Resenha: Trem Do Futuro – O Tempo (2007)


Por Nathan

Artist: Trem Do Futuro
Disco: O Tempo
Data de lançamento: 2007
Selo: Masque Records / Progshine Records
Tempo total: 50:07
Disponível em: CD & Digital

Resenha:

Lá para 2011 ou 2012, não lembro ao certo, eu era ouvinte assíduo da rádio Lágrima Psicodélica.
Perdi esse hábito, não sei explicar o motivo, mas sem dúvidas essa rádio me incentivou muito a virar um garimpeiro musical, e sair caçando sons diferentes por aí.

DESCOBERTAS

Uma das descobertas que a Lágrima Psicodélica me propiciou foi o Trem do Futuro. Estava à toa quando começou a tocar “Ainda Que Tarde”, e a introdução ao melhor estilo Jethro Tull atraiu minha atenção.

Para minha surpresa era uma banda nacional, cantando em português, com doses de psicodelia e letras bizarramente interessantes.
Fui atrás de mais, e adquiri ‘O Tempo’. Devo ter ouvido esse álbum uma boa dúzia de vezes.

ESSA TAL DE NOSTALGIA

Essa minha introdução nostálgica tem uma justificativa… Como diria Raul Seixas: “Por isso a nostalgia eu tô curtindo sem querer”.

Algumas semanas atrás eu fiquei sabendo que a discografia do Trem Do Futuro foi relançada digitalmente pela Progshine Records.
Louvável a iniciativa e esforço de manter uma parte da história do progressivo nacional viva e disponível para novos ouvintes.

A arte psicodélica reflete a sonoridade do conjunto.

O CONJUNTO

‘O Tempo’ é o segundo álbum do Trem Do Futuro. Os Cearenses voltaram a produzir depois de um hiato de 12 anos.

Usando diversos instrumentos, como flautas, violinos, bandolim, piano, gaita, além dos tradicionais instrumentos de qualquer banda de rock, o grupo produz um som bastante peculiar, principalmente quando o analisamos sob a ótica do cenário nacional.

“Descrever a sonoridade dos caras é uma tarefa ingrata. A flauta imediatamente remete ao Jethro Tull, mas seria simplista resumi-los assim. É um Ave Sangria anabolizado e roqueiro, recheado de nuances e complexidade.”

A complexidade é o bônus e o ônus do Trem Do Futuro.
Ela entrega ótimas canções, como “Saga”, “Búfalos Audazes”, “Ainda Que Tarde”… Em contrapartida, a complexidade se perde em momentos como “Olho Do Tempo / Onda Brava / Tempo Nu”, chegando a beirar o caricato.

DADAÍSMO E MAIS

Liricamente temos um trabalho bastante admirável.
Algumas faixas trazem uma mensagem mais clara, como é o caso de “Saga”, e a necessidade de seguirmos sempre em frente, “mesmo que seja em zigue-zague”.
Outras usam metáforas mais subjetivas. É o caso de “Búfalos Audazes”, que me parece trazer no animal (búfalo) uma alegoria do ser humano.

Mas sem dúvidas, a letra que mais me surpreendeu foi a de “Trem Do Futuro”. É praticamente uma poesia dadaísta, acompanhada por uma pegada mais pesada e belas quebras de violino no meio da música.
As rimas trabalham para compor uma sonoridade e estética puramente artística, com suas “papoulas e matemática nas bocas dos canhões” e “inquilinos de Plutão”.

REVISITAS

Depois de tanto tempo, foi bom poder revisitar esse álbum.
Está longe de ser uma obra perfeita. Tem defeitos, seja no vocal de Paulo Rossglow, que sofre para segurar notas, ou em músicas que não funcionam e fazem com que ‘O Tempo’ seja um trabalho de muitos altos e baixos.

Talvez tenha faltado um filtro melhor, ou mais tempo em estúdio – para dar aquela lapidada na produção.
Só que definitivamente não faltou coragem e personalidade para gravarem esse trabalho.

Um achado do rock progressivo nacional, que se resume em sua última faixa, “O Homem Antigo”: “Um homem antigo falava de deus e demônio/ Falava das suas batalhas e do seu temor/ Falava das suas amadas e do seu caminho/ De coisas tão loucas que eu não consigo entender”.
Isso é o Trem Do Futuro… Coisas tão loucas!

Acredite mais no mundo. Não é correto ter uma voz, se permaneces surdo e mudo.

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Trem do Futuro
Ano: 2007
Álbum: O tempo
Gênero: Rock Progressivo / Rock Psicodélico
País: Brasil
Integrantes: Alan Kardec Filho (baixo), João Victor (teclado), Marcelo M. Leitão (guitarra), Marcos Bye Bye (bateria), Paulo Rossglow (vocal), Sidarta Guimarães (violino), Ulisses Germano (flauta e bandolim).

MÚSICAS:
1 – Seres imaginários
2 – Saga
3 – O som do silêncio / A porta
4 – Búfalos audazes
5 – Lamento das horas / O tempo
6 – Ainda que tarde
7 – Trem do futuro
8 – Olho do tempo / Onda brava / Tempo nu
9 – Na trilha do diabo
10 – O homem antigo

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