As Mais Longas Faixas Do Rock Progressivo – Prelúdio


Por Diego Camargo

Links de referência:
– Post Explicativo: AQUI
– Prelúdio: AQUI
– Parte 1: AQUI
– Parte 2: AQUI
– Parte 3: AQUI
– Parte 4: AQUI
– Grand Finale: AQUI

HISTÓRICO

O Rock Progressivo em sua essência sempre buscou ir além, progredir, em todos os aspectos possíveis. Longas composições não são novidades, já que suítes e sinfonias longas vem sendo compostas desde ‘sempre’.

No entanto, foi em 1968 quando o Procol Harum lançou a magnífica ‘In Held ‘Twas In I’ com 17’39 em seu segundo disco, Shine On Brightly (1968), é que as coisas começaram a ficar ‘feias’. As bandas perceberam que não estavam mais atreladas aos 3 minutos da faixa pop e que poderiam compor obras maduras e sérias, daí pra frente é tudo história!

No entanto, os anos 70, auge do Progressivo, e os LPs, traziam um pequeno problema, a duração de cada um dos lados de um LP era de no máximo 25 minutos sem comprometer a qualidade do áudio do mesmo, era possível estender até os 30 minutos, no entanto, poucas eram as bandas que se arriscavam a perder em qualidade.

Foi com a chegada do CD nos anos 80 e sua longa duração que mudou um pouco as coisas. O Compact Disc na verdade foi anunciado no ano de 1979, no entanto começou a ser comercializado apenas em 1982 e inicialmente tinha a capacidade de armazenar 60 minutos de áudio e em seguida 74 minutos (apenas nos ano 90 é que os 80 minutos atuais começaram a ser utilizados), o que permitia uma liberdade ainda maior aos músicos progressivos, no entanto, o Rock Progressivo nos anos 80 estava ‘morto’.

A chegada dos anos 90 e o revival do gênero foi o timing perfeito, a tecnologia era agora aliada para ir muito mais além, e muitas foram as bandas que assim fizeram.

EXPLICAÇÕES

Antes de mais nada, estamos falando de faixas reais aqui, não de coisas malucas como o Bull Of Heaven e suas faixas que duram horas ou até mesmo anos ou as maluquices de Breakdancing Ronald Reagan e The Flaming Lips com suas ‘faixas’ com 24 horas de duração (AQUI). Também não estamos falando de John Cage e sua insanidade de ‘639’ anos (AQUI), e muitas, muitas outras maluquices que vi por ai na pesquisa pra essa matéria.

No final dessa matéria (no Finale) vocês verão nomes e links de artistas que tem faixas que extrapolam os 80 minutos do CD e demais esquisiteces, serão ‘menções honrosas’, pois a maioria não tem relação com o Rock Progressivo.

REGRAS

Desde já quero deixar claro que as faixas que irão aparecer nessa lista seguem regras, regras pessoais, mas seguem.

– São faixas que trazem influências do Rock Progressivo em si, e não derivativos diversos, então bandas/artistas de estilos como Ambient, Jazz, Fusion, Avant Garde, Droone ou Post Rock não aparecerão. O porque dessa regra é fácil, estou falando nessa lista, de peças completas, com começo-meio-e-fim e não de improvisações sem fim ou teclados que tocam a mesma nota por 40 minutos (acreditem, isso existe). Resumindo, peças musicais que façam sentido. E também, estamos falando de ROCK Progressivo certo? No entanto faixas de artistas Progressivos Eletrônicos podem aparecer pois são peças bem acabadas que seguem o padrão acima.

– Faixas que ultrapassam os 30 minutos, explico, faixas entre 20 e 30 minutos são fáceis de se encontrar em centenas de discos, e especialmente nos anos 70, então farei um ‘lado B’ dessa lista com essas faixas mais tarde.

– A lista não se prende a mídias (LP, CD, DVD etc), pois atualmente isso não é mais uma realidade, no entanto tendo a me fixar nos 80 minutos padrão de um CD normal.

– Os tempos das faixas usados nessa lista são os oficiais (CDs, Encartes, Websites Oficiais), então se o seu ‘MP3’ não tem o mesmo tempo de duração… bom, ninguém mandou baixar da internet.

– A faixa DEVE SER ÚNICA, não interessa que ‘Six Degrees Of Inner Turbulence’ do Dream Theater é na verdade uma única faixa, no CD oficial ela foi dividida em partes, não conta, e é por isso que começaremos com:

OS QUE PODERIAM SER, MAS NÃO FORAM

Pergunte a si mesmo amigo(a) Progger, você toca Rock Progressivo, um estilo que não é comercial, e compõe uma obra que é longa, 45 minutos por exemplo. O estilo não é vendável, não é comercial, não toca no rádio e não passa na TV. PORQUE DIABOS VOCÊ DIVIDIU SUA COMPOSIÇÃO?!? Sendo assim vocês caros artistas, estão desclassificados da lista!

Nesse quesito temos exemplos como (existem muitos, muitos outros):

Quem: Transatlantic
Onde: The Whirlwind
Quando: 2009
Relógio: 77’53
Acusação: Em seu terceiro e aguardado disco, o supergrupo Transatlantic aposta alto em um disco conceitual que beira os 78 minutos. Apesar de uma das melhores obras de 2009 e de ter sido gravada na íntegra no disco ao vivo More Never Is Enough (2011) com 79’45, quando vêmos o Making of da edição especial do disco vemos que é uma grande colcha de retalhos.
Não entrou na lista porque: Apesar da inegável qualidade, é visível que as 12 partes não eram inicialmente interligadas.

Quem: Porcupine Tree
Onde: The Incident
Quando: 2009
Relógio: 55’15
Acusação: O genial Steven Wilson (leia a palavra genial carregada de muita ironia) decidiu escrever um disco ‘realmente conceitual’ após se deparar com uma cena de acidente. Essa eu vou até deixar o próprio Wilson explicar, porque é impagável: “Havia uma faixa escrita ‘POLÍCIA – INCIDENTE’ e todos estavam diminuindo a velocidade dos carros pra ver o que tinha acontecido… Logo após, me ocorreu que ‘incidente’ é uma palavra muito vaga para algo tão destrutivo, traumático e que envolvia tanta gente. Então tive a impressão de que o espírito de alguém que tinha morrido naquele acidente tinha entrado no meu carro e sentado do meu lado. A ironia daquela palavra tão fria para eventos tão graves me interessou e eu comecei a escolher ‘incidentes’ que saiam na imprensa e comecei a escrever sobre elas na primeira pessoa.”
Brilhante Steven, brilhante!
Não entrou na lista porque: O ‘gênio’ dividiu o ‘incidente’ musical em 14 partes para ser ‘melhor entendido’ por seus fãs ‘especiais’.

Quem: Fates Warning
Onde: A Pleasant Shade Of Gray
Quando: 1997
Relógio: 52’14
Acusação: O Fates Warning nasceu como banda de Metal, mas como muitas delas, acabou incluindo mais e mais elementos Progressivos com o passar dos anos. Em A Pleasant Shade Of Gray (1997) a banda chegou ao ápice. Tendo apenas um guitarrista (Jim Matheos) ao invés dos clássicos 2 das bandas de metal, os teclados do convidado Kevin Moore puderam aparecer no trabalho. A parceria acabou rendendo mais tarde o OSI ao mundo Prog.
Não entra no disco porque: Como muitas bandas com influência pesada (leia-se Metal) o grupo dividiu tudo em 12 partes, assim os ‘metaleiros’ de plantão que normalmente são acéfalos, poderiam ouvir o disco.

Quem: Echolyn
Onde: Mei
Quando: 2002
Relógio: 49’51
Acusação: O Echolyn é uma banda americana bem bacana que tem 7 discos e está em estúdio finalizando o 8º. Mei (2002) é um grande disco em todos os sentidos, assim como o ótimo Suffocating The Bloom (1991).
Não entra na lista porque: Assim como outras tantas inexplicáveis ações no mundo Prog o grupo ou o produtor resolveu dividir a sinfonica peça em 9 partes.

Quem: Elegant Simplicity
Onde: The Story Of Our Lives
Quando: 2000
Relógio: 47’48
Acusação: A banda inglesa encabeçada pelo multi-instrumentista Steven McCabe não é conhecida, nem mesmo pelos Proggers de plantão, em 2000 eles já tinham 11 discos lançados. Foi quando em no primeiro ano dos 00 Steve decidiu que estava na hora de compor algo grande e impactante. No entanto a faixa foi dividida em 12 partes.
Não entra na lista porque: “Este disco é dedicado a todos aqueles que estão a procura ‘da história de nossas vidas’. Ainda há muito o que procurar…’. Tem razão Steven McCabe, tem razão.

Quem: Dream Theater
Onde: Six Degrees Of Inner Turbulence
Quando: 2002
Relógio: 42’02
Acusação: O Dream Theater compôs a faixa como um único movimento, o movimento final do conceito ‘Os Seis Degraus Da Turbulência Interna’, ganhou até um disco só para ela. Ao vivo inclusive, no disco Score: 20th Anniversary World Tour (2006), o grupo toca a faixa na íntegra com 41:33.
Não entrou na lista porque: Apesar de todos os motivos ai em cima o DT… separou a versão de estúdio em 8 partes?!? Grande ideia DT, assim vai vender mais, grande ideia!

Quem: Happy The Man
Onde: Death’s Crown
Quando: 1999
Relógio: 38’00
Acusação: Lançado em 1999 Death’s Crown serviu para alavancar uma volta do grupo nos anos 90. O material na verdade foi composto e gravado em formato demo em 1974, antes mesmo do primeiro disco oficial da banda de 1977. Originalmente seria uma peça multimídia que além da música traria dançarinos, atores, show de luzes e slides.
Não entra na lista porque: Documento histórico, mas de demo mesmo já basta as gravações caseiras dos dias atuais, além disso, foi divido em 11 partes.

Quem: Beyond Twilight
Onde: For The Love Of Art And The Making
Quando: 2006
Relógio: 37’47
Acusação: Formada em 1999 o Beyond Twilight é um dos muitos projetos que Jorn Lande se meteu. Comandados pelo tecladista e compositor dinamarquês Finn Zierler o grupo lançou o 3º e último disco até agora com essa obra. O disco foi lançado no Brasil pela Hellion com uma qualidade gráfica lastimável.
Não entra na lista porque: Algum ‘gênio’ (muito provavelmente influenciado por Steven Wilson), dividiu a obra em, pasmem, 43 músicas. Não podia ser melhor.

A LISTA

Como toda boa faixa Progressiva longa essa matéria está dividida em várias partes, então para ler a Parte 1 CLIQUE AQUI.

18 comentários em “As Mais Longas Faixas Do Rock Progressivo – Prelúdio”

  1. Quando vi essa matéria na página inicial, logo pensei na The Whirlwind mesmo.
    Não que eu concorde em dividir as faixas, mas compreendo. E não é nem questão de ser comercial ou não. A duração da faixa pode assustar para quem ainda não conhece a música. Claro que depois que a pessoa conhece e percebe o quão boa ela é, a duração fica em segundo plano.
    Acho também que se torna algo meio psicológico. Caso uma pessoa pegue um um disco com uma música de 70 minutos, ela poderia não ouvir tão animada ou até não ter paciência, enquanto que se estivesse dividido em 10 faixas, ouviria normalmente.

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    1. É Danilo, em grupos como o Transatlantic eu até entendo tb, eles tem um público grande, então com certeza uma única faixa de 79 assustaria muita gente, mesmo o disco sendo um dos melhores lançados na última década.

      De qualquer maneira eu ripei o meu cd em alta qualidade e junetei tudo em uma única faixa haha 🙂

      Valeu o comentário, é muito bom ver o pessoal interagindo com o site!

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      1. Haha, venho acompanhando o site faz um tempo e dessa vez achei pertinente comentar. Infelizmente o pessoal não comenta muito, mas é bom receber resposta do autor do post.

        Também acho o The Whirlwind uns dos melhores discos da última década. Até comprei o dvd do show Whirld Tour 2010 Live in London, simplesmente sensacional.
        Quanto ao álbum de estúdio, tenho a faixa única em FLAC.

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  2. Já gostei do prelúdio! E mais legal ainda que vai despertar a ira de alguns mais nervosinhos HAHAHAHAHA E pô, sujeito implicante com o Steven Wilson

    Também não entendo qual o sentido de dividir uma faixa gigantesca: você é uma banda de Progressivo, tem fãs Proggers, e com certeza só o fato de lançar um disco megalomaníaco desses é mais do que o suficiente para chamar a atenção das pessoas. Muito mais do que emplacar uma música Pop do álbum nas rádios e não agregar nenhum fã depois, já que eles queriam mais músicas Pop, certo? Vai saber o que se passa na cabeça desses produtores.

    Entrei pra ver qual é a do Bull Of Heaven e achei uma babaquice tremenda. A música dura mais de 20 milhões de horas. Mas você pode baixar… um arquivo de quase 400 TB (!!!!!!!)

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    1. Não te disse Rroio? Por isso dividi a lista, cara, vc precisava ver as babaquices que tem no chamado Droone, nego com música de 6 horas ‘minimalista’, tipo uma nota na guitarra por 20 minutos saca? Pô, isso não é música rs

      E quanto ao SW, bom, a essa altura todos sabem que eu não entendo o endeusamento sobre o cara, mas respeito quem gosta 🙂

      Quanto aos ‘cortes’, o único caso que eu conheço que é puramente técnico é o do disco Crisalida de 1975 dos argentinos do Espiritu, os caras queriam gravar um disco com duas faixas longas, uma de cada lado, mas gravaram ele num estúdio acostumado com música pop, os engenheiros não sabiam como trabalhar desse jeito, ai tiveram que fazer em 8 músicas ou o disco não saia 😦

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  3. Que diferença faz se eles dividem a música em faixas? Pra mim com certeza nenhuma. The Whirlwind é um dos melhores cds que existem, se a música fosse uma só ou do jeito que foi não deveria diminuir o interesse de um fã de prog.

    Mas o pessoal que ouve esse estilo normalmente é bem birrento mesmo.

    E qual o problema com Steven Wilson mesmo?

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    1. Bruno, 1º vc se focou no ponto errado. A matéria é sobre as mais longas faixas, não to tratando de qualidade ou não das obras.

      2º Vc leu mesmo a minha matéria?
      Cara eu escrevi: ‘Apesar de uma das melhores obras de 2009…’ eu tenho a edição especial dupla+DVD em casa, eu amo esse disco. Mas a matéria não trata de qualidade.

      3º O SW é ‘paia’, fraquinho 🙂

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      1. Li sim, só achei ruim o teu critério pra essa matéria.
        SW ser paia é só opinião né? Começa como implicância, depois vira obsessão falar mal.

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  4. Bom Bruno, se você achou o critério ruim, ai eu não posso fazer nada, só não entendi qual é a parte ruim, é uma lista, e antes dela eu classifiquei as bandas que não entrariam na lista e o porque. Qual parte é ruim ai?

    E é claro que é opinião, uma matéria desse tipo não se baseia única e exclusivamente em fatos reais, já temos a Wikipedia e outros sites pra isso não é mesmo?

    Implicância? Hum, depois de ouvir 6 discos do Porcupine Tree (inclusive os que dizem ser os melhores) e 1 solo do SW não dá pra dizer que é implicância não é verdade? Se fosse não teria nem ouvido e falaria mal. Não é mesmo? 🙂

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    1. Hm… acho que ele quis dizer “implicância” por você ter que manifestar seu desgosto por eles toda vez que se menciona PT, apesar de todos já saberem o que você acha deles. Talvez você devesse superar o fato de que, mesmo no gênero (ou meta-gênero) musical que você aprecia, existem pessoas que gostam e que sempre vão gostar de coisas que você não gosta e não entende… Escreva um review de qualquer álbum deles e exorciza esse demônio que você carrega logo de uma vez. >:D

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      1. Gostei do teu comentário Pedro, consciente, expondo os possíveis defeitos, críticas construtivas são sempre bem vindas 🙂

        Eu escrevi uma resenha do Signify que eu tava querendo colocar no ar mesmo, talvez seja uma boa hora 🙂

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  5. parabens cara, o blog é ótimo e havia muito tempo não via um site bom sobre prog no brasil, alias, já existiu???..rsrssrrs.. parabens!

    A matério é muito interessante, está bem escrita e de fácil leitura, mas se me permite, tbm como muitos gostaria de dizer que tbm não entendo a “implicancia” com o Steven Wilson….na boa?.. acho que muita gente aqui, só pelo fato de escutar muitos dos sons que estão na lista (obvio que muitos nem ouviram falar nos nomes dessas bandas, eu por exemplo) já podem se considerar com qualidade pra musica, pelo menos pra ouvir…
    Acho o que o SW está fazendo com a popularização do progressivo fantastico!!!… acho que ele é um cara que tem um bom senso absurdo pra excelentes melodias, uma mão boa pra dar um up no som de bandas que tem muito potencial, e acredito que muitos musicos que você admira, pensam o mesmo..
    e na boa (2)?..o fato de estar dividido ou a faixa inteira, tanto faz po, quando voce escuta o cd, por acaso fica pulando a faixa?..deixa tocar e já era… é exatamente a mesma coisa que uma faixa unica… se é por questão comercial ou não, tbm não interessa….o que ferra com o estilo é justamente achar que pra ser progressivo as musicas devem ser longas ou exageradas…muitas bandas estão aí pra falar o contrário.. (It Bites, Frost, Marillion, etc…)… se houver limitação pra musicalidade do estilo, qualquer que seja, então vou parar de ouvir progressivo…

    quando pensaríamos em assistir um show de um artista como SW no Brasil????… vai ser fantástico!

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      1. Adriano, valeu mesmo cara, tanto pelos elogios quanto pelos ‘petelecos’, desde que com educação, bom senso e por que não, bom humor, são sempre bem vindos, valeu a visita 🙂

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