Resenha: Cálix – Canções De Beurin (2000)


Por Diego Camargo

Nota: 

Disco: Canções De Beurin
Ano: 2000
Selo: Independente

Faixas:
1. Dança Com Devas – 6’28
2. Além Do Vento – 3’50
3. No More Whispers – 3’36
4. Kian – 4’31
5. Canções De Beurin – 6’16
6. O Sonho – 4’09
7. Novidades – 4’55
8. Pra Hoje Um Sol – 3’10
9. Águas – 5’13
10. Não Se Lembram Do Que São – 3’32
11. Lanças – 2’37
12. O Fortuna (Carmina Burana) – 3’59

Formação:
Renato Savassi – voz/flauta e violão
Sânzio Brandão – guitarra e violões de 6 e 12 cordas
Marcelo Cioglia – baixo e vocais
André Godoy – bateria e percussão
Rufino Silvério – piano/teclados e vocais

Resenha:
1. Dança Com Devas

A flauta do começo junto ao bandolim e tudo o mais avisa dobre o que está começando. Os vocais de Renato são muito bons e o melhor de tudo… em português. O refrão é cativante e bem ‘obscuro’, leva a pensar quem é Devas… Depois de uma parte mais calma a letra contudente volta a fazer efeito sobre as mentes, o instrumental é perfeito. Destaque para o belo solo de guitarra de Sânzio, e as belas partes intrumentais da banda, principalmente flautas. A cítara no final é perfeita ao tom da canção.

2. Além Do Vento
O começo já é promissor com a banda fazendo convenções e com o baixo de Marcelo dando uma de Geddy Lee (risos), a melodia vocal dos versos é sensacional, as vocalizações, a letra. Que música boa! A parte ‘reta’ do verso contrasta perfeitamente com as convenções principalmente de flauta, os teclados de Rufino, baixo e a bateria de André. Uma banda sem dúvida com porte internacional fácil, Muitas vezes melhor do que muita banda dos anos 70 cultuada.

3. No More Whispers
O riff é bem Rock And Roll (a guitarra nessa faixa é), os vocais em inglês, por sinal os únicos do disco, não são ruins, longe disso, o charme é justamente eles cantarem em português. Do meio pra frente nos surpreendem com um reggae com flauta e tudo (risos)

4. Kian
Guitarra barulhenta, baixo bem grave, as flautas num incessante cantar. Essa faixa tem uma estranha letra (não sei bem qual o idioma) escrita pelo Marcus Vianna (o próprio), essa faixa tem uma sonoridade 80’s, nada que desabone o produto final.

5. Canções De Beurin
Uma seção instrumental acústica perfeita, o clima é perfeito, a letra é maravilhosa. Seção de pianos também perfeita. Resumindo a melhor do disco e se bobear a melhor música já escrita por aqui, sem exageros.

6. O Sonho
Depois de uma puta introdução de piano todo quebrado, uma guitarrinha sola sem parar, e a base toda pop (no bom sentido da coisa) é muito boa. Um quase solo de baixo bem soul leva a banda pro solo de guitarra, que pra variar é muito bem tocado.

7. Novidades
Piano e flauta dão a base para um baixo bem sacado, uma percussão de leve e os vocais duplicados. Letra sensacional, pianos mais ainda. E refrão cativante e bem bolado nas suas palavras. A banda em geral escreve muito bem suas letras.

8. Pra Hoje Um Sol
A percussão é influência oriental com certeza, acho que marroquina. Enquanto isso as flautas e pianos fazem uma cama melodiosa para o vocal. No geral uma canção singela.

9. Águas
Cara! Esse piano é sensacional, logo em seguida som de águas correndo, e a guitarra repetindo o piano. Quando o vocal entra me dá a impressão de que ele está aso pés de um rio cantando para a natureza. O baixo é sensacional na segunda parte, junto daquelas guitarras ‘Echoes’ típicas do David Gilmour. A segunda parte é Cálix total! É o som da banda mesmo (o que é difícil uma banda conseguir logo de cara), uma mistura de Jethro Tull com um pouquinho de Genesis e Camel, mas com guitarras mais rock, mais pesadas. As letras são todas sensacionalmente muito bem escritas e as melodias muito bem cantadas. A banda tem aquele som progressivo que eu adoro que é aquela parte da música onde todos os instrumentos tocam o mesmo em uníssono. Muito bom!

10. Não Se Lembram Do Que São
A guitarra totalmente Rock e as flautas dão um contraste gigante, ainda mais quando as duas fazem tudo junto. Mais uma vez a melodia vocal perfeitamente bem encaixada na melodia da música e com as palavras escolhidas. Outro destaque da banda são os vocais duplicados ora pelo próprio vocalista Renato, ora pelos seus dois ‘comparsas’ de voz Marcelo e Rufino.

11. Lanças
Lanças, tem um teclado que lembra o Floyd na lata, mas em seguidas entram uns sons de cítara e achamos que se trata de outra com influência oriental. Que nada! Ledo engano. É prog/Rock instrumental dos bons, com a banda entrando com muita facilidade por muitas mudanças de tempo e sem perder o pique.

12. O Fortuna (Carmina Burana)
Uma Sensacional e surpreendente versão de um dos atos da ópera Carmin Burana (de Carl Orff). Vocês com certeza conhecem esse ato, mas com certeza se surpreenserão com a musicalidade do grupo.