Frank Zappa – Freak Out! (Resenha Jefferson A. Nunes)


Por Jefferson A. Nunes

Nota: 

Disco: Freak Out!
Ano: 1966
Selo: Verve

Faixas:
Disco 1
1. Hungry Freaks, Daddy? – 3’27
2. I Ain’t Got No Heart – 2’30
3. Who Are The Brain Police? – 3’22
4. Go Cry On Somebody Else’s Shoulder – 3’31
5. Motherly Love – 2’45
6. How Could I Be Such A Fool – 2’12
7. Wowie Zowie – 2’45
8. You Didn’t Try To Call Me – 3’17
9. Any Way The Wind Blows – 2’52
10. I’m Not Satisfied – 2’37
11. You’re Probably Wondering Why I’m Here – 3’37

Disco 2
1. Trouble Every Day – 6’16
2. Help I’m A Rock (Suite In Three Movements) – 8’37
– 1st Movement: Okay To Tap Dance
– 2nd Movement: In Memoriam, Edgar Varese’
– 3rd Movement: It Can’t Happen Here
3. The Return Of The Son Of Monster Magnet – 12’17
– Ritual Dance Of The Child-Killers
– Nullis Pretii (No Commercial Potential)

Integrantes:
Frank Zappa voz/guitarra/harmônica/arranjos/composições/condutor/percussão e orquestra
Plas Johnson – saxofone
Jimmy Carl Black – bateria e percussão
Ray Collins – guitarra/harmônica/percussão/efeitos e vocais
Gene Estes – percussão
Roy Estrada – baixo/guitarron e vocais
Elliot Ingber – guitarras
Carol Kaye – baixo
Ruth Komanofff – percussão
John Rotella – percussão

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Resenha:
Disco 1
1.  Hungry Freaks, Daddy
Primeiro disco de Zappa, é considerado o primeiro álbum conceitual e o segundo duplo da história (só perdeu para Blonde On Blonde (1966), de Bob Dylan). E, para iniciar sua carreira com o pé direito, temos a excelente ‘Hungry Freaks, Daddy’, que começa com um belo riff, mais voltado para o baixo, seguido pela entrada de Zappa, tocando um riff que lembra bastante os sons havaianos.
A linha vocal, com vozes sobrepostas, já mostra o estilo que se tornaria clássico de Zappa. Possui, em 1:16 uma espécie de apito de pato, que é seguido por um solo bem executado de guitarra, e depois do qual a música repete, com algumas diferenças.

2. I Ain’t Got No Heart
Uma das minhas preferidas do disco, traz um som com mais ênfase nos metais da banda, tendo riffs bem interessantes, e uma linha vocal viciante. Tem momentos mais sérios, como nas estrofes, e outros mais “loucos”, como em 2:20, no fim da música, quando o refrão termina em uma série de gritos que lembram porcos (clara ridicularização aos EUA).

3. Who Are The Brain Police?
Começa com um lick de baixo, acompanhado em seguida por uma vocalização sem letra bastante estranha, que engata em um vocal cadenciado. O instrumental ao fundo é bem suave, com mais ênfase ao baixo, com alguns momentos de exceção. Em 1:24 gritos bem agudos surgem rapidamente, e um instrumental confuso, com vozes sem nexo, efeitos e microfonias toma conta da faixa. Só em 2:11 a música volta “ao normal” com o refrão. Realmente demora-se um pouco até gostar-se dela.

4. Go Cry On Somebody Else’s Shoulder
Sempre que ouço essa música lembro-me de strip-tease pelo seu clima cadenciado e marcado. Possui linhas vocais bem interessantes, com vocalizações que ficam no fundo a música toda. É bastante suave, e tem linhas de piano muito bonitas.

5. Mothery Love
Bastante dançante, é um dos pontos altos do disco, com instrumental e vocalização excelente. É interessante notar que mesmo sem distorção o som conseguia ser pesado, mérito de Zappa.

6. How Could I Be Such A Fool
Mais romântica, possui clima suave, com um refrão que lembra bastante o ritmo oriental. Na parte final um trompete faz uma bela linha ao fundo, que valoriza bastante a composição.

7. Wowie Zowie
Com um ritmo dançante, me lembra bastante a Jovem Guarda, possuindo uma linha de guitarra incrível, e linhas daquele instrumento parecido com uma lira bastante interessantes. Possui vários momentos, com linhas vocais bastante loucas em certos momentos.

8. You Didn’t Try To Call Me
Bastante bonita, possui momentos com dedilhados entre algumas estrofes, e linhas dos instrumentos de sopros bastante interessante, além das vocalizações estranhas clássicas de Zappa.

9. Any Way The Wind Blows
Bem dançante, possui baixo e percussão marcadas, aliadas a uma linha vocal de qualidade, menos louca que a das anteriores. Possui um solo de guitarra simples mas bem interessante.

10. I’m Not Satisfied
Possui no início um riff de guitarra mais pesado, que engata em uma música com belos arranjos de piano e dos metais da banda.

11. You’re Probably Wondering Why I’m Here
Uma das melhores do disco, possui um ritmo baseado na guitarra de Zappa, que lembra bastante a guitarra havaiana. Com vários momentos vocais (vários bem loucos) possui o “bico de pato” fazendo linhas depois dos refrões.

Disco 2
1. Trouble Every Day
Sem dúvida nenhuma a melhor do disco, é um baaaita blues com gaita, e ritmo dançante. Possui arranjos de guitarra bem interessantes, com uma linha vocal longa e mais tradicional.

2. Help, I’m A Rock!
– 1st Movement: Okay To Tap Dance
Começa com um riff de guitarra interessante, que engata emu ma linha vocal bastante louca, com letras e vocalizações sem muito nexo. Uma linha instrumental hipnótica fica ao fundo, sem ênfase para nenhum instrumento em especial.

– 2nd Movement: In Memoriam, Edgar Varese’
Em 4:01 a banda para de tocar, e vozes estranhas começam a imitar sons de animais da floresta, com batidas de tambores ao fundo.

– 3rd Movement: It Can’t Happen Here
Em 4:45 Zappa começa a cantar, mas sem banda, uma linha estranha, com o ritmo sendo marcado pelos vocais ao fundo. A banda volta a tocar em 5:58, com ritmos hipnóticos mais voltados para pianos e bateria. A loucura vocal sem banda volta em 6:39, e segue até o fim da composição.

3. The Return f The Monster Magnet
– Ritual Dance Of The Child-Killers
Se você achou a música anterior louca, prepare-se para mais! Começando com um diálogo entre Suzy Creamchease e “sua consciência”, segue em seguida para vocais estranhos e sem nexo, que dão espaço para uma melodia hipnótica (coisa que Zappa era bom em desenvolver), com sons de microfonias (lembram bastante os sons de R2D2 do Star Wars). Vai evoluindo, e tem a velocidade ampliada em 2:53, com a adição de vozes gritando ao fundo. Vai intercalando partes mais rápidas com outras mais lentas, com a adição de vozes em certas partes.

– Nullis Pretii (No Commercial Potential)

Começa em 8:50, e o nome já diz tudo, é uma parte sem nada de comercial, pois se resume quase exclusivamente a vozes falando frases e coisas sem nexo, muitas vozes distorcidas e nada de instrumental, a não ser ritmos de teclado em alguns momentos. Não recomendo pra quem ainda não é integrado no som de Zappa, pois realmente a primeira audição não é nada agradável. Mesmo assim um ótimo final para o primeiro álbum do pai do Freak Rock…

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