Anathema – Weather Systems (Resenha Rodrigo ‘Rroio’ Carvalho)


Resenha: Rodrigo ‘Rroio’ Carvalho

Nota: 

Banda: Anathema
Disco: Weather Systems
Ano: 2012
Selo: Kscope Records
Tipo: Estúdio

Faixas:
1. Untouchable, Part 1 – 6’14
2. Untouchable, Part 2 – 5’33
3. The Gathering Of The Clouds – 3’27
4. Lightning Song – 5’25
5. Sunlight – 4’55
6. The Storm Before The Calm – 9’24
7. The Beginning And The End – 4’53
8. The Lost Child – 7’02
9. Internal Landscapes – 8’52

Formação:
Vincent Cavanagh – voz e guitarras
Daniel Cavanagh – guitarras, piano, teclados e vocais
Jamie Cavanagh – baixo
John Douglas – bateria, teclados e guitarras
Lee Douglas – voz

Resenha:
O Anathema iniciou suas atividades como uma banda pioneira do Doom Metal inglês, integrando a tríade clássica do estilo junto com o My Dying Bride e Paradise Lost. Invariavelmente, cada um deles seguiu um rumo diferente, e sem sombra de dúvida, quase vinte anos depois do seu álbum de estreia “Serenades”, a banda dos irmãos Cavanagh é a que mais se distanciou da proposta inicial.

E isso é algo ruim? De maneira nenhuma, pois o Atmospheric Rock, com generosas e bem encaixadas de Post Rock, Progressivo, Art Rock e Pop criou simplesmente uma sonoridade única, belíssima, carregada no sentimento e totalmente introspectiva. E em Weather Systems (2012), nono disco da carreira, os ingleses conseguem reunir os mais diversos elementos na sua fórmula, com uma execução basicamente perfeita.

Os belíssimos acordes acústicos de ‘Untouchable, Part 1’ se repetem ao longo de toda a música, que já de cara mostra um Anathema um pouco menos atmosférico e Post-Rock, se comparado com We’re Here Because We’re Here (2010), mas colocando um pé no Pop britânico e ainda totalmente imerso na beleza dos arranjos e das melodias características da banda (quando a voz de Lee Douglas entra você simplesmente chega a sentir um frio na espinha). Conduzida no piano, ‘Untouchable, Part 2’ tem um crescendo de arranjos incrível, aonde cada elemento vai sendo adicionado aos poucos, com destaque para as partes dobradas em que Vincent Cavanagh e Lee Douglas cantam ao mesmo tempo. E esses vocais roubam a cena novamente em ‘The Gathering Of The Clouds’, aonde a banda se utiliza desse artifício de forma completamente diferente, com cada voz fazendo um ponto e um ritmo, mesclando os versos ao longo de toda a curta faixa, que já emenda com ‘Lightning Song’ e uma das letras mais positivas e otimistas da carreira dos ingleses, cantada inteiramente pelo vocal feminino, um ponto fora da curva que trouxe muito para o som deles.

Sem erros, a balada ‘Sunlight’ consegue crescer gradativamente, gerando instrumentalmente uma expectativa natural de forma que você fica preso a ela desde os primeiros segundos da música até o seu levante nos últimos segundos. Sensação parecida pode ser percebida na longa ‘The Storm Before The Calm’, que traz bons efeitos eletrônicos (lembrando os momentos mais calmos do Katatonia em algumas partes) e soa como uma versão cheia de ruídos do que a banda fez no álbum anterior, até a metade, quando muda completamente e retoma o esquema piano/violão, de forma completamente diferente (ao analisar a letra e o título da música você percebe como cada detalhe foi minimamente pensado). A exemplo da primeira faixa, ‘The Beginning And The End’ tem uma linha principal de teclado que serve como base para todo o desenvolvimento da música, provando de uma vez por todas que a simplicidade nos arranjos muitas vezes consegue atingir resultados muito mais satisfatórios do que arriscar uma inovação não calculada devidamente. E mesmo na hora de tentar composições mais complexas o Anathema não perde a mão, como em ‘The Lost Child’, música de belos arranjos orquestrais e tempos complexos. Encerrando o disco, ‘Internal Landscapes’ remete novamente a aos grandes momentos de We’re Here Because We’re Here (2010) (principalmente à ótima ‘Dreaming Light’), mostrando como experimentar ainda mais com o direcionamento atmosférico foi um importante momento na carreira dos ingleses.

É até complicado falar sobre Weather Systems (2012). Assim como muitas bandas de Progressivo tem feito em 2012 (em especial, o Soen), o direcionamento musical do Anathema é totalmente baseado em traduzir através de outros meios de percepção sensorial algo puro e subjetivo como um sentimento. E por mais difícil que isso possa parecer, o resultado obtido aqui é algo respeitável, belíssimo, que simplesmente carrega o ouvinte para dentro da atmosfera e do universo criado pelas músicas, fazendo da experiência de ouvir este álbum algo único, resultado de todos os experimentos que os ingleses vêm fazendo desde o início da carreira e da experiência obtida ao longo destes 22 anos. Merecidamente, não apenas o seu maior e mais completo disco, como um dos grandes álbuns de 2012 e uma das mais belas obras da história do Rock.

Publicado originalmente no Progcast

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4 comentários em “Anathema – Weather Systems (Resenha Rodrigo ‘Rroio’ Carvalho)”

  1. achei, comparado ao anterior, o album muito repetitivo no sentido negativo. Todas as musicas parecem com a mesma estrutura (salvo algumas jóias como a “internal landscapes” e “the storm before the calm”.
    O disco é realmente bom, bem produzido, belos arranjos, mas a progressão na estrutura das musicas, com os instrumentos entrando todos em conjunto e culminando sempre no climax da musica, cansou… o marillion caiu nessa armadilha no “somewhere else”, e o resultado foi o disco posterior muuuuuuuuuuito superior.. espero que aconteça o mesmo com o Anathema.
    Pra mim, nota 8,0.

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  2. Pra mim, esse novo álbum do Anathema é excelente, principalmente pela atmosfera. As letras são fantásticas, e focam muito o lado espiritual. A música Internal Landscapes é uma música que me arrepia e faz vc pensar muito sobre vida pós morte e espiritualidade. Viajei muito e refleti muito ouvindo esse álbum. Ainda não captei todo o sentido, mas percebi que existe se vc resumir todas as músicas, terá uma mensagem que a banda quer passar para os ouvintes… ainda estou ouvindo!

    Musicalmente, concordo com o Adriano Madureira que a banda deixou a desejar de manter a estrutura das músicas muito parecidas… não é a toa que pra mim a melhor faixa do álbum (entre outras sensacionais) é a The Storm Before The Calm, que é a mais original do CD e de final de arrepiar!!!!

    Enfim, pra mim é um excelente CD, talvez entre no Top 10 do ano (tem mta coisa boa esse ano), mas é um excelente trabalho da banda, só que pra mim, We’re here because we’re ainda é um trabalho insuperável da banda… mas eles tem criatividade e sentimentos suficientes pra fazer um trabalho melhor que esses ainda.

    Nota: 8,5

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