Resenha: Clepsydra – Fears


Por Diego Camargo

Nota:

Disco: Fears
Ano: 1997
Selo: SPV

Faixas:
01. Soaked – 9′02
02. The Missing Spark – 9′02
03. Into My Cartoon – 4′08
04. The Age Of Glass – 5′53
05. Fearless – 3′57
06. Daisies In The Sunshine – 2′31
07. The Cloister – 5′46
08. The Nineteenth Hole – 8′42
09. Sweet Smelling Wood – 2′46
10. Fear – 10′53

Integrantes:
Aluisio Maggini – voz
Marco Cerulli – guitarras e saxofone
Philip Hubert – teclados
Pietro Duca – bateria e percussão
Andy Thommen – baixo

Resenha:

01. Soaked
O som dos trovões e o cantar desperta, a guitarra tem um timbre limpo, a bateria morre em rolos infinitos.
Na entrada da banda um ritmo quebrado, um som de teclado muito bacana de Philip Hubert e um solo de guitarra de Marco Cerulli.
Então Aluisio Maggini começa a cantar, e lhes digo que é uma boa surpresa! Ele não é exagerado nem tão pouco chato em seus vocais. E o som continuam em sua batida quebrada.
O ‘refrão’ por assim dizer tem os vocais em eco e as boas batidas quebradas e fora de ritmo do batera Pietro Duca.
O solo de guitarra é daqueles emocionais, ainda mais quando a melodia da música muda a favor da guitarra, então volta o tema cantado por Aluisio.
Dos som dos trovões do começo ao da tempestade no fim.

02. The Missing Spark
O início é de solo, e uma base muito usada pelas bandas Neo Prog, com o chimbau da bateria marcado o tempo freneticamente, e cheio de modulações de tom.
Na primeira parada os teclados é que mandam, pelo menos até que o vocal entre, é incrível como as bandas Neo tem o dom de encontrar bons vocalistas, mas não com aquelas vozes típicas de vocalistas, cheias de pompa e técnica, são vozes que passam emoção.
Começando a ‘segunda parte’ a coisa fica levemente mais pesada com a guitarra, um solo de sintetizador muito bom também é destaque.
A cozinha da banda com o batera Pietro e o baixista Andy Thommen é muitíssimo competente, sempre encaixando boas métricas e com um bom entrosamento.
Depois da metade a parte que aparece me lembrou bastante Marillion. E em meio a mais uma parte quebrada (que logo volta ao normal) o solo de guitarra volta à tona e dura praticamente até o final da faixa.

03. Into My Cartoon
Emocional! Essas bandas não compõem baladas, normalmente são músicas reflexivas para uma parte da história (já que a maioria dos discos é conceitual), e todos sabem que ao contarmos uma história os momentos reflexivos/tristes sempre irão aparecer. Aqui eles aparecem na forma do piano inicial.
As várias partes vão se sobrepondo em formatos, cores e temas. Uma bela guitarra limpa e um final bonito, principalmente nos timbres de teclados.

04. The Age Of Glass
Já colada em Into My Cartoon a quarta faixa, The Age Of Glass, entra com o vocal e com um sintetizador tenso, que logo é substituído por um timbre de cravo muito legal.
Os vários acordes de teclado continuam oferecendo boas camas para a cozinha precisa de baixo e bateria e também para um solo curto mas virtuoso de guitarra.
Depois de uma extensa parte de vocais muito bem cantados o ‘quase’ cravo retorna de maneira clássica pra acabar a música.

05. Fearless
Já começamos bem com uma programação muito legal de sintetizador. As guitarras dessa vez tem realmente um Q pesado de metal. E dá-lhe um ritmo sincopado, mas ágil e vocais bem encaixados na melodia (senti ecos de Geddy Lee nesse vocal).
Na parte final dois teclados (um sobre o outro) fazem um belo par de riffs, depois de um tempo a guitarra entra também, mas o som é levado até o fim pelos excelentes teclados.

06. Daisies In The Sunshine?
Um bom violão inicia a faixa, a gravação (pelo menos com escutando com os fones) ficou bem clara, apesar do eco (que simula ambiência) dá pra ouvir todos os detalhes do violão.
Um instrumental bonito, muito bonito mesmo.

07. The Cloister
A natureza, pássaros e o tempo que grita urgente. Numa bela melodia nas faces da verdadeira parte emotiva ouvimos um vocal bacana e um bom solo.
Sabem de uma coisa? Philip é muito bom em suas linhas de teclados.
E os passos, passam, enganam e mentem, inclusive aos olhos.
A melodia final (que tem o som parecido com o de uma flauta) me lembra algo.

08. The Nineteenth Hole
O dedilhado da guitarra e a vocalização cheia de eco é quem comanda a roda.
Algumas síncopas de baixo e bateria antes do tema realmente começar, os sintetizadores são sempre bem representados.
Rítmica quebrada, quase uma guitarra funk/soul, pra logo em seguida desandar no Rock ‘N’ Roll de solo e tudo. Que dura puco também. Apenas adiando o necessário, escondendo o jogo dentro das músicas.
Alguém prestou atenção no quase coral?
O guitarra Marco abre seu leque de opções pela primeira vez e nos brinda com um solo de saxofone.

09. Sweet Smelling Wood
Os variados timbres de teclado, a melodia tensa, o piano martelando as notas como um robô. Me parece que algumas frases nessa daqui Aluisio canta em outra língua. Mas a certeza se vai quando nota-se o inglês novamente.

10. Fear
A faixa de finalização a ‘épica’ do disco.
Até parada no som e uma pequena narrativa teve.
Os solos de guitarra são bem aproveitados nos espaços, e os vocais foram bem cantados, baixo marcante e bateria cheia de detalhes em partes.
Só acho que eles poderiam ter apostado mais. Mesmo com o som das crianças e todos os bons climas. Incluindo o belo som de chuva do final.

Disco interessante. As bandas Neo Prog só tem um defeito, seus discos sempre tem mais que uma hora quando deveriam ter 45 minutos, o que pra mim é o tempo ideal de um disco desse estilo, longo demais cansa.

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