Resenha: Spock’s Beard – V


Resenha: Diego Camargo

Nota: 

Disco: V
Ano: 2000
Selo: Metal Blade/InsideOut

Faixas:
1. At The End Of The Day – 16’30
2. Revelation – 6’04
3. Thoughts (Part II) – 4’41
4. All On A Sunday – 4’12
5. Goodbye To Yesterdays – 4’40
6. The Great Nothing – 27’18
i. From Nowhere
ii. One Note
iii. Come Up Breathing
iv. Submerged
v. Missed Your Calling
vi. The Great Nothing

Formação:
Neal Morse – voz/sintetizadores e violão
Alan Morse – guitarra/cello/samplers e vocais
Dave Meros – baixo/French horn e vocais
Nick D’Virgilio – bateria/percussão e vocais
Ryo Okumoto – órgão Hammond e Mellotron

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Resenha:
1. At The End Of The Day
Naveguemos até a mente de Neal Morse e o som do Spock’s Beard.
Uma das melhores bandas na atualidade em se tratando de Rock Progressivo sem nenhuma sombra de dúvida.
Esse início parece uma gaita de fole. Sintetizadores que dão todo o charme, e aquele som característico deles que eu acho genial, bases com batidas em up, quase alegres.
Uma das coisas que eu mais gosto no som do Spock’s Beard é o timbre de baixo do Dave Meros, é genial, é esse tipo de som que eu busco quando eu toco.
Bom, sobre o vocal de Neal Morse não preciso falar tanto, é só ver minha resenha sobre o disco One (2004) AQUI.
Os vários vocais e as constantes mudanças de clima e temas é mais um atrativo ao som do grupo, é uma coisa maravilhosa.
Aos 5 minutos Neal entra com um violão e uma melodia meio árabe (ou algo assim), muitos riffs aparecendo de todos os lados, o mesmo acontece com o vocal no tema seguinte quando a banda toda repete a base do violão.
E… surpresa… Jazz, sim a banda sabe como tocá-lo, inclusive com o Gigante no lugar do baixo elétrico.
O lance dos metais foi um toque de gênio, uma coisa meio ‘Penny Lane’ (The Beatles) só que contemporâneo.
Na sequência alguns vocais em falsete um tanto engraçados (risos), e linhas de guitarra bem interessantes.
Num crescendo a banda vai cada vez mais entrando no coração com uma melodia belíssima, inclusive subindo o tom da música, isso até os 11 minutos. Daí pra frente a guitarra de Alan Morse (Irmão de Neal) anuncia uma nova parte e mais pesada.
O teclado de Ryo Okumoto brilha, uma breve frase de sintetizador e a quebradeira de Nick D’Virgilio lá atrás na bateria. Dura o quanto deve durar a parte mais pesada. Aos 13 minutos voltamos ao tema anterior, e ele continua belo.
Eles não se cansam de mudar os temas da música, um verdadeiro caldeirão de sons, mais uma vez o baixo de Dave brilha. No fim do dia essa faixa ainda vai continuar na sua cabeça, sem sombra de dúvida!

2. Revelation
Neal é ótimo compondo baladas porque elas são diferentes, não simples músicas românticas ou baladas água-doce. Normalmente são melodias ótimas e com conteúdo.
Nessa não é diferente, as incursões de Ryo em frases no Hammond são excelentes e dão um toque especial, ainda mais quando Neal está, lá atrás, com várias linhas de sintetizadores.
A banda quando entra, vem com peso e coesa, na medida certa, mais que competente.
E uma coisa que não é muito comum no som da banda também acontece, um solo de guitarra, no caso, de Alan, e é um solo diferente, curto e com melodia assustadoramente ‘maligna’, que volta a aparecer depois de um verso e ai segue até o fim numa quase jam, mas a banda continua destilando a base um tanto quanto ‘má’.

3. Thoughts(Part II)
A primeira parte dessa música está no segundo disco do grupo, Beware Of Darkness (1996), e tem os vocais totalmente influenciados por Gentle Giant (confiram, a coisa é muito boa).
Nesse caso o início é Neal com o violão e engana, achamos que é uma balada. Ledo engano, a banda já inicia seu incontestável talento, outra coisa que é muito boa no som dos caros é o fato de usarem dois teclados em muitos momentos.
E eu não falei? Aí estão os vocais com influência de Gentle Giant, vai me dizer que não é genial? É ótimo ouvir em pleno ano 2000 (na época) uma banda com influência de Gentle Giant que acabara 20 anos antes. Tudo bem que a banda é muito cultuada, mas ela é pouco usada como influência.
A ‘enganação’ do início volta, mas tudo faz parte dos Pensamentos. E Dave mais uma vez dá um show assustador em seu baixo, Nick segue de perto na batera e o que eu imagino serem samples de Alan com temas orquestrais são muito bons.
O fim não poderia ser diferente, como começou.

4. All On A Sunday
Mais uma influência assustadora nesse começo, realmente parece que é uma banda dos anos 70, sensacional.
Os temas existenciais nas letras de Neal são muito interessantes.
Um casamento perfeito entre teclados e guitarra, e um refrão pra lá de bom, daqueles ‘sing along’ (cante junto), isso pra ninguém dizer que bandas progressivas não tem apelo comercial, e tudo isso sem vender a alma ao Diabo.

5. Goodbye To Yesterdays
Esse violão não me engana, esse timbre é do primeiro disco da Jewel, Pieces Of You (1995), eu não me assustaria se Neal gostar dela, já que a moça é sensacional e esse disco em questão é excelente.
A quase balada é melódica e sentimental já que não é sempre que se tenta dar adeus aos dias que passaram, e é muito difícil conseguir isso.
Percussões ao fundo, os belos vocais de Neal e uma série de sons que passam pelos falantes dão o clima da canção. Ah, claro, não esqueçamos dos vocais.
Pouco antes dos 3 minutos um sintetizador com som de orquestra, algumas linhas de guitarra perdidas por ali também.
Sentimental e bonita terminando ao som do mar.

6. The Great Nothing
I-From Nowhere
II-One Note
III-Come Up Breathing
IV-Submerged
V-Miss Your Calling
VI-The Great Nothing

Bom, já que eu não sei exatamente onde e quando começa cada uma das partes do épico, vou enumerando pelos minutos mesmo.

Tudo começa com estranhos vocais (ou samples) de cânticos, tudo muito bem combinado com o sintetizador.
A sequência é o violão numa bela melodia, um tanto melancólica. Somente introdução.
Aí sim a banda entra em cena, pesada com o reforço extra de Alan tocando Cello, e a banda toda repetindo o mesmo riff, vocês precisam ouvir o peso que isso fica.
Baixo e bateria aliados e o hammond de Ryo é pra valer.
O tema seguinte é mais calmo e contemplativo com boas passagens de guitarra (inclusive algumas são slides) e vocais muito bons.
Os sempre bons pianos e o violão mais uma vez nos brinda com uma linha muito boa seguida de vocais duplicados.
Aos 8 minutos eu senti uma certa influência de ‘Money’ do Pink Floyd, mas a parte do solo, onde a música volta pro 4/4. O baixo me lembrou vagamente.
Alcançando os 11 minutos e meio uma certa ambiência e influência clássica ao piano. Então o baixo volta pesado, e em intervalos divido em melodias com os teclados, tudo muito bom.
Como eu já disse em algumas ocasiões em minhas resenhas – temas grandes são difíceis de se resenhar, são muitas partes e se eu fosse falar de cada um dos detalhes seriam muitas e muitas linhas (risos), é mais divertido que vocês ouçam e também possam tirar suas conclusões.
Então resolvi deixar os próximos minutos de música por vocês mesmos, não é uma coisa de poupar meu verbo, é mais uma coisa – pensem por si mesmos, a maioria das vezes é a melhor coisa a se fazer, pensar. (risos).

O disco? Sensacional é chover no molhado pro Spock’s Beard, então eu diria: Soberbo!

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