Entrevista: John Young (Lifesigns)


Por Rafael Senra

Entrevistamos com exclusividade o tecladista Inglês John Young (Lifesigns, Asia, Greenslade, Qango). O bate-papo descontraído você confere abaixo com exclusividade no Progshine.

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Rafael Senra – John, você tem uma longa carreira como músico de estúdio, já tocou com vários músicos e grupos, como Scorpions, Asia, Bonnie Tyler, Jon Anderson, John Wetton… é uma grande lista. Quando surgiu a vontade de ter um projeto autoral de rock progressivo?

John Young – Eu sempre tive essa vontade, Rafael. Infelizmente, o termômetro da música se baseava naqueles que já conseguiram sucesso e, portanto, minha geração tendia a trabalhar para os outros e não para si mesmos. Não significa que não tinham nada a oferecer, apenas havia menos opções.

Eu estive em várias bandas que eu sinto orgulho: England’s National Sport, Catedral, ou a John Young Band, e Lifesigns é apenas a mais recente dessa dinastia.

Mas tudo começou realmente em uma conversa de bar, onde dizíamos que o rock progressivo atual era “seguro” demais, e alguém mencionou então que, se nós pensássemos que poderíamos fazer melhor, devemos portanto fazer nosso próprio CD … e assim o Lifesigns nasceu. 🙂

Rafael – Quais elementos de seus trabalhos com artistas progressivos como Fish, Asia ou Jon Camp (do Renaissance) poderiam ser detectados no Lifesigns?

John – Eu acho que definitivamente elementos da Catedral, banda que eu tinha com Jon Camp (baixista e vocalista), Brett Wilde (guitarrista, e que agora faz toda a arte gráfica do Lifesigns) e, obviamente, Tony Bodene (baterista).

Rafael – Quando o Lifesigns nasceu em 2008, a intenção era ser um projeto solo seu, John? Ou você já estava buscando integrantes que quisessem fazer parte dessa iniciativa?

John – Não, nunca foi concebido como um projeto solo, mas sempre foi visto como algo que poderia estar em um estado de fluxo, como são a maioria das bandas atualmente. Parece bem frequente hoje em dia que, se alguém deixa uma banda, então essa ausência pode impactar e afetar os outros integrantes, e assim nós todos temos que nos adaptar de acordo.

Rafael – O primeiro disco do Lifesigns começou a ser gravado ainda em 2008. O que já estava pronto quando os integrantes Nick Beggs (baixo) e Martin “Frosty” Beedle (bateria) chegaram?

John – Bem, eu tinha escrito praticamente todas as músicas, então era uma questão realmente de adicionar baixo e bateria. Eu tinha uma ideia muito boa do que precisávamos fazer e, claro, Frosty e Nick são mestres, então foi tudo bem direto.

Rafael – Para mim, o disco Lifesigns é um dos trabalhos de progressivo mais consistentes do século XXI. Um disco acessível porém sofisticado, que soa atual, e que não apresenta um momento sequer que pareça desinteressante. Creio que alguns ouvintes concordarão comigo. Gostaria de saber se as músicas foram todas compostas em 2008, ou se já vinham sendo elaboradas ao longo dos anos.

John – Obrigado pelo elogio. Quando o primeiro disco foi lançado, algumas pessoas tentaram classificar por alto o nosso gênero e nos enquadrar. Voltando à primeira pergunta, essa foi uma das razões pelas quais quisemos gravar. Eu não vi porque não poderia haver um novo Genesis ou um Yes, mas a imprensa e os fanzines não foram capazes de olhar para a banda dessa maneira. As próprias canções nasceram nessa época (NdoT: provavelmente 2006). Lembro-me de Jon Anderson (ex-Yes, com quem Young já trabalhou) ficar muito interessado nessas músicas também, mas decidimos seguir nosso próprio caminho.

Foto: Martin Reijman

Rafael – O novo disco, Cardington (ainda inédito, com previsão de lançamento para 2017), apresenta inovações, ou vocês pretendem continuar na mesma linha do primeiro trabalho?

John – Cardington é um álbum bem diferente. O primeiro CD teve basicamente 5 músicas longas, e este disco novo está um pouco mais em consonância com o trabalho ao vivo, então há algumas músicas menores também. ‘Diferent’ (uma faixa longa), ‘Voice in My Head’ e ‘Impossible’ (todas tocadas no DVD ao vivo) finalmente ficaram prontas como gravações de estúdio. Há duas novas canções, ‘Touch’ e ‘Chasing Rainbows’, e duas novas peças “prog” mais longas, ‘N’ e a faixa-título ‘Cardington’.
‘N’ é uma viagem através de vários estilos musicais e, como tal, o ouvinte terá uma viagem através de muitas esferas ao longo dos seus 11 minutos. 🙂

Cardington terá uma abordagem um pouco mais moderna, mas as características habituais do Lifesigns ainda estarão lá em abundância.

Rafael – A formação do disco Cardington é a mesma do DVD ao vivo Under the Bridge (John Young, Martin Beedle, Jon Poole no baixo, Niko Tsonev nas guitarras)? Qual foi a contribuição de cada um dos integrantes?

John – Não, a formação é diferente em Cardington. Niko deixou a banda, apesar de ter contribuído no CD. Também teremos na guitarra Dave Bainbridge (Iona, Strawbs), Robin Boult (Fish) e Menno Gootjes (Focus). Não se esqueça de Steve Rispin, nosso engenheiro de som, que também é parte da banda e tem sido desde o seu início.

Rafael – Por falar no DVD Under the Bridge, gostei muito de vê-los executando as músicas ao vivo, as performances são fantásticas, impecáveis. Só lamentei saber que o guitarrista Niko Tsonev saiu da banda no fim do ano passado. Vocês já tem um substituto para ele?

John – A mesma resposta dada acima, embora estejamos indecisos até agora sobre qual a formação que assumiremos ao vivo.

Rafael – Tanto o DVD ao vivo quanto o novo disco de vocês tiveram financiamento através de campanhas de crowdfunding. E nos dois casos, vocês superaram a meta, algo surpreendente até mesmo por serem uma banda nova. Como tem sido esse engajamento dos fãs? Vocês esperavam por essa resposta?

John – Em uma palavra: incrível. Nós tivemos 200 dias para a campanha do DVD e nós simplesmente conseguimos. Tivemos 200 dias para o CD, e nós conseguimos em 48 horas!
Devemos tanto aos amigos que se juntaram a nós nesta jornada musical, e nos sentimos muito orgulhosos do relacionamento que temos com eles.

Rafael – Quais são os planos de vocês para os próximos anos, existe alguma projeção que você possa adiantar para nossos leitores? O que virá depois de Cardington?

John – Já estamos de olho nas faixas do CD que virá depois de Cardington. Nós temos nosso próprio estúdio, então a única dificuldade que enfrentamos é o tempo, afinal quase sempre estamos fora, viajando e tocando em nossos empregos. Voltaremos a tocar ao vivo em 2018, no festival Cruise to the Edge, e estamos ansiosos para elevar a experiência ao vivo um passo adiante nessa ocasião.

Rafael – Obrigado por falar conosco, John. E sucesso para vocês do Lifesigns.

John – Obrigado! 🙂

Lifesigns links:
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Leia mais sobre o Lifesigns no Progshine

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Uma consideração sobre “Entrevista: John Young (Lifesigns)”

  1. Bela entrevista. Fiquei emocionado com esse trecho: “Infelizmente, o termômetro da música se baseava naqueles que já conseguiram sucesso e, portanto, minha geração tendia a trabalhar para os outros e não para si mesmos. Não significa que não tinham nada a oferecer, apenas havia menos opções.”.

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