Matéria: Do Pior Ao Melhor – Queen


Por Diego Camargo
Originalmente publicado na Consultoria Do Rock

Quando li a estreia desta seção, abordando a discografia do Iron Maiden, logo pensei: “Putz, seria legal fazer uma do Queen”. Então, aqui estou! Para mim, falar de Queen não é muito fácil. Foi a banda que me fez querer ser músico, foi a banda que me fez perceber que a música ia além do rádio e que havia coisas a serem exploradas. Minha história com o grupo é longa e o texto ficaria um tanto chato, então apenas digo que não gosto de “fãnáticos”, mas se há uma banda que me faz chegar perto do “fãnatismo”, essa banda é o Queen. Por esse motivo, falar de sua discografia nunca foi fácil para mim. Sempre evitei resenhar os discos, pois eles geralmente têm um apelo emocional forte e é difícil ser imparcial. Decidi, porém, encarar o desafio, e o resultado está logo abaixo!

Quem quiser conhecer toda a história que tenho com o Queen, confira a entrevista que concedi à Consultoria do Rock, na qual apresento mais detalhes. Lembrando que esta lista é completamente pessoal e só leva em conta o período com Freddie Mercury nos vocais. Logo, a parceria Queen + Paul Rodgers não entra. Discordar de publicações como esta é mais que normal, então espero as listas de vocês nos comentários!


15. Made in Heaven (1995)

‘Made In Heaven’ é um daqueles discos difíceis… Em meados de 1990-91, Freddie Mercury sabia que tinha pouco tempo de vida e que sua saúde estava se deteriorando rapidamente por culpa do vírus da Aids. De acordo com entrevistas, quando a banda começou a pensar no repertório do que viria a ser o último disco de estúdio dela – ‘Innuendo’ – o vocalista pediu aos outros três membros para darem o máximo de material para ele gravar, mesmo que não houvesse música pronta ele gravaria vocais e depois o grupo poderia fazer o que quisesse. Pois bem, depois que o vocalista morreu, em novembro de 1991 e depois de diversos tributos, o trio começou a trabalhar no material que viria a ser ‘Made In Heaven’. As músicas saíram das sessões de ‘Innuendo’ e de várias gravações solo que o vocalista fez, com instrumental registrado pela banda depois. Por culpa disso, o disco é uma colcha de retalhos. “It’s a Beautiful Day” é uma bela faixa, registrada originalmente por Freddie em 1980. “Made in Heaven” e “I Was Born to Love You” foram gravadas originalmente no disco solo de Mercury Mr. Bad Guy’ (1985). O restante da banda simplesmente gravou novo instrumental por cima da voz do cantor… “Let Me Live” saiu de uma sessão de 1984 e é interessante com os três vocalistas fazendo uma estrofe cada. “Mother Love” e “A Winter’s Tale” foram as últimas gravações de Mercury e mostram que, mesmo com a voz fraca, ele ainda estava anos-luz de distância de qualquer outro vocalista. “My Life Has Been Saved” foi gravada em 1988. “Heaven for Everyone” foi registrada em 1987 para o disco da banda paralela de Roger Taylor, The Cross. “Too Much Love Will Kill You” foi gravada em 1989 para ‘The Miracle’, mas, por problemas legais, não foi lançada na época. “You Don’t Fool Me” é simplesmente terrível. No lançamento em CD ainda temos a “pérola” “Made In Heaven (Instrumental)”… Em suma, não só uma colcha de retalhos, uma colcha de retalhos muito mal cerzida e que ninguém quer ganhar como presente…


14. Flash Gordon (1980)

Veja bem, como trilha sonora ‘Flash Gordon’ até que não é ruim, pelo menos não como disco, já que, confesso, nunca assisti ao filme. Mas se há uma banda que a gente não quer ver tocando música instrumental, é o Queen! O álbum começa absurdamente bem com “Flash’s Theme”, que se tornaria um tos temas mais amados pelos fãs pelo simples fato de que ele tem tudo que o Queen representa em uma única faixa. O problema é que “Flash’s Theme” é apenas uma das duas músicas com vocais no disco todo (a outra é a também ótima “The Hero”), e mostra uma banda que não lembra em absolutamente nada o Queen do qual os fãs gostam. Eu nunca achei que este álbum deveria ser visto como lançamento oficial, mas o quarteto nunca o negou e ele aparece em todos os relançamentos e remasterizações. Alguns temas são fantásticos, como “Football Fight” e “The Wedding March”. A primeira sempre me bota um sorriso no rosto, mas fica a pergunta de novo, fantástico, mas isso é Queen? ‘Flash Gordon’ não é a minha primeira escolha quando eu quero ouvir o grupo.


13. Hot Space (1982)

Não é de hoje que este disco é tido, com unanimidade, como o pior que o Queen lançou. No entanto, apesar de concordar que ele é ruim, não posso concordar que foi a pior coisa que a banda lançou (vide os dois citados acima), apesar de estar bem perto. Até hoje, ele é motivo de discórdia entre os integrantes e tanto Brian May quanto Roger Taylor já admitiram que ‘Hot Space’ está longe de ser o melhor álbum do grupo. Quando “Another One Bites the Dust”, composta por John Deacon, entrou em The Game’ e fez um enorme sucesso, tanto o baixista quanto Freddie acharam que esse era um lado que a banda deveria explorar. Quando a ideia foi vetada por Roger e Brian, ficou decidido que o lado A seria nesse estilo funk/disco/pop e que o lado B traria faixas mais ao estilo clássico do Queen. Já ouvimos falar, várias vezes, de grupos que fizeram algo do gênero, e em todas as vezes o resultado é uma bomba no colo dos fãs e o pior disco da carreira. Não é muito diferente com o Queen. Apesar das excelentes guitarras de May durante todo o lado A, faixas como “Staying Power”, “Back Chat” e “Body Language” são absolutamente intragáveis e mostram uma banda totalmente fora de seu território. A black music que o Queen tentava fazer tinha como principal componente a espontaneidade. Ao invés disso, o grupo soa forçado e sem um pingo de inspiração. No lado B, temos o Queen apostando alto e acertando na maioria das vezes. “Put Out the Fire” é fantástica, “Life Is Real” é uma homenagem a John Lennon e uma ótima faixa, “Las Palabras de Amor” é uma tentativa de balada que não é das piores, apesar de também não ser nada de mais. “Under Pressure”, inusitada parceria com David Bowie, acabou salvando o disco do fracasso completo, e com razão, pois está entre as melhores compostas pelo Queen! Em suma, coloque a maioria das músicas do lado B para tocar e esqueça do resto!


12. A Kind of Magic (1986)

O Queen aprendeu com a experiência de ‘Flash Gordon’ e, ao compor uma nova trilha sonora, decidiu não seguir o mesmo caminho. ‘A Kind Of Magic’ serve como trilha sonora do filme “Highlander” (1986), com Christopher Lambert. Dessa vez, ao invés de criar um disco instrumental, a banda compôs canções normais que tinham como tema os fatos do filme. Até aí uma boa ideia, uma trilha sonora com músicas “normais”. O problema de ‘A Kind Of Magic’ está em duas “pequenas” coisas: a produção horrível e as músicas em si! O álbum tem tudo que os amantes dos anos 1980 amam e eu detesto: teclados de churrascaria, efeitos datados e um som de bateria que dá vergonha! As canções em si não são ruins, mas tudo isso combinado faz com que elas não atraiam o interesse que poderiam atrair. Para fazermos uma comparação, “One Vision” (que na verdade é trilha sonora de outro filme, “Iron Eagle”, lançado no mesmo ano) é uma faixa matadora, mas não em estúdio. Basta ouvir a versão ao vivo presente em ‘Live At Wembley ’86’ (1992) para comprovar. Algumas músicas são muito boas, como a faixa-título, a clássica “Who Wants to Live Forever” e as canções mais rock “Gimme the Prize” e “Princes of the Universe”. O restante, porém, é vergonhoso. “One Year of Love” e “Pain Is So Close to Pleasure” são simplesmente bisonhas; “Friends Will Be Friends”, apesar de ser boa, é tão piegas e melosa que não desce; “Don’t Lose Your Head” poderia ter sido jogada fora que ninguém ligaria. Em suma, ‘A Kind Of Magic’ é incrívelmente fraco e ruim!


11. The Works (1984)

‘The Works’ tem o mesmo problema de ‘A Kind Of Magic’, aquele som terrível e datado dos anos 1980. As composições são boas e fortes, mas a sonoridade em geral o deixa… Meh! Pelo menos a banda aprendeu com o fiasco de ‘Hot Space’ e decidiu apostar em músicas mais pesadas e deixar de lado a besteira pop dançante do álbum anterior. Mostras disso estão nas ótimas “Tear It Up” e “Hammer to Fall”“Man on the Prowl” tenta repetir o sucesso the “Crazy Little Thing Called Love”, mas, apesar de ser um bom rock ‘n’ roll, soa meio forçada. “Machines (or Back to Humans)” é um bom exemplo de como fundir o som pop eletrônico dos anos 1980 com o rock. As piores, para mim, são as mais famosas, os singles “Radio Ga Ga” e “I Want to Break Free”, que são simplesmente sem sal. “It’s a Hard Life” é uma das minhas favoritas da banda e mostra como o Queen soaria bem se apostasse mais em seu som clássico, mas com uma produção mais moderna (para a época). “Keep Passing the Open Windows” é uma boa faixa com um groove insistente de baixo no mesmo estilo de riff que apareceria novamente em ‘The Miracle’. Para finalizar, a fantástica e emocional “Is This the World We Created…?” No geral, um álbum decente, com boas faixas, que não faz tão feio na discografia do Queen.


10. Queen (1973)

Discos de estreia são 8 ou 80: ou comanda a música que a banda fará durante toda a carreira e, se houver qualquer mudança, os fãs torcerão o nariz, ou o grupo geralmente não consegue alcançar o som que realmente queria por vários motivos: inexperiência com estúdios, produtor que não entende a proposta, estúdios mais baratos, músicos ainda sem um conceito claro na cabeça de como a banda deveria soar. Na minha opinião, a estreia do Queen cai no segundo exemplo. Apesar de termos várias “dicas” do que viria a ser aquilo que todos amam, o álbum parece que tem um pé atrás no que faz. Fica claro que os músicos tinham ideias, mas não sabiam como extraí-las no estúdio. Fica evidente também que o disco foi gravado de forma rápida, sem muito tempo para detalhes extras (pelos quais o Queen ficou conhecido). O próprio Brian May disse diversas vezes que o quarteto tinha uma ideia de como a música deles deveria soar: grandiosa e profunda. O problema é que eles não sabiam trabalhar com o estúdio e insistiram em ser coprodutores, fato que seria corrigido nos próximos lançamentos, nos quais Roy Thomas Baker seria o produtor. Na, estreia ele apenas coproduz. Mas não se engane, o Queen clássico pode ser encontrado em diversas faixas, como a fabulosa “Keep Yourself Alive” (que traz as guitarras de Brian May, marca registrada da banda, em tímidas tentativas), a modesta “Doing All Right” (que mostra o Queen brincando com os vocais, outra marca registrada) e a poderosa “Great King Rat”. “My Fairy King” dá uma mostra do que viria no próximo disco e “Liar” é uma das mais potentes do repertório do Queen. Em suma, um bom álbum de estreia, que sofre com a falta de experiência em estúdio. No entanto, isso seria resolvido no próximo lançamento…


9. Jazz (1978)

‘Jazz’ é o disco esquecido do Queen. Mesmo tendo um repertório de primeira e vários hits, é o álbum da fase clássica sobre o qual as pessoas menos comentam. Talvez seja o fato de que o mundo do rock estava mudando no fim dos anos 1970 e as pessoas já estavam cansadas do estilo pomposo e superproduzido da banda. Para mim, é um disco muito acima da média. Para começo de conversa, temos “Mustapha”. Que outro grupo faria uma música com tema árabe? Nunca ouvi. Depois disso, há uma série de faixas fantásticas, uma atrás da outra. O fenomenal hit “Fat Bottomed Girls” e seu riff de primeira, a melancólica (típico estilo de composição de Mercury) “Jealousy” e outro hit fenomenal com “Bicycle Race”. Depois disso, não há mais hits, mas ‘Jazz’ continua em alto estilo com “If You Can’t Beat Them”, “Let Me Entertain You” (que lembra duas faixas meia-boca do disco anterior, mas muito melhor arranjada) e o riff pulsante de “Dead on Time”. Na sequência, a “Mercuryana” “In Only Seven Days” e “Dreamer’s Ball”, que mostra o lado dixie jazz band de May. E também “Leaving Home Ain’t Easy”, que apresenta o lado acústico do quarteto. Então temos os únicos senões, “Fun It” e “More of that Jazz”, duas faixas compostas por Roger Taylor, mostrando que o baterista era o compositor mais fraco do grupo. Como eu disse, ‘Jazz’ é o disco perdido do Queen e deveria ganhar mais atenção dos fãs!


8. The Game (1980)

‘The Game’ dividiu os fãs. Vindo de ‘Jazz’ e do ao vivo ‘Live Killers’ (1979), a banda decidiu apostar em um som diferente, menos pomposo e mais direto, mais pop, por assim dizer. Pessoalmente, é difícil dizer que este disco é ruim (como muita gente diz que ele é). ‘The Game’ foi o primeiro álbum de estúdio do Queen que eu comprei (antes, só coletâneas e ao vivo) e eu o ouvi até, literalmente, furar o CD. Ainda hoje acho que ‘The Game’ é um álbum muito bom, com diversas composições inspiradas. “Play the Game”, “Sail Away Sweet Sister” (uma das minhas favoritas do disco) e “Save Me” são baladas belíssimas. O álbum ainda traz o Queen se aventurando no rock anos 1950 na deliciosa “Crazy Little Thing Called Love” e “Don’t Try Suicide”, e é claro que também temos as músicas mais porrada, como “Dragon Attack” (com seu riff poderoso) e “Rock It (Prime Jive)” (o começo quase engana). Mesmo assim, é verdade que ‘The Game’ soa mais pop, mas pop com classe. O único alien é o hit “Another One Bites the Dust”. Em primeiro lugar, a faixa simplesmente não combina com o Queen; segundo, foi ela que deu a deixa para que a banda gravasse ‘Hot Space’, então… Alien é pouco! Para mim, ainda hoje é um disco ótimo, que ouço com um sorriso.


7. Innuendo (1991)

‘Innuendo’ é poderoso e existem duas razões para isso. Em meio às circunstâncias em que foi gravado, não poderia ser diferente, as canções teriam um apelo emocional forte. Freddie Mercury gravou-o durante o último período “bom” de sua saúde, já que o vocalista sucumbia rapidamente ao vírus da Aids. Soma-se isso ao fato de que a banda realmente compôs algumas das melhores músicas de sua carreira. ‘Innuendo’tem uma produção forte e de respeito. Apesar de ainda ter um certo semblante da produção do início dos anos 1990, as guitarras são altas e a bateria é mais orgânica. Rocks poderosos e arrebatadores são encontrados durante o álbum todo: “Headlong”, “I Can’t Live With You” (uma das minhas favoritas da banda, melhor ainda como bônus em sua versão de 1997), a pesadíssima “The Hitman” e a patada que é a faixa-título, uma das melhores canções gravadas pela banda! Como eu disse, ‘Innuendo’é cercado por fortes momentos de pura emoção e isso fica visível em faixas como “I’m Going Slightly Mad”, “Don’t Try So Hard”, “These Are the Days of Our Lives” (eu teria tudo para não gostar dela, mas a adoro) e a música que já se tornou uma lenda por si só, “The Show Must Go On”, que fecha o disco magnificamente. Porém, nem tudo são flores. O álbum também tem deslizes enormes, como “Lost Opportunity” (que mostra o Queen tocando Blues, coisa que a banda nunca foi: uma banda de Blues), a terrível “Delilah” (escrita para a gata de estimação de Mercury) e a desnecessária “Bijou”. ‘Innuendo’tinha tudo pra ser um disco esquecível, especialmente por toda a má situação que cercou as suas gravações, mas acabou se tornando um poderoso adeus. Ah, se a banda tivesse realmente parado neste disco!


6. Sheer Heart Attack (1974)

Se o disco anterior mostrava um Queen que evoluía em relação à estreia, o terceiro álbum, ‘Sheer Heart Attack’, mostrava ao mundo o Queen “de verdade”. Este é o disco que definiu o som da banda de uma vez por todas. A sonoridade progressiva que invadiu ‘II’ ainda se faz presente, com muitas faixas conectadas umas às outras, mas toda a pompa que fez o Queen famoso no álbum posterior começa de verdade em ‘Sheer Heart Attack’. Clássicos absolutos da banda estão presentes neste álbum: “Killer Queen”, “Now I’m Here” e “Stone Cold Crazy”. Por outro lado, temos pérolas do cancioneiro do Queen, como “Brighton Rock”, “In the Lap of the Gods”, “Bring Back that Leroy Brown” e a tríade “Tenement Funster”/”Flick of the Wrist”/”Lily of the Valley”. Enfim, o primeiro clássico do grupo!


5. The Miracle (1989)

‘The Miracle’ é um puta disco! Essa frase deveria ser suficiente, mas tentarei ser mais detalhado. O Queen vinha de discos fraquíssimos, três, para ser mais específico. Após todos os membros enveredarem por carreiras solo, a banda voltou com força total para gravar o discaço que é ‘The Miracle’. Ok, ele não é perfeito e tem algumas faixas bem fracas, além de começar com a maior merda que o Queen já gravou, “Party”. A sequência (“Khashoggi’s Ship”), apesar de boazinha, não ajuda muito. Outra faixa dispensável é “Rain Must Fall”. Mas o que vem a seguir, em sua maioria, é muito acima da média, especialmente se levarmos em conta que o ano era 1989 e o grupo já havia alcançado seu auge mais de uma década antes. Após a fraca dupla de abertura, temos clássico atrás de clássico. “I Want It All” é, possivelmente, o melhor single que o Queen lançou nos anos 1980. “The Invisible Man” mistura bem o puro pop eletrônico dos anos 1990 com o rock à la Queen, incluindo as fabulosas guitarras de May. Em “Breakthru”, temos uma das melhores performances de Freddie Mercury em anos. E como não falar de “Was It All Worth It”, para mim, junto com “It’s a Hard Life”, a melhor música do Queen nos anos 1980. No fim de tudo, o Queen deu a volta por cima e gravou um discaço depois de muitos fracassos nos anos 1980. Vale muito ouvir!


4. A Day At The Races (1976)

‘A Day At The Races’ é um baita disco, mas ficou na sombra do espetacular ‘A Night At The Opera’. Muita gente ainda estava com aquele álbum na cabeça quando o Queen lançou, exatamente um ano depois, em dezembro de 1976, ‘A Day At The Races’. Entendo o porquê de muitas pessoas deixarem este disco em segundo plano. Ele realmente tem a mesma pegada do anterior, incluindo o tipo de composição. ‘A Day At The Races’ também é o último álbum pomposo e superproduzido do quarteto, já que, a partir do lançamento seguinte, eles tomariam um caminho bem diferente nos próximos dez anos. Mas se muitos acreditam que ‘A Day At The Races’ é um registro menor na discografia da banda, eu rebato essas acusações com a pesada “Tie Your Mother Down”, com a “clássico-encontra-o-rock” “The Millionaire Waltz”, com a bela “You and I”, com a maravilhosa “Somebody to Love” e com uma das minhas favoritas, “Good Old-Fashioned Lover Boy”. O que muitos vêem como apenas um disco “mais do mesmo”, eu vejo como muito mais de Queen, o que é sempre bom!


3. News of the World (1977)

‘News Of The World’ continua sendo um dos meus favoritos da banda (como bem podem ver), mesmo que nele tenhamos duas das músicas mais fracas de sua discografia: “Fight from the Inside” e “Get Down, Make Love”. Também há “Sheer Heart Attack”, que, mesmo se o nome não entregasse, seria perceptível que não foi composta na mesma época das outras (se bem que ela continua sendo uma das minhas favoritas). Confesso que a dupla de abertura “We Will Rock You” e “We Are the Champions” já foram mais “queridas” pela minha pessoa, mas pelo simples fato de que foram tocas à exaustão. Isso acabou criando em mim o famoso “fator cansaço”. É inegável, porém, que as duas são hinos do rock. Mesmo que estivessem sozinhas no álbum, ele já mereceria um posto alto em qualquer lista. A verdade é que ‘News Of The World’ é um disco eclético e contém algumas das melhores composições que o Queen gravou. Brian May acerta a mão em todas as faixas que criou, a já citada “We Will Rock You”, a simplesmente fabulosa “All Dead, All Dead” (Freddie leva a composição de May para outro patamar), a divertida “Sleeping on the Sidewalk”, na qual Brian conta uma história no estilo Robert Johnson, e mais uma das minhas favoritas na discografia do quarteto, “It’s Late”“Spread Your Wings” é top 5 entre minhas favoritas do grupo e, como tantas outras canções de destaque, foi escrita pelo baixista John Deacon. Mercury, além do hino “We Are the Champions”, fecha ‘News Of The World’ com “My Melancholy Blues”, que, como o nome sugere, é um blues triste embalado pelo piano. Em suma, discaço!


2. A Night at the Opera (1975)

Ah, ‘A Night At The Opera’! Acho que a maioria dos fãs do Queen vão concordar que este é o ponto alto da carreira da banda, no qual toda a pretensão e pomposidade do quarteto se uniram em uma perfeita e gigante pintura sonora. Tudo em ‘A Night At The Opera’ é perfeição, até mesmo as faixas mais fracas, “I’m in Love With My Car” e “Sweet Lady”, são destaques. O que fazer quando até as músicas ruins são boas? Aproveitar e deixar o som rolar, é claro! ‘A Night At The Opera’ não tem um destaque, quase todas as faixas são destaques por si só. Não só isso, o álbum é muito eclético, mas em seu ecletismo a banda nunca perde identidade. É verdade que todos compunham e três membros faziam vocais principais, mas mesmo assim existia só um som no grupo, e isso é um fato para se tirar o chapéu. Enquanto “Death on Two Legs” era atual e dedicada aos magnatas da gravadora que vivem às custas dos artistas, “Lazing on a Sunday Afternoon” é uma doce e curta canção que nos leva de volta para o início do século passado. “You’re My Best Friend”, composta por John Deacon, é uma das melhores faixas gravadas pelo grupo, pop e acessível, mas sem deixar de ter um arranjo fabuloso. “39” é um folk sci-fi (sim, você não leu errado) e “The Prophet’s Song” é um experimento sonoro que leva o sistema de som do guitarrista Brian May para os vocais, colada em um dos maiores hits do Queen, “Love of My Life”, simplesmente belíssima. Fecham o disco o trio “Good Company” (outra excursão folk de May), a faixa que transformou o Queen no que ele foi e é, “Bohemian Rhapsody”, com todos os seus esplendorosos seis minutos, e “God Save the Queen”, o hino inglês tocado inteiramente por May na guitarra e que viria a fechar os shows da banda até o fim. ‘A Night At The Opera’ não é somente o ponto alto da carreira do Queen, mas um dos pontos altos de todo o rock gravado nos anos 1970!


1. II (1974)

Talvez II’ não seja uma unanimidade entre os fãs, mas, para mim, ele tem um apelo especial. Eu queria, pelo menos 15 anos atrás, comprar um novo disco do Queen, e eu queria comprar o mais antigo que eu pudesse achar. Passei por cinco lojas e só conseguia encontrar as coletâneas. Mais tarde, percorri mais de 20 lojas na Galeria do Rock, em São Paulo, para conseguir achar um estabelecimento com um leque maior de opções. Ela não tinha o primeiro álbum, mas tinha II’. Desde a primeira audição, o disco me conquistou. NADA dele (com exceção de “Seven Seas of Rhye”) estava nas coletâneas e discos ao vivo que eu conhecia, então para mim era uma porta que se abria. Eu não parava de ouvi-lo. Por pelo menos uns dois anos este disco foi presença constante no meu player. Nenhuma banda conseguiu fundir tão bem hard rock, glam rock e rock progressivo como o Queen em II’, e ponto final. Talvez a produção deixe um pouco a desejar, mas a mão de Roy Thomas Baker pode ser sentida. O grupo soube reconhecer isso e não interferiu na produção, como no primeiro álbum. A saraivada de épicos começa com o “Side White” (lado branco) e “Procession”, mostrando pela primeira vez todo o talento de May, e segue com “Father to Son”, “White Queen”, “Some Day One Day” e “The Loser in the End” (a única que destoa do tema geral, e mais uma vez a mais fraca faixa sendo composta por Taylor). Todas as canções desse lado são épicas, mas mais leves. O segundo lado, “Side Black” (lado negro), como o nome sugere, é mais pesado e mais progressivo. “Ogre Battle”, “The Fairy Feller’s Master-Stroke”, “Nevermore”, “The March of the Black Queen” e “Funny How Love Is”, todas intercalando umas às outras e todas épicas, sem poupar camadas e camadas de instrumentos e até um cravo em “The Fairy Feller’s Master-Stroke”. Já “Seven Seas of Rhye” é a faixa do primeiro disco que foi retrabalhada, dessa vez com letra, e fecha o disco de maneira brilhante! II’ é meu favorito do quarteto. Pode não ser o melhor, admito, mas é meu favorito, e une duas coisas que eu adoro: Queen e rock progressivo. Não poderia ser mais épico!


Agora que vocês acabaram de ler minha lista de álbuns preferidos do Queen, fica a pergunta: quais são as suas listas, caros leitores? Um abraço e até a próxima!

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Autor: Diego Camargo

Editor chefe do Progshine

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