Alan Sorrenti – Aria (Resenha Diego Camargo)


Resenha: Diego Camargo

Nota: 

Banda: Alan Sorrenti
Disco: Aria
Ano: 1972
Selo: Harvest
Tipo: Estúdio

Faixas:
1. Aria – 19’49
2. Vorrei Incontrarti – 4’58
3. La Mia Mente – 7’36
4. Un Fiume Tranquillo – 8’01

Formação:
Alan Sorrenti – voz e violão
Antonio Esposito – bateria e percussão
Vittorio Nazzaro – baixo e violão clássico
Albert Prince – órgão hammond/acordeon/mellotron e synth harp
Tony Bonfilis – bow bass
Jean Costa – trombone
André Lajdi – trompete
Martin Paratore – dançarino espanhol
Músico convidado:
Jean Luc Ponty – violin na faixa 1

Resenha:
1. Aria
Bom, começamos a viajem de Alan com belos violões e o soprar do vento.
Enquanto isso agrupam-se melodias junto ao teclado e vozes.
O vocal de Alan é muito bonito, é do tipo falsete o tempo todo. Nessa extensa primeira parte a melodia é torta, e cheia de sinuosas curvas de sentimentos.
A linha de baixo de Vittorio Nazzaro é estranha, muito, mas boa.
A faixa vai crescendo de maneira envolvente e sem precedentes. Os vocais de Alan são totalmente doentes (risos) de uma maneira que eu ainda não tinha visto.
O violino de Jean Luc Ponty aparece por aqui e por ali em vários momentos.
Pouco depois dos 8 minutos a faixa cai um pouco de velocidade com o violão em primeiro plano ditando um ritmo sincopado, mas leve. Uma deixa para que o vocal de Alan continue doido.
Somente aos 9 minutos e meio é que a bateria entra em cena deixando a música com uma cara de ‘música (risos). O batera Antonio Esposito tem uma boa pegada, com viradas rápidas.
O tecladista (em termos de teclas mesmo, ele toca vários instrumentos) tem boa parte de ‘culpa’ também pelo som diferente.
Aos 12 minutos a faixa muda novamente, dessa vez com o próprio Nazzaro solando ao violão, enquanto Alan faz uma base alucinada. E claro que o violino de Jean está por toda parte.
Mais uma mudança e aos 16 minutos a calmaria toma conta do coração do nosso querido vocalista. Não consegui achar a letra dessa faixa, mas ele não parece repetir nenhum verso, e ele não para de cantar nenhum minuto (risos). Na parte final uma percussão ‘adoidada’ leva o violino ao delírio incendiando tudo de vez.

2. Vorrei Incontrarti
Bonita introdução, na época digital as duas faixas agrupadas (‘Aria’ e essa daqui) parecem uma continuação natural.
Boa base ao violão, o vocal dessa vez em toda a sua primeira parte é doce e melódico, só depois dos dois minutos numa parte de vocalizações é que é afetado um pouco.
E nessa afetação até o acordeon de Albert aparece, dando um puta clima bom na música. O assobio termina incólume.

3. La Mia Mente
Isso assustadoramente me lembrou ‘Dança Das Borboletas’ do primeiro disco solo do Zé Ramalho que por sua vez já me lembra bastante ‘Astronomy Domine’, faixa de abertura doThe Piper At The Gates Of Dawn (1967) do Pink Floyd.
Destaque pro baixo numa linha excelente.
Nessa faixa não tenho certeza se existe bem uma letra ou Alan simplesmente canta o que lhe vem a mente (como o próprio nome da faixa sugere).
Resumindo… loucura!

4. Un Fiume Tranquillo
Já começamos com uma tensa melodia no violoncelo de Tony Bonfilis e um bom piano de Albert.
E mais uma vez somos bombardeados por todos os lados com vocais e melodias sem fim do nosso amado Alan Sorrenti.
Aos 4 minutos a coisa pega fogo com bases de violão incendiárias, a bateria os acompanha de perto, boa base pra loucuras.
Voltam os pássaros, estamos na praça (imaginem!), mas algo não está bem, quem sabe um doido na rua tentando matar com uma faca na mão? Quem sabe apenas alguém no meio da rua com a cabeça em chamas por seus pensamentos mortais e perigosos que se não forem esvaziados pode fazer mal, muito mal.

Esse disco é sem sombra de dúvidas muito diferente, de uma loucura poucas vezes sentida.

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