Senogul – III (Resenha Rodrigo “Rroio” Carvalho)


Resenha: Rodrigo “Rroio” Carvalho

Nota:   

Banda: Senogul
Disco: III
Ano: 2011
Selo: Musea Records
Tipo: Estúdio

Faixas:
1. The Nightstalker/Pijamas – 8’39
2. La Serpiente De Jade – 5’15
3. Parana – 6’06
4. The Black Cat – 9’09
5. Tales From Buanga/Gameland – 5’50
6. Sopa Colora – 13’41

Integrantes:
Eduardo G. Salueña – teclados
Pablo Canalís – baixo, percussão e vocais
Israel Sánchez – guitarras
Pedro Menchaca – guitarras
Rafael Yugueros – bateria

Músicos convidados:
Eva D. Toca – bateria (1,4,5 & 6)
John Falcone – fagote (1)
Juan Antonio Martínez – saxofones (2)
Iris Cárcaba – vilino (2)
Marcos Mantero – sintetizadores (3)
Chema Fombona – percussão (3 & 6)
Theodosii Spassov – kaval (5)
Abelardo Freitas – Abotronics (5)
Luis Cobo “Manglis” – guitarra e violão de 12 cordas (6)
Pedro Ontiveros – saxofone e flauta (6)

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Resenha:
Formada em Asturias, Espanha, no ano de 2002, o Senogul desde o início teve como proposta unir os mais variados estilos trazidos por cada um de seus integrantes, indo do Folk ao Heavy Metal, passando pelo Blues, Post-Rock e Jazz, resultando naquilo que podemos classificar atualmente como “Música Instrumental Contemporânea”.

Depois de lançar os álbuns Senogul (2007) e Concierto De Evocación Sonora (2009), a banda retorna com Senogul III (2011), terceiro full length de estúdio (se considerarmos Tránsitos (2005) uma demo) e com a promessa de incorporar mais elementos ao seu som já complexo.

A sinistra harmonia de ‘The Nightstalker’ abrem passage para a ritmicamente ótima ‘Pijamas’ com uma levada simples mas muito bem construída de Jazz servindo de base para teclados tipicamente Progressivos, que vão desde som de interferência até o mais limpo piano acústico. Vale deixar claro que a banda soa mais como uma mega Jam entre amigos que tocam há muitos anos, que vão improvisando os mais variados ritmos e timbres enquanto tocam a música, já que, apesar de ser um registro de estúdio, é uma bela exploração de diversos temas. Ok, muitas pessoas podem alegar que algumas passagens lembram em muito a vida boêmia no Rio de Janeiro da década de 60 e 70, mas se é bem feito, não há nenhum problema nisso. Uma ótima linha de instrumentos de sopro iniciam a climática ‘La Serpiente De Jade’, com boas doses americanas, que inesperadamente (aliás, o que mais vocês ouvirão nesse disco são mudanças bruscas e inesperadas de andamento) se transforma em algo altamente influenciado pela música barroca espanhola, principalmente pelo acordeom espetacular. Em seguida, ‘Parana’ é a primeira a trazer algumas linhas de voz e letra junto com as divertidíssimas batidas rítmicas que se repetem ao longo dos 6 minutos de música, bem tradicional e festeira mesmo, ao contrário do começo espacial de ‘The Black Cat’, uma música que poderia muito bem ter saído de algum clássico do Emerson, Lake & Palmer, principalmente pelas dobradas de teclado e baixo (que chegam a imitar um miado de gato!). A partir da sua metade, as guitarras resolvem dar as caras com um ótimo dedilhado, até encerrar com um improviso jazzístico oitentista hipnótico.

A próxima ‘Tales From Buanga’ aposta no direcionamento mais climático, atmosférico, com linhas mais densas e em andamento lento, mas acaba ficando um tanto quanto apagada em meio às outras faixas, o mesmo valendo para ‘Gameland’, com o xilofone comandando o ritmo, soando mais eletrônica e robótica, como o próprio nome sugere. O álbum encerra com ‘Sopa Colorá’ e a sua introdução de uma belíssima melodia de piano com baixo e palminhas (?). Ao longo dos quase 14 minutos de duração a banda passeia pelo Jazz, pelo Rock Progressivo, por passagens atmosféricas, momentos de virtuosismo, ritmos latinos, improvisos de piano, encerrando de uma forma totalmente espacial e viajante. Ou seja, um resumo de algumas das infinitas influências músicas que o Senogul carrega.

Música instrumental pode ser extremamente difícil de se apreciar, pois ela depende muito do momento que a pessoa está passando ou vivendo naquele momento em específico. Mas o Senogul realmente cumpre o seu objetivo de agregar novas influências e sonoridades na sua músicas, atingindo vários espectros do sentimento humano dentro de uma mesma música, morando aí o seu mérito, já que ela tem a capacidade de fazer a pessoa viajar para os mais variados lugares e memórias. Perfeito para ouvir quando sentar para simplesmente ver o mundo girar.

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