Resenha: Half Past Four – Rabbit In The Vestibule (2008)


Por Rodrigo ‘Rroio’ Carvalho

Nota:  

Disco: Rabbit In The Vestibule
Ano: 2008
Selo: Independente

Faixas:
1. Missing Sevenths – 2’37
2. Johnny – 2’54
3. Poisoned Tune – 7’53
4. Southern Boogie – 4’15
5. Twelve Little Words – 5’18
6. Underwater – 4’58
7. Lullaby – 4’20
8. Strangest Dream – 6’29
9. Biel – 8’14
10. The Ballad Of Dwayne’s Plane – 4’53
11. Salome – 2’45
12. Bamboo – 2’41
13. Rabbit – 6’08

Integrantes:
Kyree Vibrant – voz
Constantin Necrasov – guitarras, violões, mandolim, baixo e vocais
Dmitry Lesov – baixo, violão e vocais
Igor Kurtzman – teclados e efeitos

Músicos convidados:
Art Pisanski – bateria e percussão
Ashot Grigorian – saxofone
Sahra Featherstone – flauta e violino
The Burlington Seniors Four Part Harmony Choir – coral (9)
Dylan Goodhue – backing vocals (9)

Resenha:
O Half Past Four surgiu em 2005 baseado na proposta de unir técnicas e complexidades musicais com outros campos artísticos, como poesia, teatro e cinema, dando origem ao seu som extremamente influenciado por trilhas sonoras e bandas da década de 60 e 70, com uma equilibrada injeção moderna. Não a toa, ao longo desses anos, os canadenses criaram uma boa reputação graças as suas apresentações ao vivo, que são nada mais nada menos do que uma experiência artística completa, em termos sonoros e visuais.

Tendo isso em vista, o debut da banda Rabbit In The Vestibule (2008) (se não contarmos as trilhas sonoras composta para filmes) traz todos esses elementos com um conceito por trás: imagine-se em uma ante-sala com várias portas, cada uma dessas portas levam a um local diferente e inimaginável. Cada porta leva a uma música onde diferentes conceitos próprios são explorados, viajando pelas influências incrivelmente variadas dos membros da banda.

E o clima setentista já aparece de forma marcante na abertura de ‘Missing Seventh’, soando como um elo perdido entre o Rock e o Metal Progressivo com elementos quase teatrias/operísticos, graças à bem pensada interação entre os vocais. A novamente curta ‘Johnny’ já emenda sem descanso, arriscando um pouco em levadas jazzísticas e dando passagem para a ótima ‘Poisoned Tune’, estampado na cara do ouvinte as fortes influências de Genesis e Yes, além de boas doses do conterrâneo Rush (reparem nas melodias criadas pela vocalista Kyree), em 8 minutos de um belíssimo passeio pelo Rock Progressivo. ‘Southern Boogie’, em seguida, uma música bem atmosférica e com um ritmo marcante, consegue roubar a cena pelas belíssimas linhas instrumentais criadas e pela ótima inserção do saxofone de Ashot Gigoran, criando um diferencial enorme, ao passo que ‘Twelve Little Words’ puxa abruptamente o ouvinte para uma viagem por um ritmo meio latino, funkeado, salseado, que mesclado a boas doses de Prog Metal geraram um resultado perfeito. E para confundir ainda mais e abrir um sorriso pela qualidade, ‘Underwater’, traz um andamento quase “brasileiro” e boas doses modernas e alternativas, enquanto a instrumental ‘Lullaby’ chega quase a lembrar o riff de ‘Livin’ On A Prayer’ (do Bon Jovi). Exageros a parte, o equilíbrio entre passagens atmosféricas e o ritmo Hard Rock da faixa tornam uma idéia simples em um momento deveras interessante.

‘Strangest Dream’ é uma das músicas cujo título melhor define o seu conteúdo, afinal de contas, é impossível não se sentir flutuando enquanto as esquisitíssimas melodias carregam o ouvinte por um lugar um tanto quanto confuso. Continuando a jornada pelas portas, ‘Biel’ é um dos mais belos momentos do álbum, apesar de ser basicamente um Prog Metal até simples, e ‘The Ballad Of Dwayne’s Plane’, resgatando mais da mistura entre Rock e passagens teatrais, com um resultado perfeitamente descompromissado e livre, sendo ai onde exatamente mora o seu requinte. E por falar em descompromisso, ‘Bamboo’ traz novamente bons toques de Hard Rock e Metal, com uma letra sem nenhum sentido, e podemos considerá-la a única mais “bobinha” do disco. Fechando o disco, a curta instrumental ‘Salome’ e mais nuances puramente Progressivas de ‘Rabbit’ completam o ciclo e o experimento que a banda se propôs nesse álbum. Bem construídas, explorando suas influências e colocando em prática a sua “necessidade” de fazer música.

O som de portas abrindo e fechando incluídas ao fim de cada música com o intuito de transportar o ouvinte para o universo criado pela banda é o conceito perfeito para toda a versatilidade musical e singularidade que cada faixa aqui neste trabalho apresenta. Fica mais do que evidente como a qualidade dos músicos é colocada a prova em cada momento e em cada experimentalismo. Prova da qual eles se saem muito bem, aliás, mas, sejamos sinceros, a voz de Kyree rouba a cena diversas vezes, pela interpretação única em cada momento.

Uma verdadeira obra de arte, infelizmente ainda perdida do público.

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