Resenha: Emerson, Lake & Palmer – Emerson, Lake & Palmer (1970)


Por Jefferson A. Nunes

Nota:  

Disco: Emerson, Lake & Palmer
Ano: 1970
Selo: Atlantic

Faixas:
1. The Barbarian – 4’33
2. Take A Pebble – 12’34
3. Knife-Edge – 5’08
4. The Three Fates – 7’45
a) Clotho (Royal Festival Hall Organ)
b) Lachesis (Piano Solo)
c) Atropos (Piano Trio)
5. Tank – 6’52
6. Lucky Man – 4’36

Formação:
Greg Lake – voz/baixo/guitarra e violão
Keith Emerson – teclados e sintetizadores
Carl Palmer – bateria e percussão

Resenha:
1. The Barbarian
Certamente um dos melhores momentos do Prog de todos os tempos, um disco impecável e muito inspirado, que trouxe ao mundo um dos trios mais influentes e visionários da música, mas que hoje é visto com desprezo por pessoas que nem ao menos conhecem o som da banda e já saem os chamando de ego maníacos (coisa, aliás, que os que não gostam de Progressivo dizem de todas os grupos do gênero…).
E, curiosamente, a primeira música da banda NÃO É da banda. Como assim?
É que ‘The Barbarian’ é na verdade uma releitura de um solo de piano chamado Allegro Barbaro de Béla Bartók, e que ganhou uma interpretação inspirada dos músicos, com direito a baixo distorcido, bateria pulsante e teclados modificados.
Mas curioso também que a versão da banda tem um tom muito original, com arranjos muito diferentes do original, e parecendo que a composição realmente é do grupo. Quem me dera fazer uma releitura assim!

2. Take A Pebble
Pra mim o melhor momento do disco. É uma música mais longa e rica em detalhes do disco, cheia de mudanças e texturas distintas, mas que demora até ser apreciada, tamanha a quantidade de informações musicais contidas nela.
Começa com uma linha suave de piano, aliada logo depois a uma base muito boa de baixo, batidas suaves mais voltadas para a condução da bateria, e que abre espaço, em 0:43 para a voz poderosa e ao mesmo tempo suave de Greg Lake, pra mim um dos maiores cantores do meio Progressivo.
Depois da segunda parte há um solo de teclado muito complexo e bem interessante, prazeroso de ser ouvido, com algo de Jazz na minha opinião, algo que vai ser evidenciado há partir de 3:33, quando um acorde de teclado morre no ar, e apenas o violão de Lake pode ser ouvido.
Lake faz uma das linhas de violão mais bonitas que já vi, realmente muito inspirada, e que vai evoluindo, incorporando batidas de palmas a parir de 5: 16. Então, em 6:25 Emerson volta a dominar a faixa, com um toque de Jazz tradicional ainda mais forte, numa evolução musical inebriante.
Incorpora a bateria e, em 11:19 Lake volta a cantar, encerrando a composição de forma bem harmoniosa. Linda!

3. Knife-Edge
Quem disse que uma banda sem guitarra não é pesada? O início dessa faixa é pesado, e a linha de baixo se encaixa muito bem com o teclado pulsante e a bateria forte de Palmer. Os vocais são F-A-N-T-Á-S-T-I-C-O-S, e intercalam-se com melodias complexas e viciantes, que se transformam em um solo de teclado em 2:32, sendo esse um dos melhores momentos do álbum, pois o solo passa por vários momentos e texturas distintas, culminando com a repetição da parte pesada e com os vocais desafiadores no final.

4. The Three Fates
a) Clotho (Royal Festival Hall Organ)
Começo macabro de teclado, que mostra outra faceta de Emerson. É uma grande exibição das habilidades dele, mas não chega a se tornar ego maníaco em nenhum momento. Evolui de forma lenta, passando por vários momentos distintos, com muitas escalas, sempre com base em um tom obscuro.

b) Lachesis (Piano Solo)
Começa em 1:51, e é a parte mais longa da música, com uma evolução constante e muito interessante, com escalas fantásticas, com base em compositores clássicos, e onde o piano mostra toda sua força. Difícil imaginar dentro do universo progressivo algum pianista mais talentoso que Emerson…

c) Atropos (Piano Trio)
Começa em 4:31, com acordes parecidos com os da parte inicial, e é uma parte bem interessante, onde Emerson utilizou três pianos para criar um som uniforme e extremamente complexo, que surpreende pela qualidade. Interessante que nenhuma linha de piano atrapalha a outra, pois foi tudo criado com harmonia e sincronismo perfeitos. Palmer acompanha em diversos momentos na bateria, com uma batida mais exótica, utilizando peças inusitadas e pouco usadas.

5. Tank
Começa com uma batida tranquila, incluindo logo depois uma base bem interessante de baixo e teclado. Depois de um solo de teclado, a bateria e os demais instrumentos intercalam paradas e lick’s de bateria violentos, parando em 1: 59, quando começa o grande momento da faixa, o solo de bateria de Palmer.
Você pode pensar: “Ora, qualquer um faz um solo de bateria!”. É, mas duvido que faça algo parecido com o que Palmer faz. A qualidade técnica dele é algo assombroso, e o solo segue uma sequência que não o deixa chato em nenhum momento, pois Palmer usa todas as peças da bateria com precisão e peso, formando um som com início / meio e fim, tudo de forma harmoniosa.
Então, em 4:13 o baixo e o teclado voltam a tocar, e um solo de teclado muito bom, com uma tonalidade mais aguda começa e domina a faixa até o fim.

6. Lucky Man
A última faixa do disco é a única comercial, dominada pelas linhas precisas e belas de violão de Lake, e pela sua voz clara e poderosa. É muito bonita, com um refrão muito viciante, batida contida da bateria e quase nada de teclados, com exceção do solo na parte final. Tem inclusive um solo de guitarra, simples, mas muito bom.
Um final apropriado para um dos melhores e mais importantes discos do Progressivo de todos os tempos, audição obrigatória para quem quer conhecer a fundo o estilo.

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3 comentários em “Resenha: Emerson, Lake & Palmer – Emerson, Lake & Palmer (1970)”

  1. concordo com o comentário de The Barbarian, a música é extremamente linda, forte, tem presença muito marcante com a introdução vinda de um glissando da mão de Emerson diretamente às cordas do piano. O solo de piano também é excepcional, muito técnico, acho que um dos mais bonitos de toda a discografia do ELP. pra mim The Barbarian também é a melhor música do álbum.

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  2. Uma falha técnica na edição da resenha de «Trilogy»: carrega-se em «Trilogy» e aparece a resenha de «Emerson Lake & Palmer». Mas se se carregar em «Emerson Lake & Palmer» não aparece a resenha de «Trilogy»… Um detalhe, que só não acontece a quem nada faz.

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