Resenha: Half Past Four – Land Of The Blind (2016)


land-of-the-blind-2016

Por Nathan

Artist: Half Past Four
Disco: Land Of The Blind
Data de lançamento: 17 de Setembro de 2016
Selo: Independente
Tempo total: 26:02
Disponível em: CD & Digital
Resenha:

A credibilidade e o marketing andam lado a lado. Se o segundo forçar muito a barra, a credibilidade vai embora, e o resultado do marketing será catastrófico.

A MELHOR BANDA DE TODOS OS TEMPOS…

Para você se auto-intitular o melhor em algo, você tem que ter muita bala na agulha. O Half Past Four não deixa a modéstia de lado quando anuncia em seu SITE OFICIAL que é uma das melhores bandas canadense de rock progressivo.
É uma afirmação bem arriscada, ainda mais quando sua terra é o berço de Rush, Maneige, Sloche, e alguns outros nomes bem marcantes na história do prog.

Game over para a credibilidade. Game over para o marketing positivo.

“Nesse momento você está lendo o melhor blog balboano sobre rock (como a ilha de Balboa tem 12 habitantes, devo estar certo). Pronto, agora estou no patamar adequado para falar sobre o Half Past Four.”

Outra coisa que não entendo é se comparar a outros gigantes do gênero. Os canadenses fazem questão de frisar que possuem um som semelhante ao de grupos como Yes do fim dos anos 70, ou King Crimson dos 80 e poucos.
É assumir uma responsabilidade que não precisa ser assumida e o tiro sair pela culatra. Se eu estou procurando um álbum atual para ouvir, é porque estou afim de uma sonoridade inovadora e diferenciada.Por que eu vou querer algo que parece velho? Se fosse esse o objetivo, eu abriria minha gaveta, limparia o mofo, e pegaria meu LP de ‘Going For The One’ (Yes, 1977).
Pensando bem, melhor não. Aquela bunda na capa ninguém merece.
A capa de Going for the One. Durma com essa imagem na cabeça.

MÚSICA DE ELEVADOR

A minha sorte foi ter ouvido o Half Past Four antes de ter lido o site deles. Pois senão muito provavelmente eu nem teria me animado.

E o meu primeiro contato foi com a segunda faixa do novo álbum, chamada “Mood Elevator”. Infelizmente terei que censurar minha reação à primeira audição. Para parafrasear Everaldo Marques, que música ridícula é essa??

Nota: Ridículo é o bordão do Everaldo Marques para dizer que algo foi incrível. Fãs de Lady Gaga não manjam do paranauê.

A música é composta por várias camadas, soando como um prog fusion mais limpo e menos improvisado. O clipe é uma insanidade total e vale a pena ser assistido.

Não só o instrumental me chamou a atenção. A letra é muito bem sacada, e faz uma alusão ao humor do narrador em comparação ao estado de espírito de um elevador (por exemplo, se o elevador está muito cheio, ele não sobe). De forma satirizada, imagino que a ideia de “Mood Elevator” tenha surgido do livro homônimo, escrito por Larry Senn.
O vocal fica por conta do baixista Dmitry Lesov. Exceto no refrão, que aparece a vibrante voz da vocalista Kyree Vibrant.Esse é certamente o melhor momento de ‘Land Of The Blind’. O restante do álbum é bom, só que não chega nesse nível. E isso não é nenhum demérito.A partir de agora esse é meu padrão de música de elevador. Ascensoristas, favor atualizar o catálogo (não aguento mais George Michael, vamos animar a galera).

 

A banda. E o elevador.

EM TERRA DE CEGO

Em terra de cego, quem tem um olho é rei.
O famoso ditado é tema de uma das músicas, One Eyed Man. Obviamente essa música motivou o título e a bela capa do álbum, criada pela desenhista Marie Cherniy.

É uma composição bastante interessante. A letra é a história de um rei caolho que lidera uma nação de cegos, como diz o ditado.
Só que o final é inusitado e ele perde sua visão (“Um dia seu reino foi atacado/ Por monstros durante a noite/ Eles espetaram o seu olho/ E lhe roubaram a vista”).

“Mathematics” (uma canção bem menos assustadora do que seu nome) é calma e quase relaxante. O vocal de Kyree é o ponto alto, enquanto ela canta sobre a força do hábito e rotina.

O momento mais discreto é Mirror Eyes”. Não é ruim, só achei comum.

Agora, sei que sou um cara muito ranzinza, mas… Qual a necessidade de Toronto Tontos”? É uma canção sensacional, só que é o mais puro ctrl+c ctrl+v da música original, lançada por Max Webster em 1976.
O Half Past Four poderia ter tido mais ousadia e feito outra versão para essa música. Seria uma proposta muito melhor. Se for para ouvir a mesma coisa, fico com a original.

NÃO SE ENGANE

Não se engane e não se iluda. Nem tudo é o que parece. Essa é a conclusão que podemos tirar de ‘Land Of The Blind’.

Fato 1: Parece um álbum, mas é um compacto. São apenas cinco músicas, totalizando 26 minutos. Tudo bem que álbuns longos são cansativos, mas não precisa chutar o balde!
Fato 2: O marketing é completamente amador, o que nos induz a esperar o mesmo da música. Só que não. Os canadenses sabem muito bem o que fazer quando entram no estúdio.

No fim das contas, é um belo trabalho. E deixa aquele gosto de quero mais.
Agora me deem licença, porque irei dar um rolê no elevador. Half Past Four, vocês são ridículos!

No crowds allowed on my mood elevator. My mood will come down if it gets too heavy.


FICHA TÉCNICA:
Artista: Half Past Four
Ano: 2016
Álbum: Land of the Blind
Gênero: Rock Progressivo
País: Canadá
Integrantes: Constantin Necrasov (guitarra), Dmitry Lesov (baixo), Igor Kurtzman (teclado), Kyree Vibrant (vocal), Marcello Ciurleo (bateria).

MÚSICAS:
1 – Mathematics
2 – Mood Elevator
3 – Toronto Tontos
4 – One Eyed Man
5 – Mirror Eyes

Nota:  (BOM)
Ouça:

Compre o disco: CD / Digital

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