Jethro Tull – A Passion Play (Resenha Diego Camargo)



Resenha: Diego Camargo

Nota:

Banda: Jethro Tull
Disco:
A Passion Play
Ano:
1973
Selo: Chrysalis
Tipo: Estúdio

Faixas:
1. A Passion Play (Part 1) – 21’34
2. A Passion Play (Part 2) – The Story Of The Hare Who Lost His Spectacles – 23’30

Formação:
Ian Anderson – voz/flauta/violões/sax soprano e sax sopranino
Martin Barre – guitarras
Barriemore Barlow – bateria/timpani/glockenspiel e marimba
Jeffrey Hammond-Hammond – baixo e vocais na faixa 2 em The Story Of The Hare Who Lost His Spectacles
John Evans – piano/órgão/sintetizador e narrativa

Resenha:
1. A Passion Play (Part 1)
Ah o ano de 73, todos os discos que sairam nesse ano são fantásticos! Bom tendo falado isso.

Parte 1, tensão, a melodia no fundo, uns barulhos, o stereo passando pelas caixas, aumentando e…. bum! Som! A banda inicia a jornada num tema quase hard e com melodia diferenciada, claro que todo o som do Tull esta ali, mas eles abriram o leque das influências, com certeza! O vocal de Ian (que pra mim é um dos vocais mais fodas de todo o prog) entra quase como numa capela, num cântico. A parte folk toma conta de maneira trágica e emocional, os violões que Ian Anderson toca são excelentes, a melodia é difícil de engulir de primeira. Mas hey! estamos aqui pelo som diferente, não pra mais do mesmo! Outro ponto alto é o baixo de Jeffrey Hammond-Hammond sem igual, e ainda mais junto da bateria de Barriemore Barlow. Alguns saxofones ao longo da baixa dão um sabor a mais, e é claro temos John Evans tocando os teclados, yuuupi! (risos) Falando em guitarras Martin Barre também é bastante injustiçado, pois é pouco lembrado quando se fala em guitarristas! Injustiça! O cara é muito bom. Linhas excelentes! Mais uma parte melodicamente complexa e de difícil digestão é a que se segue, mas assim que se consegue toda a indigestão se transforma em prazer, quem quiser que corra o risco! Em seguida as flautas pegam fogo, essa é outra marca do Tull, as flautas sempre excelentes de Ian, ele as toca de maneira bruta, não tão clássica, quase sempre nas passagens rápidas das músicas. Mais partes vocais e melodias difíceis. Pra logo em seguida uma parte mais Rock ‘n’ Roll, totalmente assobiável. Em geral esse disco é muito complexo, acho que é por isso que o pessoal lembra mais do Thick As A Brick (1972) (leia a resenha AQUI), que também é muito complexo, mas as melodias são muito mais acessíveis, aqui os caras experimentaram mesmo. É uma continuação mas não é. Muitos pianos e contrapontos, convenções, e as narrativas de John Evans que entram muito bem na música, uma parte vocal clássica meio ‘tiração de sarro’ (sic), e mais rock. Adoro as partes em que para tudo e mudam as melodias bruscamente e logo em seguida muda de novo, eles são reis nisso. Até hoje fico imaginando como tantas partes cabem na cabeça do pessoal da banda! O ‘quase-final’ com piano e voz é arrepiante! Segue uma melodia de violão e uma ‘batida’, alguns teclados e é claro as flautas bem no fundo solando como doidas. Mas são os teclados que tomam conta mesmo do final da faixa épica.

2. A Passion Play (Part 2) – The Story Of The Hare Who Lost His Spectacles
O que abre a segunda parte é ‘The Story Of The Hare Who Lost His Spectacles’, um conto ‘infantil’ que conta a história de uma Lebre que perde os óculos e é ajudada pelos bichos da floresta, ainda não entendi bem a co-relação dessa música dentro da segunda parte, mas é tão bom ouvir Jeffrey narrando toda a história com aquele sotaque arrastado que eu nem me incomodo. O instrumental desta parte é sem dúvida um dos mais trabalhados de todo o prog mundial (só comparado aos gênios do Gentle Giant, complexos até dizer chega). Quando a banda volta parece que nada aconteceu, volta toda a sonoridade sensacional do Jethro Tull que amamos. Nessa segunda parte algumas passagens lembram um pouco o Thick As A Brick primeira parte, o que é muito natural. Muitos sintetizadores animais em toda a faixa, barulhos e tudo volta ‘ao normal’, essas caras são bons. Muita letra nesse disco (assim como no anterior) é muito complicado preparar esses ‘textos’ gigantes pra música. Não é só sair escrevendo, tem que fazer algum sentido. Há uma parte quase no final com violões e um teclado que é demais, uma melodia marcial muito legal, devem ter sido gravados pelo menos uns quatro violões aqui. E então… A guitarra vem com tudo numa melodia que não é estranha, me parece já do repertório dos caras, uns teclados do inferno e um vocal fantástico! O fim do disco não podia ser melhor, se bem que… o gostinho de continuação, quero mais, não é tão legal assim (risos).

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Um comentário em “Jethro Tull – A Passion Play (Resenha Diego Camargo)”

  1. Talvez o disco/música mais sensacional da história! É bom separar um tempo só pra relaxar e ouvir os 45 minutos na íntegra,ou fazer isso pegando uma estrada em uma viagem demorada de carro.

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