Resenha: Genesis – Wind & Wuthering (1976)


Por Diego Camargo

Nota: 

Disco: Wind & Whuthering
Ano: 1976
Selo: Charisma

Faixas:
1. Eleventh Earl Of Mar – 7’41
2. One For The Vine – 10’00
3. Your Own Special Way – 6’18
4. Wot Gorilla? – 3’19
5. All In A Mouse’s Night – 6’37
6. Blood On The Rooftops – 5’27
7. ‘Unquiet Slumbers For The Sleepers… – 2’23
8. …In That Quiet Earth’ – 4’49
9. Afterglow – 4’12

Formação:
Phil Collins – voz/bateria e percussão
Tony Banks – Steinway Grand Piano/ARP 2600 e Pro-Soloist synths/Hammond organ/mellotron Roland String synth e Rhodes
Steve Hackett – guitarras/violões/guitarra de 12 cordas/kalimba e Auto-harp
Mike Rutherford – baixos de 4, 6, 8 cordas/bass pedals e guitarra de 6 e 12 cordas

Resenha:
1. Eleventh Earl Of Mar

Já começamos bem, toneladas de camadas de teclado nos chamando pra que prestemos atenção no que virá. Destaque da canção fica por conta de Phil Collins e sua bateria (o baterista mais injustiçado do rock Progressivo), a banda é afiada! Os baixos de Rutherford são sempre casos a parte, com timbres peculiares, e Tony Banks, bem, o que dizer desse cara? Gênio! E como eu comentei, já começamos com histórias, Gabriel não era o único que sabia contar histórias, um pirata se separa de seu filho numa história comovente. E eis quem chega para os primeiros solos? Ele! Steve Hacket e suas mil guitarras. Na parte central da canção começa uma parte muito bonita e tocante, quase uma canção de ninar, com melodias e mais melodias de violões. E Phil cantando belamente. Em seguida voltam ao tema principal. Num final agoniante Collins realmente encarna o personagem, chamando pelo pai.

2. One For The Vine
One For The Vine é especial! Conta uma história de um povo que espera um escolhido, eis que surge o personagem principal de gaiato e definitivamente não sabe o que fazer. A canção é linda, começa com uma melodia de pianos e teclados, logo sendo acompanhada de baixo e bateria, as guitarras de Steve parecem nunca aparecer, ledo engano elas estão sempre ali, só não temos os sentidos apurados o suficiente para perceber. Que refrão! Phil se superou com os vocais em falsete. No meio da canção o persongem para pra refletir, o que nos leva a uma parte de singela beleza, isso sempre me lembra de quando as bandas mais novas precisam ouvir o coração e não os bolsos. A parte central é mais agitada, pra culminar num ponto de singela beleza, baixo e vocal juntos. Um épico de proporções gigantescas, e infelizmente ignorado!

3. Your Own Special Way
Começa como uma balada de violão. Muito bonita por sinal, com uma melodia diferente e incomum. Refrão cativante e lindo, com um arranjo muito interessante. A canção tem uma linha de guitarra dedilhada muito bonita como pano de fundo, e logo em seguida tem uma parte de teclados, muito bonita por sinal.

4. Wot Gorilla?
Instrumental quebrado e composto praticamente de bateria e teclado (Phil Collins está um arraso nesse disco), Tonu Banks mostra à que veio, e mais uma vez Steve mostra que guitarra é mais do que ‘fritar’ e sim ‘musicar’, Mike segura a onda muito bem aqui, dando total segurança ao ritmo quebrado da bateria.

5. All In A Mouse’s Night
Cara, que fantástico! Genesis contando história de Tom & Jerry! Sim, nessa música Phil canta sobre um gato que procura deseperadamente pegar o rato, sensacional, tanto em letra quanto em música. Bateria e baixo marcando o ritmo quebrado, camadas de teclado, guitarras chegando de mansinho com sons estranhos. E uma melodia grandiosa pra contar uma história muito legal. Será que o gato conseguirá se dar bem? Ou será que o pobre rato escapará do futuro sombrio que o aguarda? Só ouvindo mesmo! Tirem as suas conclusões.

6. Blood On The Rooftops
Lindo começo de violão, Hackett se superou aqui, uma bela melodia pra que Collins abra o coração e nos conte mais histórias. E os sentidos aguçados escutam uma nova percepção do mundo e das coisas.

7. `Unquiet Slumbers For The Sleepers… In That Quiet Earth`
Dobradinha (que se eu não me engano no disco oficial eram duas músicas separadas, mas eu preferi juntar numa só). Tem uma melodia inicial bem ‘fechada’ uns sons esparsos pelo som (com fones de ouvido fica mais perceptível), e o teclados fazendo uma estranha melodia no começo. A melodia que vem a seguir me parece com uma ave-maria em formato progressivo (pecado? Isso não existe! Colocaram isso na sua cabeça). Pra logo em seguida descambar pruma quebradeira só, destaque primordial para o baixo genial.

8. Afterglow
Chega junto da última canção com uma melodia muito bela, com seus vocais de fundo marcando a canção, Vocais muito bem cantados (redundância total). Um dos finais mais legais prum disco, numa melodia bonita que parece que nunca vai acabar, até que o fade out comece e nos tire o brilho da canção.
Não tem problema. Temos muitos discos do Genesis para elegermos como os nossos favoritos, mas pra mim Wind & Wuthering (1976) é indiscutivelmente o melhor!