Resenha: Som Nosso De Cada Dia – Snegs (1974)


Por Diego Camargo

Nota:

Disco: Snegs
Ano: 1974
Selo: Continental

Faixas:
01. Sinal Da Paranóia – 5’56
02. Bicho Do Mato – 3’56
03. O Som Nosso De Cada Dia – 5’16
04. Snegs De Biufrais – 2’36
05. Massavilha – 6’05
06 Direccion De Aquarius – 5’24
07. A Outra Face – 7’54

Integrantes:
Pedrão (Pedro Baldanza) – voz/baixo e violões
Manito – órgão/sintetizadores/piano/violino/flauta/saxofone e vocais
Pedrinho – bateria e vocais

Músicos convidados:
Marcinha, Cynara, Ivone e Tigressa – vocais

Resenha:

01. Sinal Da Paranóia
Ao primeiro acorde já se tem a exata noção que se está em frente a um gigante!
A bateria é monstruosa, os teclados são muito bons e timbre de baixo é animal. Tantos detalhes!
O vocal de Pedrinho é top5 Brasil de vocalistas, e isso sem nenhum exagero.
Manito e os sintetizadores arrasam e Pedrão além de montar linhas magníficas no baixo ainda toca os ‘acústicos’.
São pouco mais de 2 minutos e meio e o tema muda bruscamente, e num crescendo de tempos e paradas até culminar num insano violino e mais um maravilhoso tema quebrado e cheio de suingue.
Manito manipula de maneira diferente o violino, nem puxando para o clássico e nem influenciado pelos violinistas do Rock.
Voltam ao refrão, que por sinal é muito bom. E no fim vários vocais de todos os lados simbolizando a então paranóia.
Sinal Da Paranóia é um clássico do Rock Brasileiro.

02. Bicho Do Mato
Imaginem um tema pesado! Imaginaram? Então, e nem precisa de guitarra.
A letra bicho-grilo dá o exemplo perfeito de quem já não agüenta mais as metrópoles mas não vive sem elas.
Por aqui, por ali, Manito sempre presente com as intersecções de teclas, o baixo de Pedrão absurdamente grave quando necessário e agudo quando se faz preciso.
Aos 2 minutos e meio uma parte mais que inebriante, todos tocando o mesmo riff complicado exatamente igual, cheio de notas.
A partir desse riff o teclado invade e o gigante Pedrinho (apesar do nome) sempre preenchendo os ‘vazios’.

03. O Som Nosso De Cada Dia
Um tema se encerra e o outro se inicial em perfeita comunhão, dura só o tempo da introdução pois a verdadeira melodia bicho-grilo total de Som Nosso De Cada Dia invade os falantes logo.
A letra é excelente!
‘Só vi um aqui pra dizer, que o som nosso de cada dia, é feito pra alegrar a cidade e registrar, a mocidade de nosso temporal.’ Isso não é genial?
Vocalizações (fico pensando se é aqui que as backing vocals dos créditos cantam, porque eu não achei vocal feminino em lugar nenhum, risos).
O tema enigmático e profundo cheio de tempos estranhos é uma preparação perfeita para a volta do refrão e do solo de Manito, logo depois ele volta com a perfeita melodia vocal que foi construída em cima dele.
Enquanto Manito sola Pedrão se aproveita da viola pra compor o tema ao fundo e Pedrinho destrói, literalmente. seu kit.

04. Snegs De Biufrais
Colado no anterior (como todo o Lado A dá intenção), esse tema tem uma coisa mais alma em sua melodia, cheia de violões com efeitos e muitos teclados.
A letra é a coisa mais genial que eu já ouvi, muitos podem achar a letra sem sentido, tolice! Ouçam e interpretem com o coração.
Flautas e saxofones podem ser ouvidos na parte final, é Manito o multi-instrumentista.

05. Massavilha
Que sintetizador é esse rapaz? Que som animal.
Quando eu digo ou imagino Progressivo é isso que imagino, Som Nosso De cada Dia.
Quando a música entra em seu segundo minuto aquele órgão não me engana, é Genesis. (risos).
Uma ponta aqui e outra acolá ainda se vê certa influência (Emerson, Lake & Palmer principalmente) mas é incrível como a banda tem uma cara própria desde o começo.
Posso estar sendo um tanto caloroso em minha resenha desse disco, mas tentem entender um garoto de 18 anos, ainda sem internet, com informações só de revistas chegando em casa com um Vinil desse. Paixão a primeira audição.
Quando Pedrinho começa a cantar o jogo já estava ganho, principalmente quando ele solta esse verso mais que genial, eu diria digno de Nobel de literatura (sem ironias).

‘Porque esses livros todos
Não adiantam nada, nada
Vai levar um polegar em cada mão
Isso sim… isso sim
E no bolso um moço um coração
De samba-canção
Pra guardar as cidades
Que ficaram lá pra trás’
Tem coisa mais genial?

06. Direccion De Aquarius
Direccion De Aquarias é a canção Universal do disco, com o violão dando toda a melodia necessária pros vocais serem distribuídos entre o espanhol o português e o inglês sem nenhuma cerimônia, na mesma frase podem ser encontradas as 3 línguas.
De uma lisergia absurda! Tanto em melodia quanto letra e ‘intenção’ se é que me entendem. Só fiquei na dúvida se é um violão cheio de efeitos, mas acredito que seja uma guitarra.

07. A Outra Face
A Outra Face! Pois é bicho!
Esses teclados pesados são demais, bateria cadenciada, baixo marcante.
E antes de completar o primeiro minuto de canção a coisa já pega fogo com mais um tema magistralmente quebrado e cheio de ‘caídas’.
Pô, eu fico pensando, o Manito Tinha que sair d’Os Incríveis, não que eles não fossem uma banda bacanérrima, mas com essa bagagem instrumental que o cara tinha ele não podia ficar mais tempo com a banda mesmo. Tanto que na mesma época o Netinho (batera d’Os Incríveis) também montou com uma outra galera o Casa Das Máquinas, mostrando que a coisa estava ficando radical.
Aqui onde estava o Funk já, de uma forma lisérgica, mas aqui estava o funk, e bem cá, que vocal animal de Pedrinho!
Acho que é por aqui mesmo que as meninas aparecem com alguns vocais, mas dura tão pouco.
Queria mesmo era saber de quem são esses solos de guitarra na faixa, se são de Pedrão, ou de algum convidado, no disco (mesmo no Vinil) não aparece, e pro Pedrão só aparece creditado o baixo a viola e os vocais.
Aos 6 minutos um tema digno de King Crimson, inclusive com o sax. Mas dura só uma frase, depois me lembra (se não fossem o tema extremamente quebrado) pelo menos na linha de sax o som do Frank Zappa.
Em fade out vai acabando o melhor disco progressivo gravado por uma banda brasileira. Deixando em segundo lugar (o que é muito difícil pra mim) o Tudo Foi Feito Pelo Sol (1974) dos Mutantes.

O que dizer? Acho que já teci todos os elogios na resenha mesmo. (risos) No fim das contas eu AMO esse disco!

2 comentários em “Resenha: Som Nosso De Cada Dia – Snegs (1974)”

  1. Cara, também curto a letra de “Massavilha”, mas você colocou ali “Vai levar um polegar em cada mão…”. Tenho quase certeza que é “VALE MAIS um polegar em cada mão…”. Esses livros todos não adiantam nada, vale mais um polegar em cada mão. O polegar opositor é o que possibilita o movimento de pinça, que foi decisivo na evolução do homem. :PP

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