Resenha: Copernicus – Disappearance


Por Jefferson A. Nunes

Nota: 

Disco: Disappearance
Ano: 2009
Selo: Nevermore Inc/Moonjune Records

Faixas:
1. 12 Subatomic Particles – 9’48
2. The Quark Gluon Plasma – 7’23
3. The Blind Zombies – 8’45
4. Humanity Created The Illusion Of Itself – 6’57
5. Atomic New Orleans – 5’23
6. Poor Homo Sapiens – 13’49
7. Revolution!! – 20’55

Integrantes:
Copernicus – voz, poesia e teclados
Pierce Turner – direção musical, órgão Hammond B3, piano, percussão e vocais
Larry Kirwan – guitarra e vocais
Mike Fazio – guitarra
Bob Hoffnar – guitarra steel
Raimundo Penaforte – viola, violão, cavaquinho, percussão e vocais
Cesar Aragundi – guitarra e violão
Fred Parcells – trombone
Rob Thomas – violino
Matty Fillou – saxofone tenor e percussão
Marvin Wright – baixo, guitarra e percussão
George Rush – tuba, contrabaixo e baixo
Thomas Hamlin – bateria e percussão
Mark Brotter – bateria e percussão

Resenha:

1. 12 Subatomic Particles
O som do Copernicus é um Jazz Experimental. Ponto. Porém nesse disco eles foram mais longe no experimentalismo, conseguindo criar um tom mais introspectivo e mais bem ordenado a primeira vista que no disco Nothing Exists (1985), e que torna esse disco mais difícil de ser assimilado (eu mesmo demorei muito para apreciar seus movimentos melódicos). Não irei citar todos as texturas, pois são treze os músicos que acompanham Copernicus, por isso é difícil analisar todos.
Pois bem. Começando o disco, como é de se esperar, a voz grave de Copernicus começa falando de forma profunda, sendo acompanhada depois por um som de teclado que dá a impressão de movimento, e que fica ao fundo. Ele continua seu discurso, dando um tom desesperado à voz, enquanto o baixo e o violão tocam notas ao acaso, adicionando dimensões distintas ao som.
Assim a música segue até o final, com o som dos instrumentos crescendo aos poucos, e melodias mais bem organizadas, principalmente no que diz respeito à guitarra, que faz solos ao fundo são feitas.

2. The Quark Gluon Plasma
Começa com uma linha fantástica de violão, que é acompanhada por batidas feitas por dedos na caixa do violão, e por sons estranhos de teclado ao fundo. Copernicus fala com sua voz visceral as suas frases graves. Tem mais ênfase para o instrumental cheio de instrumentos e mais voltado para tons acústicos, esses que, aliás, mostram a grande qualidade dos músicos do grupo. Muito bonita, pra mim é um dos destaques do disco.

3. The Blind Zombies
Começa com linhas melódicas de guitarra mais tradicionais, acompanhada pela voz de Copernicus. Vai incorporando instrumentos e vocais remotos e calmos, enquanto o instrumental vai crescendo e incorporando mais instrumentos. Tem solos “despretensiosos” de guitarra muito bonitos e de pegada durante a composição. Copernicus faz suas vozes desesperadas e raivosas durante vários momentos, dando um tom diferente a composição.
De 5:01 em diante predominam instrumentos de música clássica tocando de forma bem interessante, que vão dominar o instrumental da composição até o fim dela. Linda!

4. Humanity Created The Illusion Of Itself
Começa macabra, com linhas de baixo e teclado mais negras, enquanto Copernicus faz seus tradicionais discursos inflamados. Um sax começa a fazer linhas intercalando-se com a voz de Copernicus, o que traz ao som uma atmosfera diferente. Continua assim, com batidas abafadas da bateria crescendo, enquanto outras linhas são adicionadas ao acaso pelos demais músicos. Cresce até ter um final hipnotizante e desesperado, com sonoridade densa.

5. Atomic New Orleans
Começa com linhas bem interessantes de guitarra, que, com o acompanhamento eventual de um sax e da voz de Copernicus, vão se transformando aos poucos em um Blues fantástico. Conta com o sempre denso instrumental, mas com um tom mais tradicional e claro, que vai evoluindo de forma bem interessante, tendo, a partir de 3:48 um solo fantástico de guitarra de muita pegada, que serve de “base” para os vocais pergunta-resposta de Copernicus com outro membro da banda. Interessante notar que a voz de Copernicus se adapta muito bem a esse tipo de som, algo que eu considero surpreendente, levando em conta o tom experimental da sua voz… Pra mim a melhor do disco.

6. Poor Homo Sapiens
Começa com linhas de várias guitarras e o teclado, acompanhadas a seguir pelos metais da banda, em especial a tuba. Esse será o “esqueleto” da música, enquanto outras linhas melódicas e os discursos de Copernicus vão sendo adicionados em cima desse tema. Tem solos de sax muito bons em alguns momentos, que enriquecem muito a composição. Os últimos minutos resumem-se quase exclusivamente a um acorde profundo e estranho de teclado, quebrado por frases vocais e por alguma nota dos outros instrumentos.

7. Revolution!!
Batidas marciais iniciam esse épico de 20 minutos. Logo depois Copernicus começa seus discursos, enquanto sons estranhos são adicionados às vezes. O instrumental vai crescendo junto com a voz inflamada de Copernicus aos poucos, com mais instrumentos começando a participar do som.
Essa evolução vai continuar por quase toda a música, com um instrumental extremamente denso, complexo e a primeira vista desordenado dominando o som. Um final apropiado para o disco de um grande representante do Jazz Fusion.
Tive a impressão de que o álbum é conceitual, pois muitos elementos são os mesmos nas músicas. Pra quem achar a primeira vista o som estranho e desordenado demais não desista! Vale a pena tentar entender o som do Copernicus, garanto que não irá se arrepender!

E pra quem quiser ver e descobrir como todos esses 13 músicos mais o Copernicus conseguem interagir, recomendo ESSE LINK onde há todas as músicas do Disappearance (2009) sendo gravadas em estúdio mais um Making Of. Vale muito à pena conferir!

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