Resenha: Soen – Lykaia (2017)


Por Nathan

Artist: Soen
Disco: Lykaia
Data de lançamento: 3 de Fevereiro de 2017
Selo: UDR
Tempo total: 49:36
Disponível em: CD, LP & Digital

Resenha:

Eu odeio azeitona! E não entendo até hoje como uma pessoa em plena capacidade mental consegue ingerir essa coisa demoníaca que chamam de iguaria.

É impressionante. A azeitona contamina qualquer coisa que ela toca, deixando rastros do seu gosto e conseguindo estragar até a melhor das pizzas.

Sério.
Eu odeio azeitona.

O TOOL

O Tool é uma banda que provavelmente dispensa maiores apresentações. São três Grammys na carreira e uma influência monstruosa na década de 90.

O Tool não é ruim como a azeitona. Mas o Tool é a azeitona do Soen.

Faça uma analogia: É como aquela azeitona que estava na pizza.
Você pode até ter retirado aquela bolota verde (ou preta, pior ainda) da sua fatia, mas seu sabor é irremovível.
Fatalmente seu belo pedaço de pepperoni estará contagiado, e a mordida não será tão prazerosa quanto deveria.

“Se você ler qualquer resenha sobre o Soen na internet, vai encontrar a palavra Tool no meio. Isso não é só coincidência. A coisa vai muito além de mera influência. A sonoridade do Tool está nas entranhas do Soen e é difícil separar um do outro.”

Assim como é impossível tirar o sabor da azeitona das entranhas da sua pizza, o Soen não consegue se desvencilhar do Tool.
Isso cria uma crise de identidade muito forte na banda e uma grande limitação de potencial.
Trago apenas verdades.

QUEM SÃO ELES?

Diferentemente do Tool, o Soen precisa de apresentações.

O conjunto nasceu com muita pompa e músicos renomados.
Entre os figurões, Martin Lopez é um dos líderes do projeto. O cara já passou por gigantes como Opeth e Amon Amarth. Além disso, a banda já teve Steve DiGiorgio no baixo (Death e Testament).

‘Lykaia’ é o terceiro álbum dos suecos, o primeiro a decepcionar no quesito capa (os outros dois tinham capas fantásticas!).
Para esse novo trabalho, algumas mudanças aconteceram. Joakim Platbarzdis deu um vazare, e agora quem comanda a guitarra é Marcus Jidell (Avatarium). Também teve a chegada de Lars Åhlund nas teclas.

Como você deve ter percebido com toda sua sagacidade, não estou falando de uma banda formada por aventureiros ou algum zé ruela.
Por isso bato na tecla: Parecer o Tool não é problema. O problema é essa dificuldade em criar uma identidade própria. Não é isso que se espera de músicos tão competentes.

O ÁLBUM

Problemas de identidade à parte, o Soen entrega ‘Lykaia’ de maneira muito sólida. A construção do álbum é impecável, com uma bela produção, músicas bem selecionadas, e tudo na medida certa. Sem exageros e alternando muito bem faixas pesadas e suaves.

As oito faixas fluem bem. Não colocam nada de novo na mesa, é verdade. Há uma sonoridade focada no metal progressivo, com alguns traços do metal alternativo.
Sim, essa combinação de prog e alternativo chega a dar arrepios, pois muitas vezes ela se associa ao djent.

Não tema.
Nem inferno: O Soen evita algumas das ideias mais típicas e infelizes que fizeram o djent tão banalizado no final.
Nem céu: Mas eles ainda não começaram a mostrar canções que soam muito além do bom nível.

A banda se preparando para comer uma feijoada.
As letras exploradas em ‘Lykaia’ são difíceis de serem completamente compreendidas, e acho que isso é parte do charme da música do Soen.
Existem conotações e temas religiosos, e pontos sobre a jornada da humanidade.De forma geral as letras não são triviais ou meras histórias. Obrigam a pensar e usar sua imaginação.
Os suecos definitivamente não são leves ou fáceis. Inegavelmente, são interessantes.

Três faixas são os meus destaques.
“Jinn” (com uma pegada mais oriental), “Stray”, e Lucidity”. Essa terceira é um ponto fora da curva do álbum, com um ritmo mais lento, compassos 6/8, e camadas vocais mais soltas.

O SABOR

‘Lykaia’ é bom. O saldo final é de um trabalho consistente e no nível da discografia do Soen.

Mas bom é pouco. Eles têm potencial para saltar de patamar.
Poderiam ser ainda melhores. Só que para isso, precisam se livrar do sabor da azeitona. É difícil, eu sei.

Já passou da hora de ser menos Tool e mais Soen.

E eu odeio azeitona.

For all the times in hardship on your own; all the nights you met them all alone. For all the broken promises you’ve had; all the times without a helping hand.

—————————————-

FICHA TÉCNICA:
Artista: Soen
Ano: 2017
Álbum: Lykaia
Gênero: Metal Alternativo / Metal Progressivo
País: Suécia
Integrantes: Joel Ekelöf (vocal), Lars Åhlund (teclado), Marcus Jidell (guitarra), Martin Lopez (bateria), Stefan Stenberg (baixo).

MÚSICAS:
1 – Sectarian
2 – Orison
3 – Lucidity
4 – Opal
5 – Jinn
6 – Sister
7 – Stray
8 – Paragon

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