Resenha: Gazpacho – March Of Ghosts (2012)


Por Rodrigo ‘Rroio’ Carvalho
Publicado originalmente no Progcast

Nota:  

Disco: March Of Ghosts
Ano: 2012
Selo: Kscope Records

Faixas:
1. Monument – 2’06
2. Hell Freezes Over I – 5’46
3. Hell Freezes Over II – 4’37
4. Black Lily – 4’58
5. Gold Star – 4’15
6. Hell Freezes Over III – 2’37
7. Mary Celeste – 5’44
8. What Did I Do? – 4’19
9. Golem – 5’11
10. The Dumb – 4’34
11. Hell Freezes Over IV – 6’11

Formação:
Jan-Henrik Ohme – voz
Jon-Arne Vilbo – guitarras
Thomas Andersen – teclados
Mikael Kromer – violino e guitarras
Lars Erik Asp – bateria
Kristian Torp – baixo

Resenhas:
O Gazpacho foi formado em Oslo, na Noruega em 1996 e também se propõe a criar músicas livres e de forma completamente independente, já tendo sido classificados exageradamente como “Classical Post Ambiental Nocturnal Atmospheric Neo Progressive Fold World Rock”. Sim, uma vã tentativa de definir sentimentos em palavras, novamente, a exemplo de várias bandas de Progressivo.

Chegando ao sétimo trabalho na carreira, March Of Ghosts (2012) foi produzido pela própria banda e reúne pequenas histórias envoltas em um mesmo tema central: o personagem principal simplesmente passa uma noite inteira ouvindo histórias contadas por fantasmas, cada em uma faixa do álbum.

A introdução atmosférica de ‘Monument’ cria todo o clima profundo que faz parte de ‘Hell Freezes Over’, faixa dividida em quatro partes, sendo que as duas primeiras funcionam como a abertura do disco. ‘Hell Freezes Over I’ é construída completamente sobre o mesmo riff, repetido a exaustão ao longo de toda a música e servindo de base para os vocais carregadíssimos de Jan-Henrik Ohme e as linhas de violino de Mikael Kromer, que realmente roubam a cena aqui. O clima contemplativo continua em ‘Hell Freezers Over II’ e ‘Black Lily’, músicas bem lentas e arrastadas que simplesmente afundam o ouvinte no conceito do álbum, ficando em algum lugar entre o Coldplay e o Riverside. Com alguns toques bem jazzísticos, ‘Gold Star’ apresenta interessantes andamentos diferentes e até um certo peso no instrumental (algo raro no Gazpacho), enquanto as influências do Post-Rock tomam a frente em ‘Hell Freezes Over III’.

Tratando sobre os fantasmas da tribulação de uma embarcação que dá nome a música, ‘Mary Celeste’ invariavelmente passa a sensação de estar navegando por águas tranquilas (os arranjos de teclado e violino contribuem em muito pelo sentimento de todo o disco), com direito a ritmos “piratas” muito bem encaixados no fim da faixa. A ‘balada’ ‘What Did I Do?’ poderia muito bem ter sido tirada de algum dos álbuns mais atmosféricos do Anathema, tamanha a semelhança principalmente com o álbum We’re Here Because We’re Here (2010), enquanto ‘Golem’ traz alguns elementos de música oriental bem sutis. Com um clima inglês bem latente, ‘The Dumb’ também tem um forte acento Pop muito bem vindo, também percebido no encerramento do álbum com ‘Hell Freezes Over IV’, com seus arranjos simples e melódicos, tendência de todo o disco.

March Of Ghosts (2012) definitivamente não é um álbum para deixar o ouvinte. Muito pelo contrário, aliás, as músicas são tensas, melancólicas, atmosféricas e trabalhando muito no fator da interpretação. Os menos acostumados com a proposta do Gazpacho podem achar as músicas relativamente parecidas, principalmente pelo foco no instrumental climático, bem calcado no Post-Rock focado nas linhas de teclado e violino belíssimas. Porém, é um disco calmo, que você consegue tirar completo proveito a partir do momento que o ouve em plena concentração, focado nas letras e nos pequenos detalhes que fazem a diferença aqui. Alguns contos simplesmente precisam ser contados.

3 comentários em “Resenha: Gazpacho – March Of Ghosts (2012)”

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