Resenha: Dream Theater – Six Degrees Of Inner Turbulence (2002)


Por Diego Camargo

 

Nota: 

Disco: Six Degrees Of Inner Turbulence
Ano: 2002
Selo: Elektra

Faixas:
Disco 1
1. The Glass Prison – 13’52
2. Blind Faith – 10’21
3. Misunderstood – 9’32
4. The Great Debate – 13’45
5. Disappear – 6’45

Disco 2

1. Six Degrees Of Inner Turbulence – 42’02
i) Overture
ii) About To Crash
iii) War Inside My Head
iv) The Test That Stumped Them All
v) Goodnight Kiss
vi) Solitary Shell
vii) About to Crash (Reprise)
viii) Losing Time / Grand Finale

Formação:
James LaBrie – voz
John Myung – baixo
John Petrucci – guitarras e vocais
Mike Portnoy – bateria/percussão e vocais
Jordan Rudess – teclados

Resenha:

(NOTA PROGSHINE: Ouçam o Metropolis Pt2: Secenes From A Memory (1999) antes de ouvirem esse disco se possível)

Disco 1
1. The Glass Prison
Chiados de um antigo LP, (entenderão quando ouvirem o Metropolis) e sinos, sinos que anunciam o que virá.
Pra começar John Myung é um dos maiores baixistas que já pisaram num palco, e junto dele John Petrucci que também é um dos maiores guitarristas do Rock, ele conseguem transitar em muitos estilos diferentes e com muita naturalidade.
Aos 2 minutos, logo de cara, uma das marcas da banda, riffs rápidos, pesados e complicados, em tempos quebrados. Quase metal mesmo.
James LaBrie, muitos não gostam do seu vocal, eu acho que cada vez que eu escuto gosto mais, é um vocal diferenciado e bem agudo, e ele sabe construir boas linhas melódicas.
A banda segue num peso desconcertante, mas pra quebrar esse gelo Jordan Rudess compôs linhas ‘leves’ no teclado.
Aos 4 e 40 mais uma marca do Dream Theater, os refrões melódicos que podem ser facilmente cantados junto. Rudess é um grande destaque na banda nesse disco.
E o que dizer do nosso camarada Portnoy? O cara é um monstro sagrado da bateria.
Uma tremenda de uma quebradeira com vocais pergunta-resposta (acompanhem as letras no arquivo).
Aos 9 e 40 um dos riffs mais fodas já compostos, e muito, mas muito rápido, e como se não bastasse, alguns segundos depois ele fica ainda mais rápido. É incrível a disposição de Myung tocando (quem toca sabe do que eu estou falando). Jordan também executa um solo muito interessante de teclado e o Petrucci destrói a guitarra.
O riff que fica nas pausas é de uma criatividade absurda, e a sequência de um peso.
E que letra boa.

2. Blind Faith
‘Blind Faith’ contrasta totalmente com a música anterior, depois de uma porrada na abertura do disco temos uma faixa mais introspectiva. E o incrível é ver como Portnoy constrói maravilhosamente suas levadas.
Não que isso deixo o peso de fora da faixa, pelo contrário, até porque isso é quase impossível com o Dream Theater.
Depois dos 5 minutos Petrucci engata um solo divino, com uma certa influência Jazz, no riif seguinte uma batida mais cadenciada. Depois é a vez do piano de Rudess e de orquestrações, o que valoriza e muito o tema.
A sequência instrumental deixa o pessoal embasbacado, só um aperitivo pra excelente melodia do vocal, e claro, o refrão, mais um vez intocável.

3. Misunderstood
Isso sim é melodia, harmonia, complexidade. Muitas vezes as coisas mais simples são as mais belas.
Depois da introdução majestosa, quase chegando aos 2 minutos a banda começa um-a-um a entrar, mas a coisa volta, dando um clima Beatles psicodélico total.
No refrão pesado e sensacional James canta: como posso me sentir sozinho mesmo com o mundo todo me cercando? A frase do personagem é fantástica, mas a maioria de nós conhece perfeitamente essa resposta.
Depois dos 4 minutos e meio há uma parte super grave e pesada com guitarras duplicadas e magistrais.
A sonoridade que a banda carrega nessa faixa é outra coisa sensacional.
Na parte final há um compasso cheio de barulhos e microfonias.

4. The Great Debate
Primeiro de tudo, que linha de baixo é essa? Muito bom!
O mais interessante dessa faixa é que ela tem uma intrudução diferente, enquanto a música vai evoluindo repórteres e políticos são usados como vocal, seus discursos estão por todo lugar.
E a música tem um instrumental incrível.
Só lá pelos 3 minutos é que James canta alguns versos com vários efeitos na voz. E depois do refrão (ótimo por sinal, o que é redundância se tratando desses caras).
Nos vocais aos 5 minutos eu vi uma influência de Metallica incrível, na maneira raivosa de cantar.
A parte percussiva que segue é mais uma coisa a se dar atenção (o disco todo aliás).
A música segue em um riff alucinante e num solo de sintetizador que é até difícil dizer se realmente é um sintetizador dada a tamanha perfeição e rapidez, praticamente a mesma rapidez do solo de guitarra que segue, sensacional. E dá-lhe ritmos quebrados.
E da mesma maneira que o tema iniciou ele termina, cheio de falas, discursos e repórteres.

5. Disappear
O começo engana! Na verdade uma balada de violão e piano. Mas não pensem em balada no sentido meloso e romântico da palavra.
E mais uma vez eu vejo Beatles na parada aos 2 minutos com aqueles vocais cheios de efeitos e ecos típicos dos anos 60.
Uma canção de batida calma e tom emocional (acompanhem a letra).
Mas não se enganem, não é o fim do disco 1 e sim o meio da história (captaram a mensagem? risos).

Disco 2
1. Six Degrees of Inner Turbulence
I-Overture
II-About To Crash
III-War Inside My Head
IV-The Test That Stumped Them All
V-Goodnight Kiss
VI-Solitary Shell
VII-About To Crash (Reprise)
VIII-Losing Time/Grand Finale

Épico? Não! Que é isso! O Dream Theater investiu pesado nesse tema gigante.
Sua intrudução com tema orquestrado e algumas passagens que me lembram bastante o Angra, contruíram um tema com certa influência árabe também. Uma perfeita comunhão entre banda e orquestra.
O segundo tema ‘About To Crash’ tem uma melodia quase dançante deliciosa, invoco-o a escutá-la e não cantar e pelo menos balançar cabeça junto.
Aos 9 minutos a batera de Portnoy invocada como sempre, tem uma pegada, principalmente com o chimbau, arrasadora, é a vez de ‘War Inside My Head’.
Aos 12 e meio a banda entra em parafuso em uma parte densa, tensa e pesada. Na sequência os ótimos vocais de James, divididos com os de John e um quebra-quebra genial numa síncopa altamente complexa e de quebra a base de uma guitarra paranóica que se repete por um tempo.
Em ‘The Test That Stumped Them All’ os vocias pergunta e resposta são muito legais, enquanto isso o peso impera, quase um trash-prog. É incrível a competência dos caras em criar riffs complexos.
A quinta parte ‘Goodnight Kiss’ é linda, com as falas de uma criança e de sua mãe, LaBrie canta muito uma belíssima melodia. E como não poderia deixar de ser o solo de Petrucci é molódico e muito bem feito.
Em ‘Solitary Shell’ bumbo marcando, solo de guitarra, e ao fundo muitos sons do cotidiano que acabam num belíssimo tema ao violão. É incrível como essa melodia é cativante e o refrão então? Mais ainda. Na troca de um tema pro outro senti ecos de Angra novamente, principalmente nos teclados. Isso é ótimo.
Pouco depois dos 33 minutos a parte 7 do tema dá as caras como a Reprise do 2º, nesse caso apesar do tema vocal ser o mesmo a banda continua inovando e procurando cada vez mais.
Pouco mais de 36 minutos, ‘Losing Time’ a 8º e última parte canta uma bonita melodia. Acabando toda a melodia com o ‘Grand Finale’, num tom mais que emocional. Simplesmente um dos discos mais fodas (ops!) que eu já ouvi.

(NOTA DO PROGSHINE: Depois desse aqui vão correndo ouvir o Train Of Thought na sequência).

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