Entrevista Exclusiva: Neal Morse (Por Diego Camargo)


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Por Diego Camargo

Com exclusividade o Progshine conseguiu uma entrevista exclusiva com o ás do Rock Progressivo moderno Neal Morse! Prestes a lançar seu novo disco Momentum (2012) o músico americano fala um pouco de sua carreira e das novidades pro futuro!

Progshine – Neal, 2011 e 2012 foram definitivamente anos em que você trabalhou muito, não foram? Você lançou o segundo Testimony, um livro, boxes ao vivo seu e do Transatlantic, um disco natalino para o seu clube, o Inner Circle, gravou e lançou o disco do Flying Colours, lançou esse ano um disco de covers, o DVD com a parte de Mike Portnoy em destaque de seu disco ao vivo lançado ano passado, gravou um novo disco, Momentum (2012), que chega às lojas em Setembro e ainda juntou uma nova banda para sua próxima turnê. Será que eu esqueci alguma coisas? (risos)
Me diga Neal, você está tentando conquistar o mundo? (mais risadas)

Neal Morse – Bem, na verdade você esqueceu sim. Foram na verdade 7 ou 8 lançamentos pro Inner Circle desde então. Bom, eu acho que eu gosto de me manter ocupado (risos). Não, na verdade eu só faço o que eu sinto que devo fazer naquele momento. As vezes algo me surpreende, como no disco de Natal que você citou (A Proggy Christmas, lançado no fim de 2011 como presente aos membors do Inner Circle, clube ao qual você paga uma mensalidade e recebe presentes exclusivos como esse), eu não planejava gravar um disco de Natal, mas eu fui até a cidade de carro um dia e comecei a cantar uma melodia no meu gravador. Eu comecei a ter um monte de ideias e quando eu fui colocar elas no papel eu tinha um disco completo. Muitas vezes eu nem planejo nada e sou pego de surpreso pelas ideias.

Progshine – Os seus fãs no Brasil me fizeram essa pergunta muitas vezes quando eu anunciei que iria te entrevistar. ‘Quando ele vai vir tocar no Brasil?’ Existe algum plano? Especialmente agora que você tem um brasileiro em sua banda (o guitarrista Adson). Eu tenho certeza que você e o Transatlantic tem público garantido por aqui! E já que estamos falando no Brasil, você conhece algo da nossa música?

Neal Morse – Eu conheço um pouco de música brasileira, Adson me mostrou alguma coisa e as pessoas sempre me mostram novas bandas daí. Vocês tem músicos maravilhosos no Brasil. E eu iria adorar tocar no Brasil, assim como o Transatlantic iria adorar também. Mas nunca tivemos uma boa oferta, infelizmente. Nós só precisamos de um produtor que nos ofereça um bom acordo e nós estaremos ai sem a menor dúvida. Eu tenho certeza que o Adson iria adorar, e ele poderia ser o nosso interprete também (risos).

Progshine – E nos conte um pouco sobre os seus dois discos mais recentes. O recém-lançado Cover2Cover (2012) e Momentum (2012) que sai em Setembro.

Neal Morse – Bem, Cover2Cover traz 6 músicas que foram gravadas nas sessões do disco Lifeline e outras 6 que foram gravadas nas sessões do Momentum. Em Janeiro eu e Mike (Portnoy) estavamos conversando e nós queriamos gravar alguma coisa. Ele tinham algum tempo e eu achei que era a hora certa pra gravar alguma coisa. Mike queria gravar um disco de covers. Eu estava mais afim de gravar um disco novo, mas ainda não tinha material suficiente pra isso. Mas eu sabia que se agendasse o estúdio para as gravações a música viria naturalmente, e como eu digo no texto do encarte que virá no cd, ‘veio de forma magistral’. Então basicamente nos gravamos o Momentum e o Cover2Cover ao mesmo tempo.
Foi muito divertido e bem intenso, como normalmente é quando trabalhamos juntos, nós usamos todos os minutos disponíveis do nosso tempo para fazer música.

Então, Cover2Cover é uma coleção de covers, nós fizemos algumas ótimas versões, minha favorita é ‘Come Sail Away’ do Styx. Eu ouvi a versão original um dia enquanto eu malhava na academia e fiquei pensando que alguém devia regravar a música com uma bateria muito mais viva e que talvez eu e Mike seriamos esse alguém. Essa é a minha favorita, mas fizemos ótimas versões pra músicas do Jethro Tull, Neil Young e várias outras.
Momentum é o meu novo disco Prog de inéditas, ele é na mesma linha do Lifeline e do V do Spock’s Beard no sentido de que o conteúdo é parecido. 5 ou 6 músicas mais curtas e um grande épico no final. O épico no final do novo disco se chama ‘World Withouth End’ e eu acho que é uma das melhores que nós já fizemos. As músicas mais curtas também são muito boas, tudo acabou ficando muito bom e eu acho que vocês vão amar.

Progshine – Falando da sua prolífera carreira, tem sido uma viagem e tanto desde o Spock’s Beard, não ? 17 anos e contando. Como você se sente sobre a sua jornada musical depois desses anos todos? Você tem algum sonho ainda não realizado? Talvez tenha músico que você ainda queira gravar ou tocar junto?

Neal Morse – Eu me sinto ótimo em relação a minha jornada! Eu sinto que Deus tem sido tão bom pra mim, e que tenho sido muito abençoado.
Sabe, se você ficar se comparando com os outros em alguns você é melhor, em outros pior, em termos de vendas e toda essa coisa comercial. Eu tento ficar de fora de tudo isso e ser grato a Deus pela música que ele deu a mim e a minha família e por poder fazer da música o meu sustento, porque não são muitas pessoas que podem fazer isso, então eu sou grato.

O meu grande sonho é gravar e tocar com uma orquestra de verdade, como a Nashville Symphony, por exemplo. Este é um sonho que eu ainda não concretizei. Eu ia adorar poder fazer isso se Deus me permitir. Esse é um dos meus grandes sonhos.

Randy George, Neal Morse & Mike Portnoy

Progshine – E depois de tantos discos e projetos que você esteve envolvido, podemos te chamar definitivamente de um ‘musicaholic’? (risos) Falando nisso, você tem algum disco favorito na sua discografia?

Neal Morse – Na verdade eu tiro bastante tempo de folga pra mim também. As pessoas acham que eu sou um workaholic ou um maníaco musical. Por exemplo, eu sai a pouco tempo com a minha família para acampar, por 3 semanas, eu escrevi algumas canções nesse tempo, mas a maior parte foi pra aproveitar meu tempo livre com a minha família. Eu acho que isso é uma coisa muito importante em nossa caminhada com Deus. Ele nos concede o descanso para que possamos descansar junto a ele, o que é maravilhoso.

Se tivesse que escolher um dos meus discos favoritos seria o One. Eu não sei exatamente o porque, mas ele simplesmente toca o meu coração e eu adoro o som que ele tem.
A presença de Phil Keaggys e Rick Altizers no disco também é comovente. Eu acho que One é um dos meus melhores discos.

Progshine – Em Testimony 2 (2011), você se juntou ao Spock’s Beard mais uma vez para gravar uma faixa especial, a fantástica ‘Time Changer’. Foi um processo natural? Já que é nessa faixa que você conta um pouco sobre a história da banda no início? Eu sempre adorei a maneira com que vocês usavam os vocais no mesmo estilo do Gentle Giant. Como foi a recepção dessa continuação por parte do público?

Neal Morse – Eu acho que o Testimony 2 no geral foi muito bem. Ter o pessoal do Spock’s naquela faixa foi algo algo engraçado, sabe, é como você estar fazendo um filme que conta a história de alguém e de repente a pessoa realmente aparece no filme e faz o seu próprio papel. Eu fiquei muito contente que eles puderam participar e eu também acho que é uma parte fantástica do disco.

Progshine – Falando noSpock’s Beard, vocêfica sabendo o que acontece com eles? Você compôs alguns temas junto com o seu irmão Alan (Morse, guitarrista da banda) para o novo disco deles não é? Você também achou que a saída de Nick D’Virgilio da banda fiu um choque?

Neal Morse – Bom, sim, em um primeiro momento foi, mas as pessoas devem fazer o que sentem vontade naquele momento. E eu desejo ao Nick tudo de bom sempre.
Eu sempre acompanho o que acontece com o Spock’s. Tenho falado com o meu irmão Alan pelo telefone bem frequentemente. Nós inclusive conversamos ontem mesmo. Ele me conteou que a banda vai tocar no Loralie Festival, na Europa, eu contei que ia tocar no Cornerstone, sabe, papeando. E eu ouvi que eles estão se saindo muito bem com o novo disco, eu estou ansioso para ouvir o disco.

Eu ajudei o pessoal em lguns dos temas, e do que eu ouvi até agora o disco soa fantástico, eu acho que vai ser um dos melhores que eles já gravaram.

Progshine – Eu entrevistei Roine Stolt há um tempo atrás (leia a entrevista AQUI) e eu perguntei a ele sobre um novo disco do Transatlantic, ele me respondeu: ‘Eu acredito que haverá um novo disco sim, mas é impossível precisar uma data, o que eu posso dizer é que eu estarei lá e vou adorar cada minuto.’ Eu sei que o grupo inicialmente não era pra ser um projeto que lança um disco por ano, mas você conhece os seus fãs e sabem o quanto eles gostam do grupo. Sem contar que The Whirlwind (2009) é o disco da década! Você acha que um disco novo será lançado em breve?

Neal Morse – Pra falar a verdade eu ando tentando juntar o pessoal de novo, mas as agenda de Pete (Trewavas) e de Mike (Portnoy) não parecem que vão permitir isso tão cedo. Pete tem compromissos até a Primavera do ano que vem. É justamente ai que eu quero reunir todo mundo de novo, a não ser que a agenda de algum deles mude. Até lá vamos continuar compondo, rezando, e tocando por ai. Talvez seja o momento certo quando acontecer, é esperar pra ver.

Progshine – Em paralelo a sua carreira Progressiva você tem a sua carreira na música Cristã há mais de uma década, não é? Como os seus discos cristãos são recebidos pelos fãs Proggers e vice-versa?

Neal Morse – Bom, tem uma certa mistura entre as duas na verdade, sabe, tem um monte de gente que gosta dos dois tipos de música. Mas também há um monte de gente que não gosta. Alguns cristãos não entendem Prog e muitos Proggers não entedem a música de adoração. No geral eu faço o que eu sinto no momento e que isso seja uma benção praqueles que ouvirem.
Eu me vejo como um chefe de cozinha, eu faço todo o tipo de comida diferente e fico na esperança de que isso alimente as pessoas que comerem.

Progshine – Você toca com Mike Portnoy (bateria) e Randy George (baixo) desde 2003 mais ou menos. Hoje, eu acredito que aja uma quimica entre vocês e com certeza um relacionamento bem próximo. É como uma família, acredito eu. Nos conte como é trabalhar com eles.

Neal Morse – É ótimo! É ótimo ter pessoas que você confia e que sabe que pode contar com elas ao seu redor. Não só pelas fantásticas performances musicais, mas também pelas colaborações e naquele ‘empurrão’ que eles dão na minha música. Eu me tornei meio viciado nesse tipo de sentimento. Me dá muito comforto.
É como quando eu estou trabalhando em alguma música e eu posso ficar tranquilo, não preciso ser perfeito, porque se eu deixar passar alguma coisa os dois não vão. Isso é fantástico.

Randy George, Neal Morse & Mike Portnoy

Progshine – E falando nos seus músicos, conte-nos sobre a sua nova banda, como surgiu a ideia de procurar músicos através de vídeos na internet e como é tocar com uma banda completamente diferente.

Neal Morse – É maravilhoso! O pessoal da banda é simplesmente incrível! Eles simplesmente apareceram no primeiro dia de ensaio com TUDO pronto, eles sabiam todas as músicas. Nós começamos a ensaiar os vocais no mesmo dia porque eles já sabiam todas as músicas. Todos eles são ótimas pessoas, o que é ótimo, simplesmente não poderia ter sido melhor. Não é pra rebaixar nenhuma das minhas antigas bandas, porque eu tive ótimas bandas até hoje, fui privilegiado de poder tocar com ótimos músicos. Mas essa banda nova é especial, simplesmente ótima! Eu estou muito contente.

A ideia de fazer audições pela internet surgiu quando eu pensei em todos esses festivais que eu fui convidado pra tocar, e eu também já estava começando a pensar na turnê do Momenum. Eu estava pensando em reunir uma banda menor, porque a banda da turnê do Testimony 2 era bem grande, tínhamos as cordas e tudo mais. Então eu comecei a pensar em como encontrar pessoas que vivessem relativamente próximas e que pudessem tocar e cantar todo o meu material. Eu imaginei que colocando um anúncio na internet poderia dar bons resultados, e eu fui muito, muito abençoado com o resultado.

Progshine – Como eu disse anteriormente, você é definitivamente um Progger que trabalhar bastante, 2011 e 2012 provam isso. Já começou a preparar os planos para 2013? (risos)

Neal Morse – (risos) Uou! Eu ainda estou tentando terminar 2012. Mas, eu posso te dizer o que eu espero pra 2013, certeza mesmo é impossível. Mas deve sair algum material ao vivo do Flying Colors, um DVD ao vivo da turnê do Momentum e, tomara, um disco novo do Transatlantic. E quem sabe o que mais vai acontecer, só posso torcer e rezar pra tudo acontecer.

Progshine Neal, eu gostaria de agradecer pela entrevista e por toda a grande música que você tem nos dado ao longo dos anos. Você tem algumas palavras para os seus fãs brasileiros?

Neal Morse – Bem, Brasil, eu amo todos vocês e que Deus abençoe a todos, eu desejo tudo de melhor que o Nosso Senhor tem pra vos dar. Minhas palavras vem da Bíblia: “Procure primeiro pelo reino dos céus e todas as coisas virão até você.”

Nós esperamos poder tocar para vocês em breve. Espero que um produtor me contate  com um bom acordo, porque eu iria adorar tocar no Brasil. Deus abençoe todos vocês e se cuidem. Até mais.

10 comentários em “Entrevista Exclusiva: Neal Morse (Por Diego Camargo)”

  1. O Neal Morse é definitivamente um dos maiores músicos que temos nesta era. Infelizmente o reconhecimento ele é baixissimo fora do “mundo progressivo”, ou quem sabe, até mesmo dentro dele. Mesmo com uma quantidade invejavel de lançamentos e projetos paralelos.

    Foi provavelmente um dos primeiros músicos/bandas de Prog Rock que ouvi na vida, na época nem sabia do que se tratava, a única coisa que sabia é que as músicas eram longas. “Sola Scriptura” é o meu preferido do cara, e independente de questões de religião/crença, vale a pena conhecer cada trabalho do cara.

    Parabéns Diego pela entrevista! Vida longa ao Neal e ao Progshine.

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  2. Fica aí a dica para os produtores. Tragam o Neal e o Transatlantic pro Brasil, nós fãs de prog pedimos isso por muito tempo!
    Muito boa entrevista, também acho o Neal um dos melhores músicos do prog dos anos 90 pra cá. Todos os álbuns prog dele são sensacionais, fora o Spock’s Beard…

    A próxima podia ser com o Pete Trewavas ou até mesmo com o Randy né hehe

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  3. Cara, que tudo essa entrevista! Ele demonstrou (mais uma vez), que é um músico que se preocupa com seu público, gente boníssima e um amor de pessoa! Que graça! Realmente seria uma honra se ele viesse tocar ao Brasil… Eu acho que ele deve ser daquelas pessoas em que sempre queremos nos espelhar: que trabalham com amor em algo que se ama mesmo, que ainda tira tempo para família, para sua vida… Realmente é alguém para nos espelharmos sempre! É isso ai, esperar que apareça alguma oportunidade interessante para eles nos visitarem e encherem nossos olhos e ouvidos de alegria e êxtase. Valeu Diego!!! :=)

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  4. Wow, a melhor entrevista que já vi nesse site. Muito obrigado cara. 😀

    Eu também sou um desses que não liga muito pra questão religiosa do som dele, mas adora a paixão e força que a música dele passa. O cara (e banda) é muito bom.

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  5. Excelente entrevista, Diego! Valeu a pena esperar e batalhar pelo papo com o Neal! Agora é aguardar que algum produtor leia sobre o interesse dele em vir pro Brasil!

    Como disseram nos comentários acima, tem uns detalhes de revisão aí que tem que ser corrigidos (além de questões de digitação, a grafia do Neil Young não é a mesma do Neal Morse). Mas isso são detalhes bobos, pq como deu pra perceber, todo mundo tá é babando com a entrevista fantástica!

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  6. Essa entrevista me deixou falis pois eh um cara que me ajuda a me sustentar no Cristianismo… sempre amei prog e agora me convertir … e sempre pensei que nunca ia achar alguma coisa que juntasse os dois ao mesmo tempo … e quando conheci Neal Morse eu pirei … e agora sou mais fã do cara ainda demais dessa entrevista … um genio da musica !!!

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  7. E então? Alguma notícia sobre ele vir para cá com algum dos projetos dele? Ótima entrevista, acabo de ver um cara humilde e que ama o que faz. Por isso é tão querido pelas pessoas que o acompanham. E ainda mais, é cristão, isso é maravilhoso.

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