Entrevista: Felipe Rodrigues – O Ilustrador Aficcionado Por Genesis


felipe-rodriguesPor Rafael Senra

Anos 80, e uma criança da cidade de Congonhas (MG) ouve pela primeira vez um som que iria mudar sua vida. Alguns anos mais tarde, ao se tornar um ilustrador e quadrinista de grandes méritos, o mineiro Felipe Rodrigues resolveu usar seu talento para homenagear o Genesis – que acabou tornando-se sua banda preferida.

Seus trabalhos se valem de diversas técnicas e materiais, apresentando um resultado multifacetado, cheio de imagens e símbolos emblemáticos para qualquer fã do Genesis. E nenhuma das fases é mais ou menos privilegiada: Felipe se diverte desenhando tanto inspirado pelos anos de Peter Gabriel quanto na fase com Phil Collins (além do baterista ser seu integrante preferido, Felipe divide com ele o mesmo nome e a mesma data de nascimento).

Batemos um papo com esse artista, que falou um pouco sobre sua motivação em homenagear essa grande banda do prog britânico, além de falar de suas técnicas de desenho e de sua grande coleção de raridades do grupo.

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Rafael Senra – Como começou a sua história com o Genesis? É sempre curioso encontrar fãs mais jovens de bandas de progressivo, pois certamente conheceram as bandas num período posterior ao seu auge nos anos 70. Sendo assim, como você veio a se tornar um fã tão assíduo do grupo?

Felipe Rodrigues – Bem, pode ser difícil de acreditar, mas eu conheci o Genesis com 6 anos de idade! Era justo o ano de 1986 e, na casa da minha avó, na sala de estar junto a um toca discos, pedi pra minha tia por pra rolar o Invisible Touch! Eu, claro, não entendia direito aquele som, mas lembro da sensação de emoção ao ouvir as faixas. Minha tia tinha também o disco auto-intitulado de 1983 (Genesis). Eu fiquei apavorado ao ouvir Mama pela primeira vez (risos)! Vou agradecer minha tia eternamente por isso! Depois eu fui descobrindo a discografia ao longo dos anos e me apaixonando cada vez mais pelo Genesis!

Felipe – Um detalhe interessante e que possuo justamente este exemplar do Invisible da minha tia! Tem a assinatura dela na capa (risos). É sem dúvida minha maior relíquia do Genesis! Este disco sempre me acompanhou! Ela me deu antes de se desfazer de sua coleção.

genesis-desenho-2Rafael – E como você descobriu a fase com Peter Gabriel?

Felipe – Eu estava no colégio, e na época, aqui em Congonhas (MG), as locadoras alugavam CDs! Eu vi na prateleira um CD do Genesis com uma capa muito estranha – uma garota com um taco em um fundo listrado! Ao chegar em casa e colocar o álbum para tocar, meu espanto: o vocal era diferente demais! Eu estava crente que era o Phil (Collins) cantando, mas, claro, não era. Só fui descobrir isso bem depois! E os CDs alugados não vinham com o encarte, veja só! Depois, ouvi o Foxtrot e só então descobri que era o Peter (Gabriel) quem cantava.

genesis-desenho-4Rafael – O que te motivou a querer ilustrar a banda? É interessante que você não apenas desenha os integrantes, mas também recria e reinventa peças gráficas ligadas ao grupo.

Felipe – Bem eu desenho desde criança, e sempre ilustrei coisas da banda, mesmo no início dessa atividade. Primeiramente pelas capas dos discos, que sempre me fascinaram muito, pois cada capa possui uma abordagem diferente e isso me impactou muito como artista. A identidade visual do Genesis sempre foi muito marcante, eu queria ajudar a ampliar os conceitos originais com meus trabalhos, fora que o visual dos integrantes era muito legal também, tanto nos anos 70 quanto 80 e 90. Para mim, era como se fossem personagens mesmo (risos).

genesis-desenho-10Rafael – Por falar nas diferentes identidades gráficas que a banda assumiu ao longo da carreira, qual sua opinião sobre elas? Qual sua preferida? Tem alguma que você não gosta? Porque?

Felipe – Olha, como eu disse antes, cada fase da banda era marcada por uma mudança gráfica que era refletida nas artes dos discos, e o mais interessante é que, diferente de outros grupos de prog, o Genesis variava muito sua logo, equilibrando entre alguns discos e mudando logo em seguida para outros, criando na minha opinião várias logos clássicas. Creio que a identidade visual que mais gosto seja da fase com Peter Gabriel, principalmente o maravilhoso trabalho do capista Paul Whitehead, que contribuiu muito para que o lado teatral de Peter fosse condizente com a proposta gráfica e lírica da banda.

genesis-desenho-9Rafael – Você arriscaria dizer que a identidade gráfica do Genesis te influenciou de alguma forma como ilustrador? Se sim, como?

Felipe – Ah sim, eu admiro o design que representa o Genesis há muitos anos, e sem dúvida, quando desenvolvo outros trabalhos, sinto que vou muito por esse tipo de solução gráfica do Genesis sim. Principalmente peças de propaganda, onde tenho que destacar alguma mensagem, acho que o Genesis soube muito bem lidar com esse lance de passar uma idéia de forma clara.

genesis-desenho-5Rafael – Quais as principais técnicas que você usa nessas ilustrações?

Felipe – Técnicas básicas mesmo, lápis de diferentes numerações, tinta guache, nanquim, canetas esferográficas, um pouco de tratamento digital, etc.

genesis-desenho-3Rafael – Chama a atenção que, nas ilustrações, você alterna bastante os estilos. É como se fossem vários ilustradores (risos). As vezes, usa silhuetas, ou alguns estilos de quadrinhos, traço realista as vezes…

Felipe – Eu sempre gostei de alternar os estilos, já sofri muito com isso no passado mas hoje vi que realmente gosto de brincar com isso, vejo como um gostoso desafio (risos).

Rafael – Lembro que, na adolescência, você chegou a fazer uma história em quadrinhos inteira sobre a banda, não foi?

Felipe – Sim foi, era a transcrição da letra de “The Fountain of Salmacis”, fiz uma também sobre o bizarro texto do Peter no encarte do disco ‘Genesis Live’, mas infelizmente com as mudanças da vida, acabei perdendo este material.

Numa hq autoral que venho desenvolvendo já há vários anos, coloquei muitas referências da banda também. Se um dia eu terminar e conseguir publicá-la, quem for fã vai pirar com certeza (risos).

genesis-desenho-6Rafael – Como foi a primeira vez que você viu a banda em vídeo? Foi algum documentário, ou show?

Felipe – Foi o show/documentário ‘Three Sides Live’. Era em VHS alugado, e tinha legendas em português, acredita? Depois foi aquele VHS mágico do nosso amigo Sálvio Caiafa, com o documentário Rockstoria, da MTV, e um pedaço do show da turnê ‘We Can Dance’. Esse eu consegui copiar para DVD.

Rafael – Sei que você tem uma ligação especial com o Phil Collins, pois, além do primeiro nome igual, vocês nasceram no mesmo dia.

Felipe – Sim, é verdade, vejo ele como um verdadeiro ídolo. Adoro bateria, até fiz umas aulas há uns anos atrás, e foi por causa do Phil. Hoje fico no air drum mesmo (risos). Acho incrível tudo que ele conseguiu na carreira, é meu integrante favorito do Gênesis, disparado! Criei um personagem na minha HQ com as feições dele, como uma homenagem, para você ter idéia do quanto admiro esse cara (risos)!

genesis-desenho-11Rafael – Você tem uma coleção grande de itens ligados ao Genesis, né? Gostaria que você falasse um pouco dessas aquisições, como caixas, discografia, camisetas, etc.

Felipe – Tenho sim, possuo todos os vinis da década de 70, mais alguns dos anos 80 e 90. Tenho a discografia em CDs quando foram remasterizados pela primeira vez em 1994, além dos boxes do relançamento a partir de 2007. Tenho também todos os shows lançados em DVD, além de camisetas e alguns bootlegs.

Possuo alguns discos solo do Phil Collins, inclusive tenho até hoje o Serious Hits Live, que creio foi o disco ao vivo que mais ouvi na vida (risos)!

Rafael – Qual o item mais raro do seu acervo?

Felipe – Creio que seja um bootleg italiano chamado Archives, que possui muitas faixas ao vivo ao longo da década de 80. O mostrei para a comunidade internacional do Genesis no Facebook, e me disseram que era um item raríssimo. Eu nem sabia (risos). A Itália talvez seja a maior fan base do Genesis em todo o mundo, eles são muito queridos lá.

genesis-desenho-7Rafael – Sim, é impressionante como dá para reconhecer grandes influências do Genesis em diversas bandas italianas. PFM por exemplo, tem faixas com um lirismo pastoril semelhante, e outras como Banco del Mutuo Socorso apresentam elementos de teatralidade típicos da fase com Peter Gabriel. E você tem algum DVD raro?

Felipe – Nos DVDs, tenho os oficiais. Raro mesmo é o ‘Rockstoria’ da MTV, e o trecho do show em Knebworth, que já pesquisei na internet e não achei em lugar algum! Apesar da qualidade da imagem e som serem bem ruins, é raro mesmo!

Rafael – Eu baixei esse show do Knebworth num fórum de raridades do Genesis, mas a qualidade é ruim.

Felipe – Sim, é ruim mesmo. Mas juntando as duas partes, creio que dá o show inteiro. Não era um evening do Genesis, era um festival com outros artistas. O trecho que tenho em VHS é legendado. MTV era boa (risos).

Rafael – Pra encerrar, acho que já sei a resposta, mas… aquela velha pergunta: qual a melhor fase da banda, Phil ou Peter?

Felipe – Hahaha poxa Rafael, veja você, hein! P-H-I-L C-O-L-L-I-N-S! Bye bye, valeu!

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