Agents Of Mercy – The Black Forest (Resenha Diego Camargo)


Resenha: Diego Camargo

Nota: 

Banda: Agents Of Mercy
Disco: The Black Forest
Ano: 2011
Selo: Foxtrot Records
Tipo: Estúdio

Faixas:
1. The Black Forest – 11’06
2. A Quiet Little Town – 6’53
3. Black Sunday – 6’14
4. Elegy – 6’14
5. Citadel – 7’03
6. Between Sun & Moon – 5’04
7. Freak Of Life – 7’56
8. Kingdom Of Heaven – 5’29

Formação:
Nad Sylvan – voz e teclados
Roine Stolt – guitarras e vocais
Lalle Larsson – teclados e vocais
Jonas Reingold – baixo
Walle Wahlgren – bateria

Resenhas:
1. The Black Forest

É fácil identificar quando um álbum vem com a assinatura de Roine Stolt, seu padrão de composição é inconfundível e já é uma marca do Rock Progressivo moderno. No entanto, em The Black Forest (2011), disco mais recente do Agents Of Mercy, banda que fundou ao lado do vocalista Nad Sylvan, ele vem um pouco mais ‘sombrio’, podemos dizer, não só em suas letras, mas no som em geral. É provavel que a morte de seu pai Sune Stolt, tenha alguma relação com isso.
Como sempre a banda que acompanha Roine e Nad é afiada, também pudera, os nomes são conhecidos de todos os fãs de The Flower Kings, banda mãe de Stolt: Lalle Larsson (teclados e vocais) e Jonas Reingold (baixo). Ambos estão ligados a uma dúzia de lançamentos de Stolt, o que assegura o produto final e sua assinatura.

‘The Black Forest’ começa estranha, pelo menos em termos de Roine Stolt, fraseados rápidos e paradas bruscas. No entanto, mesmo tendo pinceladas sombrias a faixa tem as melodias que sempre te prendem, melodias essas que os fãs de The Flower Kings conhecem bem.
São muitas as mudanças durante os 11:10 da faixa mais longa do disco. Inclua ai um refrão estranho mas intenso que termina com ‘The Power And The Glory’, não posso confirmar mas me parece uma citação ao Gentle Giant e seu 6º disco. Lalle Larsson grante a atmosfera sombria da faixa com seus mais que competentes teclados, um exemplo pra todos os tecladistas de ‘churrascaria’ do novo Progressivo.
A faixa é pesada, mas no sentido de densidade, uma infinidade de sentimentos fluem num espaço curto de vida, e viva a boa música! Não vou nem comentar os 40 segundos finais.

2. A Quiet Little Town
Faixa composta por Nad Sylvan, então obviamente é diferente da primeira, porém, o nível continua alto! Pra começar um riff, não diria dançante, mas enérgico!
Vocais em falsete em um conto estilo fábulas de Isopo, um conto sobre uma ‘cidade pequena’, daquelas de filmes de época em que uma pessoa misteriosa é dita como bruxa, lobisomem e outros mais.
A parte final traz a magnífica guitarra de Stolt com pequenas pérolas sonoras.

3. Black Sunday
Estranhas vocalizações seguidas de órgão e sintetizador. Quando a bateria dá o primeiro ataque o peso da faixa é evidente. Cadenciada e pesada. Como poucas vezes vi Roine Stolt compondo, o nome já anunciava de qualquer maneira.
Uma letra que aborda um ser das trevas, da noite, um imortal. Estranho refrão, desconexo com o restante.
O baixo de Jonas Reingold é sempre um extra em qualquer disco, brilhante! (Por falar nisso, se ainda não leu a entrevista que o Progshine fez com ele CLIQUE AQUI).

4. Elegy
Clássica! Violinos (ou ótimos samples) e um piano que acentua ainda mais o clima. Nad tem uma voz marcante e incomum, fica bem claro na quarta faixa de The Black Forest (2011).
O clima arrastado e denso da faixa combina perfeitamente com o nome dela. ‘Elegia’ é um termo da literatura grega que quer dizer poesia triste, normalmente usada como lamento quando um ser querido morre.
Pouco depois dos quatro minutos de música os já característicos solos de Stolt, a sua guitarra não toca notas por tocar, sempre linhas que me parecem melodias de um cantor, que tenta expressar suas emoções com a música.

5. Citadel
Emendada segue-se ‘Citadel’ com um começo épico. A letra foi inspirada pela lenda da húngara Elizabeth Bathory de Ecsed (1560-1614) que embora nunca tenha sido realmente considerada culpada, é conhecida por ser a mais famosa mulher serial killer na história do mundo.
Primeira faixa no disco em que Roine assume os vocais, o que ele deveria ter feito mais, gosto de sua voz. Ele divide os vocais, meio-a-meio, com Nad.

6. Between Sun & Moon
A primeira coisa que me veio na cabeça é que esse também é um título de uma música do Rush, que foi gravada no disco Counterparts (1993). Fora o nome as faixas não tem mais nada em comum.
Mal comentei dos vocais de Roine na faixa anterior e eis que ele me presenteia com mais uma.
Arrisco a dizer que é minha favorita até aqui, pela melodia alegre e contemplativa.

“When you look for a lifeline (Quando você precisar de ajuda)
And reasons to soldier on (E razões pra continuar em frente)
Take a look at your offspring and (Dê uma olhada para os seus filhos)
The seeds of success you’ve sown” (São as sementes do sucesso que você semeou)

Com esse refrão em mente e a faixa mais The Flower Kings do disco, atesto ser minha favorita.

7. Freak Of Life
A outra faixa compost por Nad começa com uma narrativa estilo circo/show de horrores pra combinar com o título.
A música fala das aberrações que costumavam ser mostradas nos Circos antigamente.
Perto dos 6 minutos uma seção apenas com vocais me deixou maravilhado.

8. Kingdom Of Heaven
Colada na faixa anterior vem a última música e única instrumental do disco, ou quase, já que Stolt canta duas linhas: “No more fears, no more tears…’
Abre com teclados, piano e pássaros e logo segue pra frase principal ao violão. Contemplativa a faixa serve também como homenagem póstuma, no encarte do CD Roine Stolt escreveu o seguinte: “Gostaria de dedicar este álbum à memória do meu pai Sune Stolt que faleceu em Janeiro de 2011. Ele não ouvia músicas elaboradas mas entendia a importância do trabalho duro e dedicação, minhas memórias de criança são dele me levando pra pescar e pra caminhar nas florestas sombrias.”
O final perfeito!

The Black Forest (2011) não é conceitual como numa história, mas tem um conceito geral, o lado sombrio da vida e das pessoas e é perfeitamente amarrado por Roine Stolt e banda. Mal posso esperar pelo novo disco de sua banda principal (leia AQUI).

Elegy

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