Matéria: Cinco Discos Para Conhecer Mike Portnoy


Por Fernando Bueno
Originalmente publicado na Consultoria Do Rock

Conhecido por ser um excepcional baterista, Mike Portnoy marcou sua carreira por ter ajudado a formar o Dream Theater e também por ser um músico inquieto, participando de vários projetos musicais diferentes ao longo dos anos. Assim, ele acabou se tornando um candidato natural para uma seção como essa.

 A sua saída do Dream Theater acabou acontecendo justamente porque estava disposto a fazer outras coisas fora do grupo. Quando sugeriu para que dessem um tempo e se dedicassem a outros projetos, todos foram contra e deram um belo pé na bunda do cara. Em entrevistas, Jonh Petrucci disse que a banda está mais livre. Com Portnoy eles eram incentivados – e um pouco obrigados – a ensaiar diversos set lists diferentes. Mike gostava de ter shows diferentes a cada noite.

 

Depois de tocar em algumas bandas de colégio, conseguiu entrar na famosíssima escola de música “Berklee College of Music” (Boston). Foi lá que ele aprendeu, se desenvolveu, cresceu em termos musicais e, para muitos o principal, conheceu Jonh Petrucci e Jonh Myung. Juntos formaram o Dream Theater. O resto todos já sabem.
No Dream Theater ele também se notabilizou por se preocupar bastante com lançamentos de material oficial com demos, bootlegs de shows especiais, além daquela famosa série de álbuns covers que foram gravados pelo grupo homenageando diversas bandas que os influenciaram. Para isso, criou a YtseJam Records que possui um material enorme para deixar qualquer fã maluco.

 


 Rising Power – Power Of The People (1984)

Sem demonstrar a técnica apurada que o marcou, Portnoy estreou com o Rising Power de maneira bem convincente. O baterista tinha apenas 17 anos! O som é um heavy rock característico da época com linhas de guitarras e baixo muito competentes. Suas 11 faixas apresentam características do metal americano, como o do Quiet Riot (ouça “Adrenalized”) e tem algumas coisa da então recente onda de metal inglesa, a NWOBHM, como podemos ouvir em “Fast & Furious” e “Master of Illusion”. Para mim, esse álbum foi uma descoberta recente e é praticamente ignorado pelos sites de biografias do baterista. Talvez seja até intenção dele mesmo, já que a técnica obtida nos tempos de Berklee ainda não era percebida nem de longe. Depois dessa banda, ainda chegou a tocar no Inner Sanctum (com a qual gravou ’12 A.M.’) para então ir estudar em Berklee. Tanto ‘Power Of The People’ quanto o álbum do Inner Sanctum foram lançados de maneira independente. É até estranho que ele, como alguém que se preocupa tanto com os colecionadores, não os tenha relançado. Claro, para muitos, esse álbum servirá apenas de curiosidade. No entanto, vale a pena ouví-lo. No Ebay só encontrei uma vez por um preço abusivo. Agora, que ele está sendo apresentado para outras pessoas, a minha chance de conseguí-lo ficou mais baixa ainda.

Dream Theater – Images & Words (1992)
Apesar de já terem apresentado a proposta da banda no álbum de estréia ‘When Dream And Day Unite’ (1989) foi em ‘Images & Words’ que o som do Dream Theater chegou aos ouvidos de todos. No início, muitos estranharam aquele amontoado musical que apresentava muita coisa que bandas como o Rush já tinha feito. Porém, além das quebras de andamento e execução intrincada dos instrumentistas, havia muito peso também. Depois desse disco, o que se convencionou ser chamado de prog metal se desenvolveu. Todos quiseram aprender a tocar aquelas linhas de clássicos como “Pull Me Under”. O que chamava atenção para quem ouvia pela primeira vez é que depois de uma música pesada com a faixa de abertura tínhamos “Another Day” com seus pianos e solo de sax sendo apresentados em um clip sentimental com uma menininha (a da capa) com olhos lacrimejantes. Ou seja, a diversidade musical era um diferencial. Isso não só atraiu muitos fãs como afastou muitos também. Images And Words’ é o álbum que mais contém clássicos da banda. De suas oito músicas, somente a ótima “Wait for Sleep” não é muito lembrada pelos fãs. Acho “Metropolis, Pt. 1: The Miracle and the Sleeper” a melhor música do grupo. Temos ainda: “Take the Time”, “Surrounded”, “Under a Glass Moon” e “Learning to Live”. Se você já ouviu essas músicas sabe do que estou falando.

 


Transatlantic – Bridge Across Forever (2001)

Para quem não conhece muito o rock progressivo, o adjetivo de supergrupo para o Transatlantic não faz muito sentido. Principalmente porque, para alguns, Spock’s Beard e Flower’s Kings são apenas bandas com nomes curiosos. Da primeira veio Neil Morse, vocalista e tecladista. Da segunda, Roine Stolt, um excepcional guitarrista. Completa o time, Pete Trewaras, oriundo do controverso Marillion. ‘Bridge Across Forever’ é o segundo disco (são três ao todo) e deixou claro para os fãs de Dream Theater que Mike Portnoy tinha sim muito interesse no progressivo clássico das bandas setentistas.

O grupo bebe direto da fonte de diversos medalhões e produz excelentes músicas como a fantástica “Duel With the Devil”. Apesar de Morse ser o vocalista central, todos os outros participam. Muitas vezes fazendo também o vocal principal. Em seus shows, Neil Morse sempre apresenta a banda e diz que se o ouvinte não gosta de músicas longas aquele não é o lugar adequado para ele. O álbum tem quatro músicas sendo que duas delas passam os vinte e cinco minutos de duração. Muitos se prendem a esses números na hora de analisar, mas qual é a diferença de se ouvir um disco de oitenta minutos com quatro músicas e outro com o mesmo tempo e dez faixas? Quando soube que o Portnoy tinha saído do Dream Theater, torci muito para que o Transatlantic se transformasse em sua banda oficial. Mas, infelizmente, isso não aconteceu!


Flying Colors – Flying Colors (2012)

Depois do Transatlantic, o Portnoy se envolveu com mais um desses chamados supergrupos. Nesse caso, a idéia não foi dele e sim de um produtor chamado Bill Evans. A idéia era ter um grupo de músicos virtuosos acompanhando um cantor pop. Os músicos escolhidos saíram de uma pequena lista de nomes, mas para encontrar a voz certa para a empreitada deu um enorme trabalho. Foram listados e testados mais de cem vocalistas de bandas pop contemporâneas para assim ser escolhido Casey McPherson, oriundo de uma banda chamada Alpha Rev, sugerido por Portnoy.

Os outros músicos são Steve Morse (Deep Purple/Dixie Dregs) na guitarra, Dave LaRue (Dixie Dregs/Joe Satriani) no baixo e o parceiro de Portnoy no Transatlantic, Neal Morse nos teclados. Quando soube desse álbum, imaginei um trabalho próximo ao que foi feito com o Transatlantic, mas isso não aconteceu. O que temos aqui é um mix de vários gêneros que emprestam a sonoridade do progressivo sem que nenhum deles se sobressaia. “Blue Ocean” á a melhor música desse que, para mim, é o melhor álbum de 2012 até agora. Mas temos outros destaques como “Kayla” e “Shoulda Coulda Woulda”. “All Falls Down” é mais rápida do disco e mostra bem Portnoy em seu habitat natural. O baterista chega a cantar uma das faixas: “Fool In My Heart”.


Adrenaline Mob – Omertá (2012)

Pensei em colocar, no lugar desse, algum trabalho lançado por um dos diversos grupos instrumentais que ele participou ao longo da carreira. Não que esse álbum não tenha qualidade suficiente para representar Portnoy, mas porque esses trabalhos instrumentais são uma ótima forma de apresentar a qualidade musical desse excepcional músico. Ele começou a se envolver com o Adrenaline Mob quando ainda estava no Dream Theater. Com sua saída, está meio que certo que esta será sua banda oficial a partir de agora.
O Adrenaline Mob surpreende quem pensava que a parceria de um ex-Dream Theater e um membro do Symphony X significaria uma fritação sem tamanho. O grupo foi idealizado por Russell Allen e o guitarrista Mike Orlando. Eles fazem um heavy metal de muito bom gosto calcado em riffs, bastante peso e com uma cara bem atual. Além de ótimos músicos, são atualizados! “Undaunted” e “Pshicosane” demonstram isso. A semi-balada “All on the Line” tem uma ótima voz de Allen e um solo muito bem executado.
Destaque também para “Come Undone”, cover da banda pop Duran Duran. Portnoy está totalmente contido na banda. Sabe aquele craque que joga para o time sem querer aparecer muito? É Portnoy no Adrenaline Mob! O grupo estava incompleto, já que o baixo (gravado por Mike Orlando) está sem dono. É possível também que outro guitarrista seja acrescentado ao line-up, afinal foi essa formação que gravou o bom mini-CD autointitulado lançado em 2011. Um dia após o lançamento de ‘Omertá’, John Moyer (Disturbed) foi anunciado como o novo baixista.

 


Fora essas bandas e projetos citados acima, Portnoy também participou como músico de estúdio de muitos outros artistas como Avenged Sevenfold, OSI e Neal Morse. Fez parte também de diversos grupos instrumentais como já mencionado; Morse, Portnoy and George, Liquid Tension Experiment, G3 (acompanhando Jonh Petrucci).

 

Não podemos esquecer dos projetos que fez para homenagear grupos como Beatles (Yellow Matter Custard), Led Zeppelin (Hammer of the Gods), Rush (Cygnus and the Sea Monsters) e The Who (Amazing Journey). Acompanhou algumas bandas quando precisaram de bateristas como Fates Warning, Stone Sour (inclusive tocando com elas aqui no Brasil) e Overkill. O cara é incansável! Conhecer a carreira dele é algo que leva tempo…
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