Resenha: Mastodon – Emperor Of Sand (2017)


Por Lucas Scaliza
Originalmente publicado no Escuta Essa Review

Artist: Mastodon
Disco: Emperor Of Sand
Data de lançamento: 31 de Março de 2017
Selo: Reprise
Tempo total: 51:11
Disponível em: CD, LP & Digital

Resenha:

É sobre o câncer, mas com a mesma energia de sempre

Como a própria banda fez questão de deixar bem claro durante a campanha de expectativa para o álbum, o “Imperador de Areia” a que se refere o título é o câncer, essa doença que consome o paciente e o faz lutar pela vida, consumindo também as emoções de quem orbita a sua volta. E o tempo, às vezes, parece que escorre como areia de uma ampulheta. O quarteto americano do Mastodon recentemente viu isso ocorrer com amigos e familiares e decidiu abordar o assunto nas letras do temático “Emperor Of Sand”.

Como já de se esperar, o novo disco é um baile de bons riffs e aquela energia às vezes mais hard rock, como em “Show Yourself”, e que pode chegar ao metalcore com grande facilidade, sempre sabendo para onde voltar e sem nunca deixar o entusiasmo cair. A ênfase no ritmo, ditada pela bateria de Brann Dailor – um daqueles músicos que sabe se manter pontualmente no beat, fazer uma longa virada e voltar com perfeição ao ritmo regular – é chave para fazer dele uma experiências intensa.

Mastodon_2017_2

Da primeira (“Sultan’s Curse”) à quarta música (“Steambreather”), ouvimos um Mastodon fazendo a lição de casa, colocando para fora o que já sabemos de que são capazes. Por melhor que “Once More ‘Round The Sun” (2014) seja (e foi até considerado um dos melhores do ano pelo Escuta Essa Review), já era um disco em que se discutia como a fórmula da banda ainda dava certo, mas sem apostar em inovações. O caso é que “Emperor Of Sand” também pode ser visto dessa forma, e as três primeiras faixas só mantêm o que já sabemos sobre os músicos. “Steambreather” dá um vislumbre de como podem melhorar, e a partir da faixa seguinte vemos o Mastodon destilar toda a sua dor, peso e criatividade. Se o início foi mais do mesmo, da metade pra frente faz valer a posição no metal que ocupa atualmente.

“Root Remains” é o primeiro clássico de “Emperor Of Sand”. Início climático que desemboca em um ritmo intenso e arrastado com o vozeirão do baixista Troy Sanders mandando ver nos drives. Com um bom gosto incrível, conduzem a música para um desfecho mais emocional que é concluído com um maravilhoso solo de Brent Hinds. Sem brincadeira, é uma das melhores composições que o Mastodon já gravou. “Ancient Kingdom” é mais uma faixa em que Troy e Brann seguram a onda e deixam para Brent e Bill Kelliher variarem acordes, riffs e arpejos.

 

Mastodon_2017

O que faz do Mastodon a banda de que todo mundo fala é a capacidade de fazer metal sem esconder as influências do hard rock, colocando as partes mais progressivas em comunhão com tudo isso, e não criando seções onde isso é jogado na cara do ouvinte. Talvez apenas “Andromeda” seja flagrantemente progressiva no disco, mas nada extremamente intrincado e ainda colocando um excelente aceno para o black metal no final. Ainda por cima conseguem temperar tudo com um clima meio psicodélico (“Clandestiny”), que é de onde vem toda a irreverência da banda, mesmo quando o som fala de algo tão grave e sério como o câncer.

E é claro que conseguem ser mais sombrios. “Scorpion Breath”, outra pérola do álbum, é o momento em que a banda se deixa chegar ao thrash metal para mostrar toda a perturbação da doença de que trata. E progressivamente, a excelente “Jaguar God” vai ficando mais pesada, mais emocional, indo da balada em 3/4 ao metal sombrio, passando por um solo totalmente técnico e voltando à valsa inicial para Hinds ter a oportunidade de celebrar a salvação na morte com mais um belo solo. Talvez não belo quanto o de “Root Remains”, mas ainda assim um que vale a pena parar para prestar atenção.

“Emperor Of Sand” é uma grande metáfora para a situação de um paciente de câncer, utilizando imagens e símbolos mitológicos e astrais para dar conta do assunto de forma narrativa. De forma alguma deixam a melancolia da situação tomar o som da banda. Pelo contrário: encontraram uma forma interessante de imaginar a situação, tomando uma postura realista mesmo dentro da fantasia, usando o problema como combustível para o peso e para os riffs. Não vai ser recebido como o melhor material do Mastodon, mas tem momentos que conseguem voar tão alto quanto os melhores da discografia.

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Mastodon
Ano: 2017
Álbum: Emperor Of Sand
Gênero: Metal Progressivo, Sludge Metal
País: EUA
Músicos: Troy Sanders (voz e baixo), Brent Hinds (guitarra e vocais), Bill Kelliher (guitarra), Brann Dailor (voz e bateria)
MÚSICAS:
1. Sultan’s Curse 4:09
2. Show Yourself 3:03
3. Precious Stones 3:46
4. Steambreather 5:03
5. Roots Remain 6:28
6. Word to the Wise 4:00
7. Ancient Kingdom 4:54
8. Clandestiny 4:28
9. Andromeda 4:05
10. Scorpion Breath 3:19
11. Jaguar God 7:56

 

Compre o disco: CD / LPDigital
Mastodon links:
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Autor: Lucas Scaliza

Jornalista e fotógrafo.

2 comentários em “Resenha: Mastodon – Emperor Of Sand (2017)”

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