Solstice Coil – Natural Causes (Resenha Rodrigo “Rroio” Carvalho)


Resenha: Rodrigo “Rroio” Carvalho

Nota:   

Banda: Solstice Coil
Disco: Natural Causes
Ano: 2011
Selo: Melodic Revolution Records
Tipo: Estúdio

Faixas:
1. Question Irrelevant – 5’34
2. Outcome Inevitable – 2’02
3. Fall Schedules – 4’50
4. I Know – 4’43
5. Human Again – 5’37
6. Singalong Deathtrap – 5’36
7. Walking Graveyards – 4’06
8. Too Many Regrets – 6’47
9. Moral Oxidation – 4’04
10. Replacing People – 6’10
11. Designed Instincts – 5’09
12. Recipe For Eternity – 6’00

Integrantes:
Shir Deutch – voz, violão e guitarras
Opher Vishnia – guitarras, E-Bow e efeitos
Shai Yallin – teclados
Yaniv Shalev – baixo
Yatziv Caspi – baixo

Músicos convidados:
Neta Cohen-Shani – cello
Daniel Tanchelson – viola
Dror Lellouche – violin
Maya Lee Roman – violin

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Resenha:
Formado em 2001 na cidade de Tel Aviv em Israel, o Solstice Coil sempre teve como proposta mesclar elementos de Rock Progressivo, alternativo e Prog Metal no seu som, nas músicas que iam sendo compostas enquanto a banda excursionava pelo país fazendo covers de Radiohead e Muse. O resultado desses anos vieram primeiramente com o álbum A Prescription For Paper Cuts (2005), levando-os a excursionar pela Bélgica e conseguir um contrato com a Melodic Revolution Records, possibilitando a distribuição dos seus discos quase que de maneira global (já que eles basicamente foram auto-financiados).

Em 2009, a banda voltou ao estúdio e gravou o que viria a ser Natural Causes (2011) no Bardo Studios, misturando, como eles mesmo disseram “uma fusão entre o Rock emocional e intelectual”, com um tom mais pesado e uma evolução natural e madura do seu estilo de compor.

Uma certa influência de Dream Theater já pode ser percebida na música de abertura do disco “Questions Irrelevant”, tanto nos riffs quanto no instrumental muitíssimo bem trabalhado. Porém, os arranjos de voz de Shir Deutch, aliado a forte influencia das músicas tradicionais do seu país fazem um som único, como um híbrido entre os já citados teatreiros com o Porcupine Tree e o Orphaned Land. Após o interlúdio instrumental “Outcome Inevitable” vem “Fall Schedules” alia essas mesmas influências a passagens um tanto quanto Opeth, um outro tanto mais Riverside, e um riff dobrado de guitarra e hammond que te deixa uma certa impressão de “já ouvi isso em algum lugar antes”, afinal de contas, o riff é incomodamente parecido com o do verso de “Purple Door, Pitch Black”, do Green Carnation (ouçam e tirem a prova). Em, seguida, mais um belíssimo trabalho com “I Know”, aonde os personagens principais são Yatziv Caspi e Yaniv Shalev que comandam a cozinha nesse álbum, assim como em “Human Again”, que aposta em um ritmo mais cadenciado, com passagens beirando o atmosférico, ótimas intervenções instrumentais que contribuem muito com a estrutura diferenciada da música. A balada “Singalong Deathtrap” pode ser considerada um dos momentos mais belos do álbum (e considerando esse disco em si, esse é um mérito e tanto), tanto pelo instrumental quanto pelas letras (os solos são de encher os olhos), o mesmo acontecendo com “Walking Graveyards”, novamente lembrando muito algo entre Riverside e Porcupine Tree.

“Too Many Regreats” traz a banda de volta para o Prog Metal, investindo em riffs cadenciados, batidas inesperadas e o teclado fazendo uma ótima base, sendo impossível não comparar em alguns momentos com o Dream Theater mais recente (o interlúdio/passagem instrumental no meio dela é a maior prova disso). “Moral Oxidation”, por outro lado, com seu título genial, puxa um lado um pouco mais mainstream do Progressivo, de bandas como Muse, e de repente, alguns leves sopros de The Mars Volta e Coheed and Cambria (com menos psicodelia), principalmente pelo uso inusitado da melodia vocal, enquanto “Replacing People” investe novamente no lado belo e melódico do Progressivo, graças ao excelente trabalho do tecladista Shai Yallin. “Designed Instincts” mantém a carga dramática e mais uma ótima interpretação, agregando tantas influências que acabam por originar um som único, culminando no encerramento espetacular de “Recipe For Eternity”, mais uma balada, mas agora trazendo mais alguns toques de música tradicional e um Shir Deutch apostando cada vez mais na sua versatilidade vocal, sem decepcionar em nenhum momento.

Ao contrário de muitas bandas que têm surgido nos últimos anos (seja Progressivo ou não), o Solstice Coil larga infinitos anos-luz a frente por não focar em fazer músicas cada vez mais complexas, difíceis de serem tocadas ou com estruturas megalomaníacas. Por outro lado, a beleza dos arranjos, as melodias vocais e a intenção declarada de fazer da sua música algo sentimental já são argumentos ótimos para colocá-los acima da certa mesmice e marasmo que o Prog Metal tem se tornado desde a primeira metade desse milênio. Além disso, como vocês devem ter percebido, as maiores influências deles são os melhores. E eles conseguem utilizar essas influências da melhor maneira possível.

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