Resenha: Jethro Tull – This Was (1968)


Resenha: Jefferson A. Nunes

Nota: 

Disco: This Was
Ano: 1968
Selo: Chrysalis

Faixas:
1. My Sunday Feeling – 3’42
2. Some Day The Sun Won’t Shine For You – 2’49
3. Beggar’s Farm – 4’20
4. Move On Alone – 1’59
5. Serenade To A Cuckoo – 6’11
6. Dharma For One – 4’16
7. It’s Breaking Me Up – 5’05
8. Cat’s Squirrel – 5’44
9. A Song For Jeffrey – 3’23
10. Round – 0’49

Formação:
Ian Anderson – voz, flautas e piano
Mick Abrahams – guitarras de 6 e 9 cordas e vocais
Clive Bunker – bateria e percussão
Glenn Cornick – baixo

Resenha:
Uma pérola escondida, o primeiro disco dos gigantes do prog, Jethro Tull não se parece em nada com o que viria a ser o som que tornaria o grupo liderado por Ian Anderson tão conhecido. Mas para entendê-lo melhor, precisamos nos ambientar a época em que ele foi criado.
Era 1968, e o embrião do que viria a ser o Rock Progressivo estava apenas nascendo. O Rhythm And Blues fazia muito sucesso nessa época, e esse som sincopado e melancólico agradava bastante os jovens de diversos lugares do mundo, ainda mais com o aparecimento do mestre Jimi Hendrix nesse ano, que contribuiu sobremaneira para a disseminação do estilo.
Foi nessa época que surgiu um grupo completamente desconhecido de cabeludos e barbudos, com formação instável, e que mudaria várias vezes de nome para tocar em clubes londrinos antes de adotar o nome do famoso agricultor que inventou a semeadeira, Jethro Tull.
O Tull vinha para tocar o Blues que estava fazendo tanto sucesso, mas com uma proposta extremamente inovadora: o uso da flauta. Os puristas do Blues certamente torcem o nariz à menção disso, mas não seja precipitado, caro leitor. O uso único da flauta por Ian Anderson não ficou nada atonal para a sonoridade Blues, pelo contrário, mostrou novas possibilidades, e expandiu horizontes.
Foi o único disco a contar com divisão de créditos das composições, esses entre (pausa para reverência) Ian Anderson e o guitarrista Mick Abrahams, um dos fundadores da banda, e que permaneceria apenas nesse disco, saindo por divergências com Anderson. Abrahams queria se firmar no som do Blues, enquanto Anderson queria uma sonoridade com incorporação de elementos do Jazz e do Folk, dizendo que o Blues era estilisticamente limitado e de vocabulário restrito aos ingleses de “classe média”. Nos discos seguintes os créditos seriam dados somente a Ian Anderson.
Com toda certeza um disco excepcional, escondido da grande massa e rejeitado até por fãs do Tull, mas que deveria ser mais ouvido antes de receber rótulos errôneos.

1. My Sunday Feeling
Logo de cara, uma música fantástica, com uma parceria interessante entre a guitarra de Abrahams e a flauta de Anderson. Tem batidas “nervosas” do baterista, em constante mudança, e que mostram uma pegada mais “Jazzística”. Além disso, a voz de Anderson mostra-se extremamente madura, e casa muito bem com a técnica de Abrahams.

2. Some Day The Sun Won’t Shine For You
Possivelmente a melhor música do álbum, tem aquela tonalidade mais cadenciada do Blues, e os riff’s “venenosos” de Abrahams tornam-se acompanhamento perfeito para as linhas viscerais de gaita feitas por Anderson. Tem um belo dueto vocal entre os dois, e apesar de curta duração, é uma música completa, deixando aquele gostinho de “quero mais”.

3. Beggar’s Farm
Lembrando um pouco mais o que viria a ser o som do Tull, Beggar’s Farm possui algumas mudanças de atmosfera bem interessantes, começando mais lenta, com dedilhados simples, mas bem feitos, acelerando no solo de guitarra que se inicia em 1:31, e depois voltando ao andamento normal. Em 2:41 Anderson começa uma linha de flauta que irá modificar o andamento da música, aumentando a intensidade dela aos poucos, diminuindo novamente, e em 3:53 apensas um solo de flauta enche os fones, terminando a faixa.

4. Move On Alone
Possuindo dedilhados excelentes, essa faixa traz linhas de metais em acompanhamento e sobreposição à melodia principal, que irão formar um excelente base para o refrão. É pequena e sem solo, o que a torna uma música com menos atrativos, e um ponto de mais baixa criatividade dos músicos.

5. Serenade To A Cuckoo
Uma grata surpresa para os amantes do Jazz, ‘Serenade To A Cuckoo’ foi composta pelo americano Roland Kirk, músico cego capaz de tocar dois e até três (!) saxofones ao mesmo tempo, além de ter uma técnica de respiração circular que permitia que ele tocasse qualquer trecho melódico sem precisar propriamente respirar de fato. Sua técnica de cantar enquanto tocava flauta influenciou Anderson, embora esse diga que não houve qualquer influência do som de Roland em sua música.
É uma música suave e muuuito bonita, com acompanhamento de guitarras e baixos “suingados”, e tendo linhas maravilhosas de flauta, a “grande estrela” da faixa, embora haja um solo mais longo e bem legal de guitarra que se inicia em 2:40, mostrando uma faceta bastante jazzística de Abrahams, o que me deixou pensando se não haveria lugar para ele nos trabalhos posteriores do Tull. FANTÁSTICA!

6. Dharma For One
Mais um instrumental de grande qualidade se apresenta nessa faixa, sendo um pouco mais pesada e rápida, e tendo vários momentos distintos, com bastante ênfase para o baterista Clive Bunker, que faz solos em 0:57 e 1:27, sendo esse último bem longo e técnico, tomando quase metade da faixa, e que mostra como os bateristas dessa fase eram surpreendentes.

7. It’s Breaking Me Up
Mais um Blues lento e sincopado, com linhas fantásticas de guitarra, vocais e passagens de gaita VISCERAIS de Anderson, e uma sessão rítmica espetacular. É outra forte candidata a melhor música do álbum, e não há muito o que falar sobre ela. Sem dúvida um dos grandes momentos do Blues em todos os tempos, sem exageros.

8. Cat’s Squirrel
Música instrumental, e a mais pesada do disco, traz uma guitarra mais distorcida, com solos rápidos, e que irão dominar completamente a faixa. Tem sessão rítmica “pulsante” e vários momentos, como a parte mais parada do meio da música, com solos mais inconstantes, em contraste com as partes mais rápidas e dançantes. Grande som!

9. A Song For Jeffrey
Mais uma música pulsante e com contraste entre flauta e gaita, que, com as linhas precisas de guitarra, baixo e bateria, formam uma música cativante e muito interessante. Pena a linha vocal meio estranha e abafada, mas mesmo assim um grande momento musical.

10. Round
Música pequena e mais calcada em um piano, com um tom mais “Jazzístico”, e que mostra a grande competência de Anderson para compor belas linhas melódicas. Pena a pequena duração, mas mesmo assim é um belo final para esse álbum de estréia especial. Fiquei pensando o que seria do Tull se essa formação tivesse permanecido mais alguns anos, pois o material mostrado aqui é de grande qualidade, mas com certeza nunca iremos saber…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s