Quidam – Saiko (Resenha Diego Camargo)


Resenha: Diego Camargo

Nota:

Banda: Quidam
Disco: Saiko
Ano: 2012
Selo: Rock Serwis
Tipo: Estúdio

Faixas:
1. Haluświaty – 5’22
2. … lato – 2’41
3. Obok Mam – 4’42
4. Walec – 4’41
5. sPotykanie – 5’08
6. Dodekafonix – 4’32
7. … jesień – 3’13
8. Ostatecznie – 3’57
9. … zima – 5’02
10. Saiko – 3’03
11. … przedwiośnie – 5’35
12. Wiosna – 5’45

Formação:
Bartosz Kossowicz – voz
Maciej Meller – guitarras, mandolin e dobro
Zbigniew Florek – teclados
Mariusz Ziółkowski – baixo
Maciej Wróblewski – bateria e percussão
Jacek Zasada – flauta e percussão
Músicos convidados:
Natalia Grosiak – vocal (4)
Robert Szydło – baixo acústico e guitarra (3)
Witek Dobaczewski – harmônica (10)

Ouça:
O disco pode ser ouvido na íntegra na página da banda no Facebook NESSE LINK.

Resenha:
Quidam vem da Polônia e se formou a partir de um trio de Blues Rock, o Deep River que era formado por Maciek Meller (voz e guitarras), Radek Scholl (baixo) e Rafał Jermakow (bateria). A banda mudou de nome e de estilo por volta de 1991 e acrescentou os membros Zbyszek Florek (teclados) e Ewa Smarzyńska (flauta). Com essa formação gravaram o primeiro disco em 1996.
O grupo inicialmente era influenciado por bandas de Neo Prog como o Marillion e o som Canterbury como o do Camel e aos poucos foi suavizando seu som, hoje a banda toca uma mistura de Rock Progressivo e pop, tudo cantado em sua língua pátria.
A formação da banda mudou algumas vezes, o line up atual já tem alguns anos: Zbyszek Florek (teclados), Bartek Kossowicz (voz), Maciek Meller (guitarras), Maciek Wróblewski (bateria), Jacek Zasada (flauta e percussão), Zbigniew Florek (teclados) e Mariusz Ziółkowski (baixo).

Isso nos traz ao seu disco mais recente, Saiko (2012), que foi lançado em Abril e traz o Quidam cantando em polonês depois de um bom tempo só gravando em inglês.
Segundo a banda, em seu sexto disco eles adotaram o conceito ‘menos é mais’. O que significa que você não vai encontrar passagens intrincadas ou complexas. Ainda segundo a banda, Saiko (2012) precisa ser ouvido várias vezes para que o ouvinte aprecie o disco da maneira que se deve…
Bom, essa é a 4ª vez que ouço Saiko (2012) e não posso concordar com a análise da banda. Se realmente temos um disco que nos mostra mais detalhes com o passar do tempo, temos também um disco que não vai muito além disso, detalhes aqui e ali mas que não são suficientes pra fazer com que o ouvinte realmente se prenda ao disco.

Em um primeiro momento o polonês poderia assustar, mas na verdade Bartek Kossowicz é um ótimo vocalista, consegue colocar melodia no difícil idioma.
‘Haluświaty’ abre o disco, e abre bem. É verdade que são vários os detalhes graças a flauta de Jacek Zasada, mas no geral, soa mais pop do que Rock, e o baixo extremamente grave de Mariusz Ziółkowski não ajuda muito.
‘… lato’ vem em seguida e me dá a impressão de que o produtor do disco, Robert Szydło, é o responsável pelo acento pop do disco, já que ele é produtor das bandas de maior sucesso comercial na Polônia.

As flautas em ‘Obok Mam’ nos dizem que algo realmente bom vai começar, mas no final… temos um mistura que não dá liga, um folk que não é misturado com um pop sem graça.

Eis que ‘Walec’ surge, apesar do nome estranho é cantada em inglês e salva o disco até aqui! Começo pesado, diferente, e os vocais de Natalia Grosiak deixaram a faixa belíssima. Se é pra ter acento pop que seja sempre assim!

‘sPotykanie’ começa e chega a ser vergonhosa, uma mistura de piano e eletrônica que não dá certo nem com o Coldplay, quem dirá com uma banda que tem influência de Rock Progressivo. Que diga-se de passagem, não aparece em nenhum um momento até aqui. E ‘Dodekafonix’ segue o mesmo rumo sem sentido da faixa anterior, mas dessa vez nem melodias temos, apenas um ritmo estranho de bateria em que o vocal é cantado por cima, ocasionais flautas e guitarras e um baixo tão grave que mal pode ser diferenciado no bolo. Somente no 2º minuto temos algo ‘musical’, mas a banda cai num rock pop pseudo pesado que não dá pra engolir. Os 30 segundos finais quase salvam a música, se eles tivessem usado essa parte desde o começo…
‘… jesień’ é só uma desculpa pra tocar Jazz, vem colada na faixa anterior e não acrescenta realmente nada.

‘Ostatecznie’ traz um pouco de Rock à mistura de Saiko (2012), interessante bateria de Maciek Wróblewski e uma frase de guitarra de Maciek Meller que poderia ter aparecido muito mais dessa maneira pelo disco. ‘… zima’, como as outras faixas que começam com reticências no título, são espécies de vinhetas instrumentais. Eu acredito que elas foram a divisão da banda que ainda queria soar Progressiva, no entanto, elas me parecem completamente fora do lugar, todas elas.

‘Saiko’, começa interessante apenas com violão e uma bonita melodia vocal. Uma faixa que aos poucos vai crescendo, mas, outras vez, o baixista Mariusz simplesmente destrói a faixa com um baixo absurdamente grave, sempre detestei esse tipo de som de baixo e não é aqui que eu vou começar a gostar. No final uma faixa que poderia ter ficado bem melhor, é só… boa. E qual não é a surpresa quando ‘… przedwiośnie’ começa com seu ‘drum ‘n’ bass??? Definitivamente a banda está completamente perdida em suas escolhas.

‘Wiosna’ fecha o disco de forma ok, os interlúdios de piano são belíssimos, mas não casam com a música, de nenhuma maneira, ainda mais ao som do que parece ser um pedaço de plástico que foi feito de percussão. Salva-se o belo desempenho do vocal, muito pouco pra fechar bem o disco.

Conclusão:
Esse não é o primeiro disco que ouço do Quidam, na verdade é o 5º, conheço a discografia da banda, e apesar de saber que o som deles sempre foi mais leve e simples, me surpreendi de maneira negativa com Saiko (2012). Eu vejo uma banda que não sabe se definitivamente toma as rédeas pop e tenta uma carreira mais comercial ou se continua tentar um som mais rebuscado.
Em Saiko (2012) a banda definitivamente não consegue nenhum dos dois, apesar de ser um disco recheado com pequenos trechos cheios de belezas, ele não é uniforme e a banda precisa de muito, muito mais do que isso pra conseguir algo maior.
Se você não se importa em ouvir um disco pop (e nem deveria se importar), pode ir sem medo, mas não espere nada demais.
Agora, uma coisa precisa ser dita, a arte de Michał Florczak é de tirar o fôlego, ele já havia trabalhado com a banda no disco anterior Strong Together (2010) e sua arte é belíssima!

Onde comprar (também é possível ouvir trecho de todas as faixas):
www.rockserwis.pl

Anúncios

2 comentários em “Quidam – Saiko (Resenha Diego Camargo)”

  1. Fiquei curioso pra conferir, pq acho o Quidam sensacional, e mesmo a reviravolta que fizeram a partir de Alone Together (2007) não me tinha feito perder as esperanças neles (apesar de achar a fase inicial sem igual!). Depois que ouvir comento de novo!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s