Resenha De Show: Dream Theater Em Porto Alegre – 24/08/12 (Por Jefferson A. Nunes)


Por Jefferson A. Nunes

Antes de começar essa resenha, quero dizer aos desavisados que sou fã do Dream Theater há mais de dois anos, e esse show foi importante pra mim por ser o primeiro show internacional e primeiro show de grande porte que eu fui, então a parcialidade infelizmente vai ficar de lado nesse texto.

Bom, cheguei bem cedo no Pepsi On Stage, por volta das quatro da tarde, o que me permitiu dar uma olhada na galera (umas cinqüenta pessoas) que já estava ali (algumas desde as sete da manhã). Durante a espera, pôde-se ouvir a passagem de som da banda, resumida a um solo de bateria do Mangine, alguns efeitos de teclado do Rudess e a execução na íntegra da música ‘On The Backs Of Angels’, algo que me empolgou bastante.
Enquanto a fila se avolumava, os vendedores começaram a passar por nós com maior freqüência, e os cambistas começavam a “ladainha” do “compro e vendo ingresso”, um sol de 34° assolava a capital Rio-Grandense, aumentando ainda mais nossa vontade de entrar na casa de shows.
Mas ela só abriria às 8 da noite, hora em que a fila do mezanino (onde eu estava) tinha umas sessenta pessoas, e a da pista tinha umas cinco vezes mais. Entrei o mais rápido possível, e pude ter uma bela visão do palco.

Bateria completa do Mangine (com os quatro bumbos), e toda a aparelhagem 100%. Enquanto os técnicos davam os últimos ajustes na iluminação, a galera se avolumava na pista, e lá pelas 8:30 entrou no palco a “banda” de abertura, apenas o baixista e um guitarrista da banda gaúcha Scelerata (não sei se sabem, mas no RS há uma lei que diz que shows internacionais tem de ser abertos por bandas gaúchas, por isso não teve uma banda de maior renome), que tocaram com playback de bateria, mas que fizeram um bom trabalho ao entreter o público, tendo até o inusitado momento em que o baixista tropeçou em um cabo e quase caiu.
Depois que eles saíram do palco, os técnicos tiraram o equipamento deles e começaram a dar os últimos retoques no set, e minha ansiedade só aumentava.
Nesse momento eu já havia notado uma coisa: o público estava bem menor do que deveria, devia ter no máximo umas 4000 pessoas num lugar onde cabe mais de 7000, mas a empolgação dos presentes certamente compensaria a falta dos outros.
Pouco depois das 9:30 da noite, as luzes se apagaram, e começou a passar nos telões em forma de cubo o divertido vídeo em desenho animado chamado Dream Is Collapsing, que mostra a união dos membros da banda, e termina com todos correndo na direção apontada por uma placa escrito STAGE, para a luz que representa o palco.

Nessa hora começou a introdução da música ‘Bridges In The Sky’, e a expectativa da platéia era algo sentido no ar carregado. Então Petrucci apareceu no palco e começou o riff inicial da música, e o Pepsi estremeceu antes os gritos de todos da platéia, que saudavam a entrada magistral dos deuses do metal progressivo, e aguardavam um grande show.
Com uma execução impecável, a longa música deu uma amostra do que estava por vir, e mostrou uma banda cheia de vitalidade, e pronta pra muito mais. Após uma pequena pausa, These Walls veio brindar a platéia com belas linhas melódicas, e um solo lindo de Petrucci. Então LaBrie saudou a platéia, falando de como a turnê tem sido fantástica, e anunciando mais uma do A Dramatic Turn Of Events (2011) (depois daqui vou chamar ele de aDToE), ‘Build Me Up, Break Me Down’.

Nessa hora estávamos todos empolgados, e foi nesse clima que recebemos com alegria a música ‘Caught In A Web’, do disco Awake (1994), bastante pesada e suingada.
Nesse ponto em que a emoção inicial tinha passado, comecei a ver alguns detalhes, como as câmeras ajustadas na frente do Myung, Petrucci e do Rudess, e que de tempos em tempos mostravam eles em perfil, algo legal em duetos, onde os telões em formato de cubo nos cantos mostravam um dos integrantes, e o do meio mostrava as belas imagens preparadas pelos técnicos para cada música.
Logo após, houve uma dobradinha do aDToE, vindo com as belas ‘This Is The Life’ e a mais longa e complexa ‘Lost Not Forgotten’. Depois dessa, LaBrie veio para a frente do palco e começou a elogiar Mangine, anunciando o solo de bateria dele. Eu particularmente até esse ponto estava meio que “com o pé atrás” dele, mas o solo que ele realizou foi F-A-N-T-Á-S-T-I-C-O, trazendo bastante interação com a platéia, e mostrando porque ele é um dos melhores bateristas da atualidade, realmente com uma técnica impressionante, e uma velocidade absurda (não é à toa que três dos quatro maiores recordes de velocidades na bateria são dele).

No final do solo toda a platéia (inclusive eu) começou a gritar “Mangine, Mangine, Mangine”, e isso serviu pra mostrar que ele teve uma recepção muito calorosa pelos fãs, que o vêem como um substituto à altura de Mike Portnoy. Certamente ele subiu muito no meu conceito, e estou o vendo de forma bastante diferente do que via quando o show começou.
E para agradecer a platéia, Mangine puxou ‘A Fortune In Lies’, bastante apreciada pelos fãs antigos presentes no Pepsi. Eles estavam em grande número, e carecas e grisalhos de 30 e 40 anos podiam ser visto em vários pontos, se misturando aos jovens, e compartilhando aquele momento mágico de comunhão da música.
‘Wait For Sleep’ veio para alegrar a todos, formando um coro que ecoou pelo Pepsi, e que foi seguida por mais uma do aDToE, Far From Heaven, a música menos expressiva do set, e que deixou a platéia mais silenciosa.

Mas eis que uma surpresa aparece: a presença da música ‘Outcry’, com uma execução impressionante, e que levantou a platéia novamente. Seria seguida por um solo de piano clássico do Rudess, e que após um grande elogio de LaBrie para ele, traria a clássica Surrounded, que teve uma linha vocal I-N-C-R-Í-V-E-L do LaBrie, impressionando a todos, e arrancando expressivas palmas no final.
Uma nova atmosfera se criou, e o dedilhado inicial de ‘On The Backs Of Angels’ trouxe uma das músicas mais aguardadas da noite, que mostrou porque Rudess é um tecladista excepcional, pois conseguiu arrancar um som impressionante dos seus aplicativos da Apple, que estremeceram o Pepsi. No final da música, um pequeno improviso uniu as duas músicas seguintes, as rápidas e pulsantes ‘War Inside My Head’ e a ‘The Test That Stumped Them All’, que enlouqueceram a todos, e prepararam o público para o final do show.

Rudess começou a fazer uma ambiência, e Petrucci começou a realizar um improviso baseado em Delay’s longos, que geram um som parecido com um violino. Depois de um tempo, ele sentou-se na bancada de metal que protege seus efeitos, e continuou improvisando de forma impressionante, deixando a todos maravilhados.
Então LaBrie veio para o palco e anunciou a música mais bonita da noite, ‘The Spirits Carries On’, que faria todos ficarem emocionados (dois fãs devidamente alcoolizados que estavam atrás de mim até se abraçaram no final da música).

Abro um parêntese para comentar sobre a primorosa iluminação de palco, muito bem feita, e com os telões mostrando imagens que complementam de forma impressionante a mensagem das músicas, tudo muito bem controlado e editado pelos técnicos. O som deixou um pouquinho a desejar, pelo menos pra mim que estava no mezanino, mas tudo foi compensado pela imensa energia dos músicos, que pareciam muito entrosados, sempre trocando sorrisos e falando uns com os outros, o que mostra que pelo menos para eles, Portnoy é passado.
E para encerrar o set, veio então uma das melhores faixas do aDToE, a longa e muito complexa ‘Breaking All Illusions’, impecavelmente tocada, e com uma cadência que deixaria todos querendo mais uma música. Logo depois de eles saírem do palco, Petrucci voltou e tocou aquilo que todos estavam esperando: a melodia inicial de ‘Pull Me Under’. A faixa foi a cereja que coroou o bolo, e o refrão foi gritado com alegria por TODOS os presentes no Pepsi, tremendo a base da casa de shows.

Eu particularmente preferia ‘Metropolis’, mas naquele momento nada mais importava, eu estava compartilhando aquele momento musical com todos os presentes, sentindo a emoção e a presença dos músicos, mal acreditando que eu tinha visto aqueles caras que eu tanto gosto na minha frente, tocando PRA MIM, mostrando o que sabem fazer de melhor. A despedida foi muito legal e completou o show de forma magistral. Com certeza são momentos que eu jamais esquecerei, alguns dos melhores da minha vida!

Set List tocado:
Dream Is Collapsing (Hans Zimmer song)
1. Bridges In The Sky
2. These Walls
3. Build Me Up, Break Me Down
4. Caught In A Web
5. This Is The Life
6. Lost Not Forgotten
7. Drum Solo
8. A Fortune In Lies
9. Wait For Sleep
10. Far From Heaven
11. Outcry
12. Keyboard Solo
13. Surrounded
14. On The Backs Of Angels
15. War Inside My Head
16. The Test That Stumped Them All
17. Guitar Solo
18. The Spirit Carries On
19. Breaking All Illusions
20. Pull Me Under

N.E. – As fotos foram retiradas DESSE Flickr, passem lá e vejam as outras.

Um comentário em “Resenha De Show: Dream Theater Em Porto Alegre – 24/08/12 (Por Jefferson A. Nunes)”

  1. Carississississíssimo Jeff!
    Pelo que li o show aqui no Rio foi praticamente igual (só não sei se o setlist foi exatamente o mesmo, simplesmente por eu não ser assim um tão profundo conhecedor da obra do DT).

    O Citibank Hall estava bem cheio, praticamente todo o espaço destinado ao público estava ocupado, de acordo com a configuração da casa para o dia.

    Particularmente, não achei o som assim lá grandes coisas, melhorava nos momentos mais calmos, mas, quando o bicho pegava no palco, o som embolava um pouco e, em muitas vezes, a voz do LaBrie ficou muito encoberta pela maçaroca sonora.

    Que me desculpem os fãs e tudo o mais, mas aquela bateria do Mangine é uma das coisas mais ridículas (no pior dos piores sentidos) que eu já vi, coisa de fanfarrão (me lembrei logo do Alex Van Halen e das bandas farofentas de hair metal de LA), que ele, definitivamente, não precisa, já que se destaca como poucos com as baquetas na mão,

    “Surrounded” também foi um dos pontos altos aqui, talvez o momento de maiores aplausos e emoção do público, mas me fez pensar o quanto sinto falta do Kevin Moore na banda – mas isso é uma coisa muito particular, entenda, porque acho que desde a saída dele a banda ainda não conseguiu render tão bem quanto nos discos em que ele participou.

    No mais, foi um show de 3 horas que passaram rápido demais, só para comprovar o quanto foi bom.

    Uma outra coisa legal, que não é exclusiva a esse show e banda, é que aqui no Brasil agora achamos à venda o merchandising oficial dos artistas gringos, como é feito nos EUA e na Europa, o preço pode até ser um pouco salgado se compararmos com o praticado por ambulantes na entrada das casas de shows, mas os produtos são mais variados e de primeiríssima qualidade (além das camisas com estampas maneiríssimas, tinha boné, moletom, chaveiro, bandana e palheta) – e os fãs de verdade lotaram a lojinha do DT, ainda mais depois de mega empolgados por um show de primeiríssima.

    Um abraço!

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