Asturias – Circles In The Forest (Resenha Diego Camargo)


Resenha: Diego Camargo

Nota: 

Banda: Asturias
Disco: Circle In The Forest
Ano: 1988
Selo: King
Tipo: Estúdio

Faixas:
1. Ryu-Hyo – 4′59
2. Clairvoyance – 5′20
3. Angel Tree – 4′53
4. Tightrope – 6′55
5. Circle In The Forest – 22′21

Formação:
Yoh Ohyama – programações/sintetizadores/guitarras/baixo e percussão
Haruhiko Tsuda – guitarras
Akira Hanamoto – teclados
Kazumi Sakurai – bateria e percussão
Músicos convidados:
Yoko Ueno – voz
Hiroshi Ochiai – guitarras
Hajime Takeuchi – bateria africana

Resenha:
1. Ryu-Hyo
Bonita peça inicial ao piano, logo seguida do sintetizador que faz a base pro ‘dedilhado’ do piano. Uma série grande de teclas por toda a parte, umas se sobrepondo as outras numa melodia bem bonita. Yoh tem um bom senso melódico!
A bateria entra marcando o tempo apenas, as guitarras em duplas e com timbres muito bons entram repetindo o tema, e se estendem por toda a faixa.
Incontáveis camadas sonoras, culminando na linha de violão do final que se não te emociona esquece o teu coração em algum canto porque você não precisa mais dele.

2. Clairvoyance
Esse baixo programado tem a linha mais bacana que eu já ouvi.
É totalmente New Wave a faixa, cheia de teclados ‘cafonas’ e bateria eletrônica, mas querem saber? Isso é o que a torna legal, um Prog/New Wave, sim porque é Progressivo.
Na sefunda parte a percussão torna a canção um tanto quanto ‘clássica’, isso inclui algumas passagens instrumentais.
Depois da volta do tema, a coisa volta a ter um clima espacial para voltarem ao tema, só que dessa vez com um solo virtuoso com o sintetizador.
Concluindo o tema novamente, que faixa dos infernos, isso aqui é muito bom.

3. Angel Tree
Que engano esse comecinho (lembrei de Simpsons risos).
Depois da introdução com os teclados nossos ouvidos são invadidos com uma belíssima melodia ao violão de náilon, pra competir com o belo nome escolhido para a canção.
Lá pelos idos da metade (um pouco depois) da faixa, uma pequena intersecção de sintetizadores esquizofrênicos, que em nada comprometem o resultado final. Mas logo o tema é repetido, o que é muito bom, uma melodia soberba.

4. Tightrope
Que som animal! Que linha de baixo! Bateia marcante! Uma linha de teclados muito bacana, e uma boa guitarra de interlúdio.
Nessa faixa eu acredito que a banda toda tenha participado nessa sequência: Yoh Ohyama – baixo, Haruhiko Tsuda – guitarra, Akira Hanamoto – teclado, Kazumi Sakurai – bateria. Já que ao que parece nas outras faixas foi o próprio Yoh que gravou tudo. Mas ele é o cara tocando o baixo mesmo.
Lá pelas tantas o violão invade tudo, um estranho teclado que eu chamo de ‘flauta de cristal dentro da caverna’ (risos).
A banda volta com a bateria forte e com um solo de guitarra muito bom. Banda afiada e fazendo um som genial, excelente. Obrigatório. Totalmente! Fiquei até sem palavras pra descrever a coisa toda, só escutando mesmo.

5. Circle In The Forest
A faixa épica ‘Circle In The Forest’ é como o próprio Yoh disse no site da banda, era o que ele queria pro seu primeiro disco, uma faixa longa com traços épicos como a própria ‘Tubular Bells’ de Mike Oldfield (que se resume a duas longas faixas com mais de 20 minutos cada, a exemplo de Thick As A Brick (1972) do Jethro Tull).
Iniciada ao teclado com um dedilhado genial no fim de cada tempo e um outro teclado com som de flauta (dessa vez não é o som da ‘flauta de cristal dentro da caverna’ risos). Uma bonita melodia.
O segundo dos temas vem recheado de uma linha de guitarra dupliacada intrigante.
Agora a coisa pega mesmo é quando a banda toda entra na roda deixando de herança uma métrica maluca e melodia caótica, o que é imensamente excelente.
É difícil pra mim explicar como me senti ouvindo tudo isso (e olha que pra isso acontecer tem que me emocionar e me empolgar mesmo).
Numa parte mais emotiva encontramos os vocais Yoko Ueno num vocalize bem bonito.
A parte science fiction começa pouco depois dos 8 minutos e temos um baixo marcando tempo quase hipnoticamente uma infinidade de teclados e uma bateria frenética. Sabem de uma coisa? É muito bom ouvir esse som, uma das únicas bandas instrumentais que eu ouço com gosto. E tem mais isso é final dos anos 80 (1988), nesse tempo a música era empesteada de coisas ruins e sem gosto. Um orgulho ter descoberto esse som!
Exatamente aos 12 minutos um violão surge e com ele traz uma nova melodia, definitivamente se não era a intenção a música parece ser dividida numa segunda parte, num tema belíssimo ao piano (uma melodia é construída sobre esse piano com um som de gaita de fole ou algo assim risos).
Ao 15 minutos e meio uma nova melodia surge, vindo uma de cada lado dos fones, trazendo uma real viagem, (sempre recomendo pra galera fazer uma primeira audição caprichada com fones de ouvido, de preferência aqueles grandes que cobrem os ouvidos pra poderem prestar real atenção ao som, vocês não imaginam o que se descobre em discos que você escuta há anos com esses fones).
Uma nova faixa de sons, com bateria e baixo num ritmo frenético e empolgante, base mais que excelente para os teclados que se sobrepõem durante todo o disco.
Aos 19 minutos e meio a faixa toma tons de faroeste, acho que esse tema em questão foi inspirado nas antigas séries de faroeste americanas, pelo menos a melodia me remete muito a isso. As guitarras principalmente. E cada vez mais a canção toma proporções épicas, desde o começo ela vem num crescendo que toma os falantes em toda a proporção.
A parte de encerramento tem os vocais novamente e ao fundo os sempre presentes teclados (que diferença eles fazem, sei por experiência própria).

É difícil, muito difícil não gostar desse disco. É até difícil pra mim escrever sobre ele, por alguma razão eu não gosto de discos instrumentais, deve ser pelo fato de escrever e achar que as palavras são importantes. Mas nesse caso é totalmente diferente. Um disco totalmente obrigatório.

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2 comentários em “Asturias – Circles In The Forest (Resenha Diego Camargo)”

  1. Adoro esse disco também. Mas os timbres de teclados e bateria não são legais. Timbres pasteurizados de D50,Dx7,M1 etc…dava pra fazer melhor.Ainda mais no japão. Mas as melodias e composições são lindas.

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  2. Conheci este trabalho por indicação de um colega que, por saber de minha busca por instrumental progressivo, me deu a dica. Consegui adquirir todos os álbums através do próprio site da banda, com exceção de Cryptogam Illusion, uma raridade que somente consegui depois de uma difícil garimpagem pela net. Todos os álbums, sem exceção de nenhuma faixa, constituem um trabalho de qualidade, inspirado, inovador, original e uma nova surpresa a cada passagem. Recomendado também, mas não somente, para quem curte estilos puramente instrumentais. Parabéns pelo post, Diego!

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