Nexus – Perpetuum Karma (Resenha Diego Camargo)


Resenha: Diego Camargo

Nota:  

Banda: Nexus
Disco: Perpetuum Karma
Ano: 2006
Selo: Record Runner
Tipo: Estúdio

Faixas:
1. Mirar Hacia El Centro – 17’28
(El Karmanauta, Primer Ciclo)
2. Perpetuum Karma – 14’56
3. Del Abismo Al Sol – 9’50
4. Travesía – 9’12
5. Cruces Y Sombras – 14’00
6. En Ese Viento – 6’44
(El Karmanauta, Último Ciclo)

Integrantes:
Mariela Gonzalez – voz
Lalo Huber – teclados e vocais
Carlos Lucena – guitarras, violões e vocais
Daniel Ianniruberto – baixo
Luis Nakamura – bateria e percussão

Músicos convidados:
Lito Marcello – voz na faixa 6

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Resenha:
1. Mirar Hacia El Centro
(El Karmanauta, Primer Ciclo)
Os pássaros dão início a jornada junto aos teclados, pianos e violão. Uma paz soberana que dura o primeiro minutos.
Uma baita de uma paulada na orelha de repente surge, do nada. Nessa pedrada Carlos Lucena e sua guitarra fazem a festa, enquanto isso Luis Nakamura (bateria) e Daniel Ianniruberto (baixo) constroem uma base firme e quebrada.
Lalo Huber mostra de onde veio com ecos de Keith Emerson (Emerson, Lake & Palmer) em seus teclados. Sinos ao fundo!
A banda investe numa introdução longa e cheia de reviravoltas, tudo muito bem composto, tocado e gravado.
O sétimo minuto da canção nos traz uma parte mais calma (mas não menos ‘torta’), e traz também os vocais de Lito Marcello, e que surpresa, primeiro porque o vocal não é agudo ou chamativo como é comum no estilo, ele é sereno e muito bonito. O segundo é o espanhol dos hermanos argentinos, é tão bom sair do esquema, inglês-português-italiano que o Progressivo nos ‘impõem’, ou então que impomos a nós mesmos.
Os teclados estão presentes e de maneira magistral, normalmente as bandas mais novas abusam demais do Neo Prog e dos timbres exagerados de teclado, não é o caso aqui, a maioria dos teclados remete aos anos 70. Também há bons vocais femininos no fundo de tudo.
O solo de Carlos Lucena quase aos 12 minutos nos mostra que feeling é o principal no bom som, que me perdõem os ‘fritadores’, mas melodia é essencial.
Na linha Genesis de ser, a banda, pouco depois dos 13 minutos investe em várias camadas e nos sintetizadores que, pra mim, são a alma do progressivo (ou não, risos).
14 minutos e meio, muito Gentle Giant no tema de teclado quebrado e que quebradeira, toda torda e genial!
O baixo de Daniel brilha por aqui primeiro em seu timbre Chris Squire (Yes), e depois por tocar um riff daqueles riffs que eu costumo chamar de ad infinitum (risos).
Excelente!

2. Perpetuum Karma
A faixa que dá nome ao disco começa com teclados espaciais e melodias climáticas, parte trilha sonora, parte Tangerine Dream.
Mas o minuto inicial mostra que a coisa não é só isso, ela é cheia de climas mesmo, um clima assombroso na verdade. Mas acima de tudo teclados a la Emerson, Lake & Palmer, Keith Emerson pode se sentir orgulhoso de sua escola, porque ela aprendeu muito bem. Fazia tempo que eu não ouvia alguém ‘soando’ como ele.
Os temas longos são uma constante nesse disco, 6 canções, mais de 70 minutos, as grandes introduções fazem parte do som.
Muitos são os teclados que fazem parte do hall dos sensacionais, o som da banda é coeso, pesado em algumas ocasiões, setentista em outras.
9 minutos e meio e uma melodia alegre, dançante, entra em cena e nos faz alegres. Em seguida Pink Floyd total a mudança e a melodia, inclusive na guitarra de Carlos, só então, aos 10 minutos e meio, é que os vocais de Lito aparecem, sempre melódicos, valorizando e muito a canção.
Clima, essa palavra é tão importante para discos como esse, é tudo na música.
A guitarra solo quase aos 12 minutos é da escola David Gilmour (Pink Floyd) mas com propriedade. Em seguida Genesis, nossa quanto som bom. Outra influência? Os conterrâneos do Espiritu, nessa faixa ainda mais.
Na parte final da canção me lembrou um pouco Spock’s Beard, os teclados mandando no som mas no fundo a guitarra faz uma tremenda diferença, nos anos 70 não era comum esse tipo de distorção nas guitarras Progressivas.

3. Del Abismo Al Sol
Esse começo de teclados é o mais Neo Prog até agora! Vejam bem, isso não é ruim. Ao mesmo tempo me lembram bastante os teclados usados pelo Richard Wright (Pink Floyd).
Uma balada, incluindo uma belíssima guitarra solo, a la Steve Hackett (Genesis).
O teclado de Lalo ataca por todos os lados, mas dessa vez o acompanhamento é por um violão.
A base da faixa, baixo e bateria. São serenos, baixo grave e espaçado a la Roger Waters (Pink Floyd) e bateria calma.
Os vocais são duplicados por Carlos e Lalo, Lito dá um show de harmonia/melodia. E o refrão tem uma belíssima sequência de acordes.
O solo é emocional e emocionante, guitarra no coração, (ou seria coração na guitarra?)
Teclados e guitarra em comunhão de sonhos & sons até o fim.

4. Travesía
Que teclado é esse? Excelente! Me lembrei de Beggar’s Opera e Aardvark, principalmente o último (já resenhado AQUI!).
A maneira como o som é construído, as paradas, as voltas, os sons, os climas, os timbres, como irei explicar tudo com as palavras? Impossível! Mesmo que eu fosse um sensacional escritor (coisa que estou longe de ser) não conseguiria explicar tudo, as vezes as palavras não são necessárias, os ouvidos e o coração podem fazer muito melhor.
Daniel perto dos 4 minutos manda muito bem em um belo solo com seu baixo. Depois disso mais e mais partes e partes. Só coisa fina!
Lembrei de Neal Morse, The Flower Kings e consequentemente de Transatlantic nessa parte. Essa nova escola Progressiva é genial!

5. Cruces Y Sombras
Flautas? Ou teclados que se parecem com elas.
Nessa faixa os vocais aparecem mais, mas nunca consigo me queixar dele.
A banda investe pesado num clima soturno e sombrio. Principalmente no que se refere à teclados. Está mais que claro que Keith Emerson (Emerson, Lake & Palmer) é inspiração pra Lalo Huber.
Sensacional são as partes somente com os vocais e teclados.
Aos 9 minutos a banda entra em com peso, vocais duplicados e muitos órgãos e sintetizadores. O clima Yes logo após também é magistral.
Outra influência nessa parte final é Marillion e IQ.
‘Cruces Y Sombras’, tá aí, boa faixa!

6. En Ese Viento
(El Karmanauta, Último Ciclo)

Violões e synths como melodia principal, um ar grave no fundo. Uma batida ‘pra trás’, e uma guitarra Seteve Hackett (Genesis) total.
Um clima divino, uma ‘música do céu’, poderia até ser chamada assim se tal lugar existisse!
‘En Ese Viento’ é uma faixa belíssima, diria a mais bela do disco, com melodia lindíssima e instrumental apurado, sem esquecer do coração.
O final é absolutamente digno de qualquer clássico. Disco genial!

O que dizer sobre esse disco? Escutem porque é um grande disco.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s