Levin, Torn, White – Levin, Torn, White (Resenha Rodrigo “Rroio” Carvalho)


Resenha: Rodrigo “Rroio” Carvalho

Nota: 

Banda: Levin, Torn, White
Disco: Levin, Torn, White
Ano: 2011
Selo: Lazy Bone Recordings
Tipo: Estúdio

Faixas:
1. No Warning Lights – 2’11
2. Ultra Mullett – 4’42
3. White Noise – 2’57
4. The Hood Fell – 3’35
5. Monkey Mind – 4’27
6. Cheese It, The Corpse – 4’49
7. Convergence – 4’08
8. Pillowfull Of Dark – 4’19
9. The Eggman Cometh – 1’33
10. Sleeping Horse – 5’35
11. Prom Night Of The Centipedes – 4’40
12. Crunch Time – 4’05
13. Brain Tatoo – 3’15
14. Lights Out – 5’00

Formação:
Tony Levin – baixo e Chapman Stick
David Torn – guitarras e efeitos
Alan White – bateria

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Resenha:
De tempos em tempos, alguns dos mais clássicos músicos do Rock Progressivo setentista se juntam e resolvem lançar mais um álbum de mais um projeto, como se nunca tivessem feito isso antes. Essa incansável exploração musical é uma das características mais admiráveis dessas pessoas, e o projeto Levin, Torn, White é mais um resultado dessa combinação de esforços.

David Torn, o guitarrista que explora a construção de camadas e sons atmosféricos do seu instrumento (seria ele um dos pais do Post Rock?), o lendário baterista Alan White (Yes), e o completamente sem limites baixista Tony Levin, se juntaram para lançar um trabalho que, segundo eles, vai agradar todos os fãs de King Crimson, Yes com a sua música reflexiva.

A curta ‘No Warning Lights’ já traz as características típicas de cada músico: as texturas viajantes de guitarra, o timbre único do baixo e o estilo da bateria (que nem precisa de muita apresentação), elementos que formam a espinha dorsal de todo esse trabalho, obviamente. A virtuose começa mesmo em ‘Ultra Mullet’, que caberia perfeitamente como trilha sonora em um filme de gangster em preto e branco ou em alguma adaptação para o cinema de Frank Miller, e em ‘White Noise’, onde é impossível não se lembrar daquelas jams malucas que o Emerson Lake & Palmer faziam ao vivo. ‘The Hood Fell’ em seguida tem uma vibe um pouco mais eletrônica (quase um Dark Electro) bem carregada na atmosfera, enquanto ‘Monkey Mind’ tem aquele ótima base instrumental aonde fica uma lacuna para todos os músicos poderem improvisar a vontade. Interessante notar que a música vai se tornando a cada momento mais sombria e até meio eletrônica, graças aos timbres escolhidos por Torn. Os ritmos quebrados e tempos complexos de Prog voltam com a funkeada ‘Cheese It, The Corpse’ (tente se controlar e não fazer air-drums/bass nela, principalmente no final Heavy Metal) e ‘Convergence’ é uma aula de como se fazer uma música instrumental atmosférica usando uma guitarra, enquanto as bandas de Post Rock por aí apelam pra outros instrumentos.

E falando em atmosfera, ‘Pillowfull Of Dark’ segue basicamente a mesma tendência, com uma pegada um pouco mais caótica e cheia de efeitos inusitados (infinitas camadas!), ao passo que a curta ‘The Eggman Cometh’ soa como aquela idéia legal que virou uma pequena Jam no meio das gravações, e ‘Sleeping Horse’ parece a primeira parte instrumental de uma daquelas suítes Prog de mais de 20 minutos subdivididas. ‘Prom Night Of The Centipedes’, com seu nome espetacular, traz uma das mais legais linhas de baixo do disco (não que as outras sejam ruins, afinal de contas, é Mr Tony Levin, certo?), assim como em ‘Crunch Time’, aonde a atmosfera criada é um pouco mais positiva (definitivamente esse disco não é algo pra te deixar feliz, musicalmente falando). O disco fecha com ‘Brain Tattoo’ e ‘Lights Out’, a primeira parece uma banda de Rock/Metal alternativa dos anos 90 naquela música instrumental perdida em um de seus discos perdidos, enquanto a última é um tanto quanto confusa, com várias passagens a princípio desconexa e deixam o ouvinte com um belo de um ponto de interrogação quando termina.

O projeto de Levin, Torn, White traz, no fim das contas, algo que tenta fugir um pouco do óbvio que se espera de uma banda com figurões do Prog setentista. Deixando um pouco de lado ritmos Jazzísticos e Clássicos, os músicos aqui apostam nas atmosferas criadas pelas camadas e instrumentos cheios de efeitos, em alguns momentos contemplativos, em outros completamente sombrios e desesperador, entregando a quem ouve uma experiência bem interessante.

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Um comentário em “Levin, Torn, White – Levin, Torn, White (Resenha Rodrigo “Rroio” Carvalho)”

  1. Achei sua crítica rodrigo, extremamente equivalente com o que ouvi. Acho que o Alan precisava de se mostrar em um projeto diferente ele que possue experiência e técnica suficientes para isso. Davis Torn para mim é o mais vanguardista guitarrista da atualidade, sempre buscando novas possibilidades e alternativas diferentes das usuais. Mas para mim, o mais interessante foi o resultado que poderia talvez não ser satisfatório. Mas pelo contrário, o Álbum possui o nível de grandes obras do Progressivo.

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