

“The Old Man And The Table Saw” é a segunda faixa e apresenta uma longa (e ótima) introdução instrumental, com quase cinco minutos.
É uma letra inspirada em um sonho de Damon com o seu falecido avô, uma pessoa difícil e narcisista… Sempre com um ar superior e arrogante, ele finalmente se deu conta de que falhou, depois de ter julgado e apontado tantas outras pessoas que (na sua concepção) falharam.
É um paralelo com a nossa geração atual.

Apesar de toda a riqueza instrumental, usando instrumentos como o violino, fagote, bandolim, e o mais importante, tudo com muita coesão, a duração é o maior calcanhar de Aquiles do Jack O’ The Clock: O álbum se alonga muito mais do que deveria.

Não falo das canções longas, apesar de geralmente criticá-las.
Além da citada “The Old Man And The Table Saw”, “When The Door Opens, It Opens On Everything” e “Fighting The Doughboy”, são faixas que ultrapassam os 10 minutos.
Só que os californianos conseguem oferecer um ótimo conteúdo nessas faixas longas, resultando na rara virtude de conseguir prender a atenção do ouvinte por tanto tempo.

A encheção de linguiça passou um pouco do ponto.

O problema fica, por incrível que pareça, nas faixas pequenas. Elas não se desenvolvem bem e não são capazes de soar interessantes.
É o caso de “Videos Of The Dead” (as flautas e nuances são legais, mas não evoluem), “Whiteout” (um instrumental chatíssimo), e “After The Dive” (comum).

Infelizmente essa é a consequência da velha presença dos fillers, conhecidos no nosso bom português como encheção de linguiça.

UM NOVO INTEGRANTE

Com os fillers e deslizes, ‘Repetitions Of The Old City – I’ deixa uma sensação final de que poderia ter ido mais longe.
Não entenda isso como uma conclusão de que o álbum é ruim. Pelo contrário, entre mortos e feridos o saldo é altamente positivo.
O resultado final é bom. São pelo menos três ou quatro músicas excelentes.

O Jack O’ The Clock é uma banda que valeu a pena ter conhecido, e certamente é uma nova integrante na minha lista pessoal de “vale a pena acompanhar”.

A faixa de abertura se encerra com a frase “prazer em conhecê-lo”. Posso dizer o mesmo ao Jack… Foi um prazer conhecê-los!

Old man, like a mountain; your woman’s a slave; your son is a failure. It’s too late for love.
—————————————-

FICHA TÉCNICA:
Artista: Jack O’ The Clock
Ano: 2016
Álbum: Repetitions Of The Old City – I
Gênero: Folk Progressivo / Rock Progressivo
País: Estados Unidos
Integrantes: Damon Waitkus (vocal, guitarra, flauta e bandolim), Emily Packard (violino), Kate McLoughlin (vocal e fagote), Jason Hoopes (vocal, cítara e baixo), Jordan Glenn (bateria).

MÚSICAS:
1 – I Am So Glad to Meet You
2 – The Old Man and the Table Saw
3 – When the Door Opens, It Opens on Everything
4 – Epistemology / Even Keel
5 – .22, or Denny Takes One for the Team
6 – Videos of the Dead
7 – Whiteout
8 – Fighting the Doughboy
9 – After the Dive

Nota:  (BOM)
Ouça:

Compre o disco: CD / Digital

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