Resenha: Esperanto – Last Tango (1975)


Por Diego Camargo

Nota:

Disco: Last Tango
Ano: 1975
Selo: A&M

Faixas:
01. Eleanor Rigby – 7′43
02. Still Life – 7′27
03. Painted Lady – 3′26
04. Obsession – 4′33
05. The Rape – 12′07
06. Last Tango – 3′29

Formação:
Roger Meakin – voz
Kim Moore – voz
Raymond Vincent – 1º violino
Geoffrey Salmon – 2º violino
Timothy Kraemer – cello
Bruno Libet – teclados/sintetizadores e vocais
Gino Malisan – baixo
Tony Malisan – bateria

Resenha:

01. Eleanor Rigby
Pra mim, as únicas duas versões de Beatles que eu aprovava eram: With A Little Help From My Friends do Joe Cocker (sensacional) e Eleanor Rigby na versão do Ray Charles (animal!).Eis que aqui me aparece um desconhecido Esperanto com uma completa desconstrução de Eleanor Rigby que até mais ou menos o terceiro minuto da canção é irreconhecível. Essa introdução é um escândalo, com violino, teclado e baixo tocando uns riffs invocados que mais parecem ter saído de uma sessão musical de doidos (risos).O timbre do baixo de Gino Malisan é excepcional, junto com ele os dois tecladistas (Geoffrey e Raymond) fazendo um papel mais que excelente também. Quando o vocal entra um susto! A voz de Roger Moore é excelente, e quando entra os vocais de Kim Moore? PQP, os vocais mais sensacionais que eu já ouvi em muito tempo, e transformaram o refrão de Eleanor Rigby numa coisa ainda mais cativante. Que banda! Os synths dão vida a sons estranhíssimos no fundo de tudo. Que riff sensacional! Porque se você vai fazer uma versão de uma música faça como esses três casos que eu citei, desconstrua a canção, uma coisa é você tocar um cover no seu show muito parecida com a original, a outra é você gravar no seu disco uma versão exatamente igual a original, como muitas bandas fazem, o que é patético.


02. Still Life

A bateria de Tony Malisan (irmão do baixista Gino) começa a segunda faixa, enquanto a banda segue num instrumental quebrado cheio de perguntas e respostas (e que baixista dos infernos!) O vocal de Roger quando entra lá pelos 3 minutos já é destaque, e junto com os vocais de Kim, os dois casam perfeitamente. Uma percussão que se não me engano é uma maraca segue todo o verso de perto. As partes de piano elétrico são as melhores, essenciais para a sonoridade da faixa. A música tem um ritmo contagiante, os vocais sendo cantados ao ritmo da melodia, tudo muito bem diagramado.

03. Painted Lady
Já vi que o forte doas caras são os riffs (risos), mas logo que o vocal começa a música muda totalmente, o vocal de Kim me lembra (e muito) Sonja Kristina do Curved Air, e mais uma vez os vocais casados estão perfeitos. E é muito legal as gargalhadas macabras ao fundo dos versos. Essas idéias é que faziam o mundo girar. Excelente o solo de violino e o que eu acho que é uma flauta, perfeitamente um em cima do outro.

04. Obsession
Já começa muito bem, com esses teclados em ad infinitum, e os vocais me lembraram alguns vocais do Tale Of Mystery And Imagination Of Edgar Alan Poe (The Alan Parsons Project) pra caramba, o que é muito bom. Os violinos e as partes clássicas são bastante parecidas com Electric Light Orchestra (a banda tem uma série de influências maravilhosas e diferentes). Os vocais são sempre destaque no som da banda.

05. The Rape
Os violinos arrasam, fazem todo o papel que a guitarra faria (já que nem temos uma por aqui) e muito mais, dão a banda um som único e mágico. Mas o que é esse baixista? Linhas sempre fantásticas e um timbre fantástico. Logo depois do primeiro minuto da canção o teclado de Bruno Libert – teclados tem um timbre incomum e bem ‘dark’, os violinos se aproveitam desse tom pra botar a coisa ainda mais estranha, e eu já ia me esquecendo junto aos teclados sempre em perfeita comunhão está o cello de Timothy Kraemer. Nessa faixa os vocais de Kim estão perfeitos, com uma clareza e melodia sem igual. Os vocais voltam logo após uma inserção instrumental sem igual. Depois do verso mais uma parte super quebrada, e eu acho que fiquei apaixonado pelo disco (risos). Várias partes orquestradas, numa espécie de mini-orquestra mesmo com o cello fazendo uma melodia de contraponto para o violino e teclado, cada na sua mas em busca do mesmo som. Vocais ‘aéreos’ nos brindam com uma bela melodia após a mini-orquestra, mas não se enganem a orquestra não pode parar. Na parte a seguir a bateria toma conta da situação num ritmo alucinado e desesperado. Até a polícia é chamada pra prender esses ‘malucos’ (risos)

06. Last Tango
Last Tango. Como não poderia deixar de ser um ‘quase-tango’ com um belo vocal e ritmo sincopado. Como é de se esperar a banda se esbalda num tango de primeira, já que a sua estranha formação é totalmente propícia ao ritmo argentino.

Este disco é uma grata surpresa favorável, uma banda desconhecida e muito boa.

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