Resenha: Jethro Tull – Thick As A Brick (1972)


Por Diego Camargo

Nota:

Disco: Thick As A Brick
Ano: 1972
Selo: Chrysalis

Faixas:
1. Thick As A Brick – Part 1 – 22’39
2. Thick As A Brick – Part 2 – 21’05

Integrantes:
Ian Anderson – voz/flauta/violão/violino/saxofone e trompete
Martin Barre – guitarras e alaúde
Barriemore Barlow – bateria e percussão
Jeffrey Hammond-Hammond – baixo e narração
John Evans – piano/órgão/cravo e sintetizadores
Músico convidado:
David Palmer – arranjo de cordas e condução

Resenha:
1. Thick As A Brick Part 1

O Jethro Tull não é um caso fácil, nunca foi uma banda Progressiva em sua essência, mas o disco de 1971 Aqualung (1971), que ao contrário do que se prega, não é um disco conceitual, acabou irritando Ian Anderson (líder da banda) que disse certa vez em uma entrevista: “Pensei então comigo, vamos dar a todos a mãe de todos os discos conceituais!”.
Assim nasceu Thick As A Brick (1972), uma suíte dividida em 2 partes onde a banda tomava emprestado o texto/poema escrito por um garoto prodígio de 12 anos chamado Geraldo Bostock (ou Little Milton) sobre as dificuldades de se envelhecer e o musicara.
Tudo balela! O então garoto prodígio era invenção da cabeça fértil de Ian Anderson, porém a história junto ao LP que tinha um encarte imitando um jornal fizeram o Jethro Tull A banda em 1972, e o disco foi direto para o primeiro lugar nos EUA.
Pra mim, esse é o melhor disco da banda, Thick As A Brick (1972) junta todas as qualidades da banda e os une ao Rock Progressivo com maestria.

A parte 1, então Lado 1 do LP, começa com o ‘som Jethro Tull’, o violão e flauta de Ian Anderson, mas aos poucos os elementos vão sendo agregados de uma maneira que não se percebe.
A letra intrigante é enorme e praticamente não se repete em seus 44 minutos de duração, com exceção de algumas linhas.
Aos 3 minutos e meio a face Rock da banda vem à tona, coisa normal em se tratando de Jethro Tull, que nasceu como uma banda de R&B e Blues, raízes do Rock.
O herói sem nome do Prog atende pelo nome de Martin Barre e suas guitarras que nem sempre são lembradas, talvez pela imagem forte de ‘leprechau’ que Anderson profere a banda, mas ouçam o seus discos solo com alto teor Blues e seus solos e linhas no Tull e verão.
É razoavelmente difícil resenhas Thick As A Brick (1972), mas não por falta de ter o que dizer, e sim, por excessos de peculiaridades, detalhes e bons momentos. Também é difícil escrever enquanto canto cada trecho da extensa letra junto (risos).
Aos 9 minutos e meio, depois de quase perder as estribeiras a melodia volta, pra então se perder e voltar ao ‘normal’.
JeffreyHammond-Hammond merece muitos elogios por suas linhas de baixo, e sem esquecer de John Evan que se desdobra em mil teclas nos brindando com pianos, sintetizadores, órgãos e os mais variados teclados. Junte os teclados e flautas e terão o que ouvimos aos 12 minutos.
Inclua melodias sincopadas e bons vocais ao fundo no 17º minuto e voilá, clássico com direito a carrilhão (Google it).
A primeira parte merecia prêmios e medalhas, e tenho dito!

2. Thick As A Brick Part 2
A segunda parte já começa rápida e urgente após alguns segundos ‘ventosos’. Riffs rápidos constroem a música e logo no segundo minuto o até então ‘escondido’ baterista Barriemore Barlow dá uma de virtuose no instrumento com um extenso e desconexo solo, com intersecções de flautas e terminando com o que parece um ensaio da própria banda para a faixa em questão.
Aos 4:10 tudo volta ao ensaio e aos 4:30 a música volta a ser ‘normal’ com a melodia, a essa altura já bem marcante, da parte 1.
Anderson continua sendo o destaque com sua ótima interpretação, violão e flauta, praticamente um bardo.
A parte 2 de ‘Thick As A Brick’ é mais instrumental do que a primeira e em boa parte flauta, teclados, baixo, bateria, guitarra e violão constroem uma grande viagem aos sentidos, mas se enganam os que pensam que a ótima letra não está presente.
Existem bootlegs da turnê de 1972 com Thick As A Brick (1972) tocado inteiro (inclusive no mais famoso deles Thicker Than A Thousand Bricks a versão é extendida para inacreditáveis 78 minutos!?!), mas infelizmente, oficialmente a música sempre foi executada em sua parte editada nas rádios e ao vivo em um mix das duas partes que dura cerca de 12 minutos.
Mas acreditem quando eu digo, a versão editada para as rádios, depois de ouvir o disco na íntegra, passa a ser ridícula! O disco que seguiria, o interessante A Passion Play (1973), tentaria a mesma fórmula, mas não com a mesma maestria.
E lá se vão os 21 minutos da 2ª parte com uma pequena orquestra e o característico violão de Ian, termina como começa a mãe de todos os discos conceituais.

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