Rick Wakeman – In The Nick Of Time (Resenha Diego Camargo)


Resenha: Diego Camargo

Nota:

Banda: Rick Wakeman
Disco: In The Nick Of Time – Live In 2003
Ano: 2012
Selo: Gonzo Multimidia
Tipo: Ao Vivo

Faixas:
1. Catherine Parr – 11’07
2. Out There – 13’17
3. No Earthly Connection – 8’06
4. Dance Of A Thousand Lights – 5’48
5. The Cathedral In The Sky – 10’36
6. White Rock – 3’15
7. Wurm – 9’29

Formação:
Rick Wakeman – teclados
Ashley Holt – voz
Ant Glynne – guitarras
Lee Pomeroy – baixo

Resenha:
Rick Wakeman é um cara complexo, não só musicalmente, mas num contexto geral. Eu demorei muito tempo pra entender a sua música, mas hoje posso dizer que é um dos meus artistas preferidos no cenário Progressivo.
Muita gente acha que o tecladista começou sua carreira no Yes, o que é completamente errôneo, ele já havia gravado com muita gente importante antes de se juntar à banda inglesa, inclusive com a banda Strawbs.

A carreira de Rick Wakeman sempre foi de altos e baixos, e tudo isso se justifica. Rick nunca realmente cedeu ao comercialismo, apesar de ter admitido que vários de seus discos foram lançados puramente por dinheiro, e por isso são tão ruins. Esse é um dos pontos altos do ‘mago dos teclados’, ele é sincero e honesto no que diz.
Durante 73 a 76 Rick Wakeman desfrutou de uma carreira de muito sucesso, lançando discos que venderam milhões no mundo todo: The Six Wives Of Henry VIII (1973), Journey To The Center Of The Earth (1974), The Myths And Legends Of King Arthur And The Knights Of Round Table (1975) e No Earthly Connection (1976). Mas com a mudança no mundo Progressivo a partir de 1977 muita coisa mudou pra ele também.
Seus discos não alcançariam a qualidade inicial por mais de 2 décadas.

O CD que tenho em mãos para resenhar, In The Nick Of Time (2012) foi gravado ao vivo em sua turnê de divulgação de seu disco Out There (2003). Era um disco que trazia Rick Wakeman de volta ao seu bom Prog. Após alguns anos fazendo turnês apenas ao piano ele havia esgotado esse formato e resolveu que era hora de remontar a sua banda, a The English Rock Ensemble, aqui renomeada de The New English Rock Ensemble. Nascia então seu disco que era uma volta aos velhos tempos, um álbum conceitual sobre a vida que possivelmente existe fora da Terra. Nessa turnê ele teve seus dois músicos e amigos de longa data Tony Fernandez (bateria) e Ashley Holt (voz) como escudeiros, completavam o time Ant Glynne (guitarras) e Lee Pomeroy (baixo).
Essa formação gravou o disco ao vivo em questão, que só agora (em Março) está sendo lançado via Gonzo Multimidia. E preciso dizer que é um ótimo disco, do começo ao fim, repertório bem escolhido e uma banda afiadíssima!
O disco é uma mistura dos clássicos de Rick Wakeman com as novas composições (como todo bom show deve ser) e nos traz 7 faixas num total de pouco mais de 61 minutos.

A abertura não poderia ser melhor com a clássica ‘Catherine Parr’, faixa que encerra o disco The Six Wives Of Henry VIII (1973), mas ela vem com a dobradinha ‘Beware Your Enemies’.
Em seguida a ótima ‘Out There’ do então recém-lançado disco homônimo. Ashley Holt entra cantando meio ‘estranho’, parece que está sem ritmo no início, mas depois do primeiro verso tudo se encaixa. A faixa relembra os bons tempos num clima completamente The Myths And Legends Of King Arthur And The Knights Of Round Table (1975), a diferença é que seus 13 minutos trazem além de muitos teclados, solos e parts bem mais pesadas de guitarra, outrora inexistentes nos discos de Wakeman, culpa de Ant Glynne.

‘No Earthly Connection’ vem na sequência e é com certeza uma das faixas mais interessantes do disco, na verdade essa faixa é uma junção de duas partes do disco de 1976, tratam-se de ‘Music Reincarnate – The Spaceman’ & ‘Music Reincarnate – The Realisation’ juntas em uma única música. A dinâmica entre a seção rítmica, os teclados e os vocais são no mínimo brilhantes. Vocal esse que é um dos pontos altos do disco. Ashley tem uma baita voz poderosa.
Uma coisa eu posso dizer, quando vocês lerem um dos meus textos falando bem de um disco ao vivo podem confiar, pois eu não gosto de discos ao vivo.

‘Dance Of A Thousand Lights’ tem um belíssimo tema no teclado e vem acompanhada de orquestra, na verdade essa é a única faixa que não foi gravada em 2003 e sim em 1999 para o disco Return To The Centre Of Earth (1999). Não há como negar a química existente entre a música de Rick Wakeman e uma orquestra. Ele sempre compôs de maneira clássica, essa faixa só afirma isso. E a performance dele ao teclado é simplesmente matadora.

‘The Cathedral In The Sky’ é também de Out There (2003) e como o nome sugere, a música tem tom de igreja, corais e tudo mais. Fechando o disco temos uma dobradinha estranha, ‘White Rock’ do disco de mesmo nome lançado em 1977 que é o único ponto baixo do disco na minha opinião e também uma escolha bem inusitada, seria mais que natural Rick tocar alguma coisa do Yes, já que eles fez parte da história da banda, mas Rick escolheu ‘Würm’, uma das partes de ‘Starship Trooper’ do disco The Yes Album (1971). Agora explico o porque é uma escolha inusitada, primeiro porque Rick não fazia parte da banda quando essa faixa foi lançada, segundo porque esse seção da música é composta por Steve Howe… um guitarrista… e a faixa é totalmente voltada pra guitarra. No entanto nessa versão temos Lee Pomeroy num solo de baixo matador e só então um longo solo de guitarra que em nada me agradou, demonstração técnica demais e pouca musicalidade. Isso só mostra que Wakeman sabe que a música vem em primeiro lugar, não os egos que destruíram o Prog tanto tempo atrás.

Pra fechar temos o encarte do CD, normalmente discos ao vivo vêm acompanhados de pífios encartes onde encontramos somente as informações técnicas da gravação, não aqui. Um encarte com 20 páginas nos espera, onde 6 delas constituem um longo e ótimo texto que o próprio Rick Wakeman escreveu, mais biografia de todos os músicos da banda e várias fotos engraçadas da turnê de 2003.

Conclusão:
Nunca imaginei que um disco ao vivo gravado há 9 anos atrás poderia ser tão bom e tão cheio de surpresas nessa incrível performance. Wakeman está de volta no jogo.

Onde comprar: Gonzo Multimidia

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Um comentário em “Rick Wakeman – In The Nick Of Time (Resenha Diego Camargo)”

  1. Não gostei do disco recente do Wakeman com o Jon Anderson, aquele da árvore… mas se este foi feito antes, deve ser legal (assim como o Out There, que nem sabia que existia, e fiquei a fim de ouvir depois de ler a resenha). Tb nao gosto de discos ao vivo, então se vc elogiou, é pq deve ser mesmo bom!

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