Resenha: Giuseppe Frippi – Desert Wind (2010)


Por Diego Camargo

Nota:

Disco: Desert Wind
Ano: 2010
Selo: Voiceprint

Faixas:
1. La Joie De Vivre – 4’14
2. La Milonga Del Duende – 6’19
3. Happiness Is Gonna Come – 2’46
4. Desert Wind – 7’39
5. Fall Blues – 5’00
6. Savana Party – 4’11
7. … Ed É Subito Sera – 7’24
8. A La Guerre Comme A La Guerre – 4’58
9. A Little Song 4 U – 3’28
10. Raga No. 2 – 5’49
11. Eppur Si Muove – 4’03
12. Senza Titolo – 4’34

Formação:
Giuseppe Frippi – guitarras, violões, samples e programações
Celio Barros – baixos
João Parahyba bateria, percussão e programação
Músicos convidados:
Janja GOmes – percussão e samples (1)
Giovanni Santhiago Lenti – percussão (6)
Roberto Araujo – oboé e fagote (4)
Ubaldo Versolato – flauta (12) e sax (4)
Gabriel Levy – acordeom (2)

Resenha:
Em primeiro lugar temos que deixar claro uma coisa sobre Desert Wind (2010), primeiro disco solo do guitarrista Giuseppe Frippi, ele não é um disco de Rock Progressivo em sua essência.
Deixando o pré-conceito de lado, podemos falar com clareza sobre o disco, que tem toques de Rock Progressivo, mas que em sua totalidade é eclético. Frippi usa muita influência indiana e de música oriental, Psicodelia, Jazz, Blues, Ambient e ritmos Afro-brasileiros.

O nome Giuseppe Frippi não é conhecido das massas, mas não é nenhuma novidade. Nascido Giuseppe Lenti o guitarrista teve vida musical bem ativa nos anos 80, tendo iniciado sua vida musical em 1979 com o Quarteto Bizarro, pioneiro Fusion brasileiro. No decorrer da década seguinte fez parte das bandas Voluntários Da Pátria, Skowa, Akira S E As Garotas Que Erraram e CO2, todos grupos alternativos paulistanos.
Nos anos 90 se voltou para a música instrumental com o duo Alvos Móveis com o parceiro Miguel Barella.
Assim nasce Desert Wind (2010), seu primeiro disco solo lançado em Novembro de 2010 pela Voiceprint. Disco de essência eclética e que apesar de ter diversos músicos participantes, tem um som coeso e ‘de verdade’.

Quando damos play no CD já podemos ouvir as influências indianas de Giuseppe em ‘La Joie De Vivre’, fato que se repete nos momentos percussivos da faixa 2, ‘La Milonga Del Duende’, sempre com sua guitarra servindo de fio condutor melódico, Giuseppe se serviu muito bem de músicos experientes para as bases do disco. João Parahyba, lendário percussionista do Trio Mocotó é quem providencia todo o groove das faixas enquanto Celio Barros traz o grave dos baixos.

‘Happiness Is Gona Come’, a terceira faixa se inicia, e é uma continuação natural da anterior, a guitarra continua fluindo livremente por onde deseja.
Já a faixa que dá nome ao disco é dominada por guitarras inicialmente, os tais ventos desérticos realmente aparecem na introdução, a continuação nos mostra guitarras em uníssono que ‘cantam’ a melodia do deserto, daquelas que vemos em filmes que trazem árabes como personagens principais. Um toque extra com programações aqui e ali. É também a mais longa do disco com 7:39.

Apesar de receber o blues no nome, ‘Fall Blues’ passa longe de uma faixa tradicional do estilo, apenas Giuseppe e uma série de guitarras se sobrepõe lentamente, formando um bonito e estranho emaranhado sonoro onde ouvidos mais atentos mergulharão sem medo.
‘Savana Party’ mais uma vez nos mostra os desertos árabes, ainda mais se levarmos em conta as percussões de João Parahyba. Hipnótica. ‘… Ed É Subito Sera’ continua na mesma ‘vibe’.

‘A La Guerre Comme A La Guerre’ começa e apesar do nome francês, o que temos é uma levada misturada entre ritmos brasileiros e os árabes, uma mistura que eu nunca imaginei que ouviria e que, funcionaria. Sempre com a guitarra de Giuseppe passeando livremente em todos os temas, normalmente viajando entre os sons, sua predileção mora no som psicodélica da guitarra.

‘A Little Song 4 U’ é a mais ‘pop’, digamos, não pela sonoridade em si, mas pela bela melodia, calma e que tem um tema certo na guitarra. Eu diria que é o destaque do disco. Ouça abaixo:

‘Raga Nº. 2’ quebra a bonita melodia anterior, essa é mais contemplativa, como o nome sugere, já que os ‘ragas’ são caracterizados por esse som contemplativo, meditação é a palavra, paz. Perfeita pra fechar os olhos e esquecer sobre tudo. Quebrando totalmente o clima anterior vem ‘Eppur Su Muove’, faixa Fusion com o baixo de Celio Barros em destaque, as vezes um balança quase Samba Rock, ‘culpa’ absoluta de João e seus anos de Trio Mocotó, culpa absolutamente bem vinda. Talvez o timbre da guitarra de Giuseppe pudesse ser outro, a faixa seria meu destaque fácil.
Fechando o disco temos ‘Senza Titolo’ e as flautas de Ubaldo Versolato. O disco termina em clima contemplativo.

Conclusão: Desert Wind (2010) é um disco com potencial, cheio de altos mas com alguns baixos, nada que realmente desabone o disco num geral. Quem sabe mais timbres na guitarra de Giuseppe ajudariam ou quem sabe um foco mais nas melodias centrais.
No entanto, Giuseppe Frippi conseguiu gravar um ótimo disco instrumental, se você gosta do ‘som do interior’, do ‘som da alma’, é garantia de uma ótima audição.

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