As Mais Longas Faixas Do Rock Progressivo – Grand Finale


Por Diego Camargo

FINALE

Pra finalizar nossa Epopeia Progshiniana vamos falar de alguns grupos que não entraram na lista pois vão além de uma faixa em um disco, são bandas extremas.

Hors Concurs
Tivemos na posição de nº 7 uma banda prestando homenagem ao Devil Doll e alguns podem se perguntar, ora bolas, então porque essa banda também não está na lista? Eles não tem músicas longas?
Tem sim caro amigo leitor, tem sim. Aliás, não entrou na lista porque o Devil Doll é o nosso hors concours (não sabe o que é? Google, filho). Todos os seus discos são faixas longas!

O esloveno radicado na Itália, Mr. Doctor (Mario Panciera), com o seu projeto/banda Devil Doll ultrapassou todos os limites. Sempre trabalhando no terreno obscuro e fã dos filmes de horror em preto e branco, sua música é uma espécie de trilha sonora para filmes que não existem.
Tudo na história dessa banda é obscuro, seu site (feito por um fã) (www.devildoll.nl), seus discos (todos em edição limitada, mesmo nas reedições) e principalmente sua história. Tudo nesse grupo é não comercial.

Mr. Doctor (O qual tem o nome real de Mario Panciera, mas isso não é confirmado) iniciou suas atividades musicais em Março de 1987, a maneira que eles encontrou para procurar músicos para seu projeto foi colocar anuncios com a seguinte frase: ‘Um homem nunca será grande se for dominado pela razão: poucos podem alcançar a grandeza – e nenhum deles na arte – se eles não forem dominados pela ilusão.’
Inusitado não?
Nesse mesmo ano duas formações diferentes do mesmo grupo ensaiavam, uma na antiga Iuguslávia (agora Eslôvenia) e uma na Itália.
No final do ano, Mr. Doctor entra em estúdio pela primeira vez para gravar sua primeira obra The Mark Of The Beast (1988), uma única faixa que ultrapassava os 50 minutos. Mr. Doctor então criou a arte para o disco que ele mesmo pintou e UMA cópia dele foi impressa, nunca ouve reedição.

Disco: The Girl Who Was… Death
Quando: 1989
Relógio: 66’02

Em 1989, os dois setores da banda (Eslovênia e Itália) começam a ensaiar outra peça chamada The Girl Who Was… Death (1989) inspirado pela série de televisão The Prisoner, era o primeiro registro oficial do Devil Doll. Em Novembro o culto ao grupo já era tão grande que 10 fãs malucos criam a Hurdy Gurdy Records na Itália, apenas para lançar os discos de Mr. Doctor. Desde então Mr. Doctor requer que 10 cópias de cada disco do grupo sejam edições especiais contidas em caixas de veludo feitas a mão. As cópias são exclusividades para os membros da banda.
Em Março de 1989 500 cópias de The Girl Who Was… Death (1989) foram impressas em k7 e a banda faz o show de lançamento do disco. Nesse show 150 cópias foram distribuídas para a platéia presentes e as outras 350, segundo a história conta, foram destruídas por Mr. Doctor mais tarde. Apenas 5 anos depois é que o disco foi relançado, em edição limitada de 500 cópias.


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Disco: Eliogabalus
Quando: 1990
Relógio: 20’17 e 24’44

Ainda em 1989 a banda começa a ensaiar uma nova peça de 45 minutos chamada The Black Holes Of The Mind e mais tarde outra peça que beirava os 60 minutos chamada Eliogabalus, inspirada no trabalho de Antonin Artaud.
Porém, por falta de dinheiro a Hurdy Gurdy Records não podia prensar os dois discos, as duas peças tiveram que ser editadas para caberem em um LP com edição limitada inicial de 50 cópias numeradas e mais tarde 900 cópias.


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Disco: Sacrilegium
Ano: 1992
Relógio: 58’54

Em 1991 Mr. Doctor une as duas formações do Devil Doll em uma só, a formação final do grupo ficou assim: Sasha Olenjuk (violino), Bor Zuljan (guitarra), Davor Klaric (teclados), Roberto Dani (bateria) e Francesco Carta (piano).
O disco então foi lançado, como todos os outros, em edição limitada de 900 cópias.


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Disco: The Sacrilege Of Fatal Arms
Quando: 1993
Relógio: 79’03

Em 1992 Mr. Doctor trabalhava no seu primeiro filme, influenciado claro, pelos filmes de horror em preto e branco. Em 1993 a trilha sonora do mesmo foi lançada, The Sacrilege Of Fatal Arms (1993), novamente com tiragem de apenas 900 cópias, que segundo consta, foram todas vendidas em 72 horas.

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Disco: Dies Irae
Quando: 1996
Relógio: 45’49

Em 1993 o grupo estava já mixando o novo disco The Day Of Wrath – Dies Irae quando um incêndio no estúdio destruiu tudo o que tinha sido feito. Mr. Doctor então se afasta da música por mais de 1 ano.
Só em 1994 ele aceita retomar os trabalhos que o fogo destruiu. O disco é lançado somente com a peça ‘Dies Irae’. ‘A Day Of Wrath’ acaba se tornando um sonho dos fãs. Desde então nada mais é ouvido sobre o grupo exceto do Box lançado em 2008.


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O box foi lançado em 2008 com os 5 discos, tudo em formato luxuoso e… edição limitada de 200 cópias, sendo que 30 desses boxes contém cartões assinados e numerados pelo próprio Mr. Doctor. O box estava esgotado antes mesmo da data oficial de lançamento.

Eu recomendo, muito! Todos os discos são experiências para serem ouvidas com calma e atenção, cheios de detalhes e peculiaridades.


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MENÇÕES HONROSAS

Não foi somente o maluco do Devil Doll que foi a extremos no mundo musical. Nem sempre dentro do Rock Progressivo, alguns artistas foram muito além. Abaixo alguns examplos desse pessoal.

Quem: La Monte Young
1987 – The Well-Tuned Piano 81 X 25, 6:17:50 – 11:18:59 PM NYC

La Monte Young é considerado o avô do Drone, experimental até a medula nesse projeto ele foi além. Trata-se de um box com 5 discos em que todas as faixas estão entre 27 e 35 minutos. Tudo isso apenas com ele ao piano.
Não espere música convencional e não espere achar uma cópia nos dias de hoje por menos do que uma pequena fortuna. Pelo menos as fotos do box você pode ver AQUI.


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Quem: Acid Mothers Temple
Esses caras do Japão são bem complicados, desde 1997 eles tem 48 discos lançados! A maioria deles tem músicas com mais de 30 minutos, incluindo um quádruplo com 1 música em cada disco! Baseados na improvisação, drogas, Psicodelia e Space Rock a banda é um mito.
A banda também carrega no bom humor em seus títulos, que as vezes brincam com os clássicos do Rock Progressivo, como ‘Minstrel In The Galaxy’ e ‘Starless And Bible Black Sabbath’.

Como são muitas as faixas, abaixo listo os discos e músicas que extrapolam os 30 minutos:
1997 – Acid Mothers Temple & The Melting Paraiso U.F.O. (Acid Mothers Prayer = 52’59)
2000 – La Nòvia (La Nòvia = 40’40)
2000 – Troubadors From Another Heavenly World (Acid Heart Mother = 32’28)
2004 – Mantra Of Love (La Le Lo = 30’00)
2004 – The Penultimate Galactic Bordello Also The World You Made (The Beautiful Blue Ecstasy (Have You Seen the Blue Sky? = 60’10 / The Seven Stigmata From Pussycat Nebula = 56’06 / What’s Your Name? = 70’48 / The Holly Mountain In The Counter-Clock World = 61’38)
2004 – Minstrel In The Galaxy (St. Bel Canta = 41’38)
2005 – Iao Chant From The Cosmic Inferno (OM Riff = 51’25)
2005 – Anthem Of The Space (Anthem Of The Space = 43’53)
2005 – Demons From Nipples (Demons From Nipples = 39’09)
2005 – Just Another Band From The Cosmic Inferno (They’re Coming From The Cosmic Inferno = 41’58)
2006 – Have You Seen The Other Side Of The Sky (The Tale Of The Solar Sail-Dark Stars In The Dazzling Sky = 30’30)
2006 – Starless And Bible Black Sabbath (Starless And Bible Black Sabbath = 34’20)
2007 – Nam Myo Ho Ren Ge Kyo (Nam Myo Ho Ren Ge Kyo = 65’15)
2007 – Crystal Rainbow Pyramid Under The Stars (Electric Psilocybin Flashback = 40’21)
2008 – Interstellar Guru And Zero (Interstellar Guru And Zero = 39’02)
2011 – Pink Lady Lemonade – You’re From Inner Space (Part 1 = 31’59)


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Quem: Fushitsusha
Mais um bando de doidos do Japão (não disse antes que eles tem problemas?) que concentra seu som na psicodelia e Noise Rock.
O grupo na verdade só tem Kenji Haino (voz e guitarras) como membro fixo, todos os outros vem e vão como convidados. Pra completar tudo isso, 90% das músicas não tem nome e os discos dos caras tem a mesma capa somente com os títulos diferentes, como essa ai do lado.

1994 – Hisou ([untitled] = 44’23)
1997 – The Wisdom Prepared (The Wisdom Prepared = 74’55)
2000 – I Saw It! That Which Before I Could Only Sense… (I Saw it! That Which Before I Could Only Sense… (continued) = 54’42)
2003 – Eien No Ho Ga, Saki Ni Te O Dashita No Sa ([untitled] = 35’16)


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Quem: Tsurubami
Projeto do mentor mor do Acid Mothers Temple.

2003 – Gekkyukekkaichi (Seiitenrinengi = 36’57)
2007 – Tenrin (Tenrin Nozomite Tsuki Idezu = 39’47)


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A seguir outros discos que tem faixas bem longas, mas que não tem relação com o Rock Progressivo ou tem muito pouco:

Quem: Jasun Martz
Onde: The Pillory / The Battle
Quando: 1995
Faixa: Battle 7
Relógio: 74’00

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Quem: Offering (Projeto do baterista e mentor do Magma, Christian Vander)
Onde: III – IV
Quando: 1990
Faixa: Another Day
Relógio: 44’03

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Quem: Molasses
Onde: You’ll Never Be Well No More
Quando: 1999
Faixa: Sleeping Pill Blues
Relógio: 30’32
MENÇÕES HONROSAS

Pra completar uma lista de nomes de artistas/bandas que de uma maneira ou de outra sempre fizeram faixas longas:

Klaus Schulze, Steve Roach, Robert Rich, Julian Cope, The Necks, Brian Eno, Sabbat, Ground Zero, Sleep, Monolithe, Coil, Guapo, Jon Lord, Aairria, Sergio De Vega, Tim Doyle, Excepter, Mystery X

E termina aqui a nossa aventura em terras malucas e sem barreiras, nos vemos na próxima!

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3 comentários em “As Mais Longas Faixas Do Rock Progressivo – Grand Finale”

  1. Mandou muito Diego! Lista impecável, muita coisa boa pra começar a garimpar agora. Capaz de terminar de ouvir essa lista só no final de 2012. 😛

    Viva o Progshine!

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  2. Apenas complementando meu comentário anterior.

    Toda a história envolvida sobre o Devil Doll é bem interessante, por mais cafona que possa parecer esse negócio de todo o mistério envolvido por trás de quem faz/fez a banda, eu acho bem legal. Cria uma curiosidade natural naqueles que ouvem os materiais gravados por eles. Fora a devoção dos fãs, como pode ser visto nesse fan-site deles, muito completo!

    E po, o em um disco gravado em 1989, o cara fez tudo que o Therion não fez em quase 30 anos de carreira! LOL

    Apesar de ser um som bem pirado e pertubador, curti bastante aqui! Obrigado Diego pelas sugestões! 🙂

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