Salim Ghazi Saeedi – Iconophobic (Resenha Rodrigo “Rroio” Carvalho)


Resenha: Rodrigo “Rroio” Carvalho

Nota:  

Banda: Salim Ghazi Saeedi
Disco: Iconophobic
Ano: 2010
Selo: Independente
Tipo: Estúdio

Faixas:
1. Composer’s Laughter – 1’26
2. A Satire On Hell – 3’01
3. And My Heart Aches Like 100 Aching Hearts – 2’13
4. Asiyeh – 3’08
5. The Songful Song Of Songbirds – 3’35
6. Transcend Ectasy With Ectasy – 3’37
7. Don’t You See The Cheerful Rainbow? – 3’19
8. Music Is Haram – 3’00
9. Dance In Solitude – 2’59
10. Eternal Meloncholy Of Loving Women – 1’17
11. Give My Childhood Back – 3’32
12. Breast-Milk – 3’14
13. I am Beautiful, Are You Beautiful? – 2’59

Formação:
Salim Ghazi Saeedi – guitarras, teclados, baixo, programações + tudo

Resenha:
Salim Ghazi Saeedi é um guitarrista/compositor iraniano especialista em compor músicas sem fronteiras, desligado de qualquer rótulo. Ou seja, prepare-se para encontrar uma miscelânea de estilos e elementos juntos, até então de forma inusitada.

Após lançar três álbuns com a banda Arashk entre 2006 e 2008, Saeedi lançou em 2010 este álbum Iconophobic (2010) (já tem outro, inclusive, Human Encounter, agora de 2011) como um projeto solo, aonde trabalhou como compositor, guitarrista, tecladista, arranjador, produtor e engenheiro de mixagem. Interessante notar também, que o site oficial do músico tem versões nos mais variados idiomas, inclusive em português!

Mas vamos ao disco. Sugiro que apaguem as luzes, coloquem o fone de ouvido e deixem apenas a música fluir.
Uma conveniente risada abre a belíssima instrumental ‘Composer’s Laughter’, transportando o ouvinte de maneira que é praticamente impossível não se imaginar no palco de um velho teatro, sozinho, com um holofote fraco iluminando um pianista. As luzes se acendem quando ‘A Satire On Hell’ começa a ser tocada, caótica ao seu modo, serviria perfeitamente para passagens teatrais de correria enquanto ‘And My Heart Aches Like 100 Aching Hearts’ traz passagens bem construídas, com variações sobre uma mesma base. O mesmo acontece com a pesada ‘Asiyeh’, que além de elementos de música oriental consegue encaixar ótimos riffs de guitarra em meio a predominância orquestral, e a redundante ‘The Songful Song Of Songbirds’, facilmente associada a um jazz tocando de fundo em um filme de gangsters. E indo totalmente na contramão, a eletrônica (com um toque leve de rap – mas MUITO leve) ‘Transcend Ecstasy With Ecstasy’ sai facilmente da curva e, mesmo a principio parecendo deslocada no álbum, a forma como as músicas anteriores deixam o ouvinte em imersão torna compreensível cada experimento do disco, com um clima muito bem pensado.

‘Don’t You See The Cheerful Rainbow?’ continua a viagem, com diversas mudanças de andamento nos seus curtos 3 minutos, carregando lentamente para o fundo, até a ótima ‘Music Is Haram’. ‘Dance In Solitude’, novamente teatral, tem uma veia tão forte nesse lado da música que instantaneamente pensamos que ela poderia estar na trilha sonora de filmes como ‘Black Swan’ (mesmo esse já tendo a sua trilha própria), assim como a curta e bela ‘Eternal Melancholy Of Loving Women’ e a sombria ‘Give My Childhood Back’, essa puxando um pouco mais para o lado Rock e eletrônico da coisa. Se considerarmos “Iconophobic” como uma obra única, contando uma “história”, ‘Breast-Milk’ seria o clímax final do filme/teatro, aonde algumas coisas se resolvem (ou encaminham pra isso), encerrando toda a obra em ‘I Am Beautiful, Are You Beautiful?’, quando tudo já está bem, as pessoas sorriem, fecham-se as cortinas e as luzes vão se acendendo por completas e resgatando você do float ao qual foi submetido de volta para a realidade.

Salim Ghazi Saeedi cumpre com Iconophobic (2010) uma missão nem sempre bem sucedida por outros músicos: construir um álbum instrumental variado, que hipnotiza quem ouve aos poucos, que ao mesmo tempo consegue transportar para um outro plano de concentração quanto servir de trilha sonora para qualquer coisa que se esteja fazendo. O segredo talvez esteja na facilidade com que os arranjos são absorvidos, por serem simples e com notável feeling, ou seja, sem tentar soar extremamente exibicionismo técnico, mas sim como algo que vem direto do cerne do sentimento.

Realmente, é uma belíssima viagem.

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