Arrigo Barnabé Celebra 30 Anos Do Lira Paulistana Em Shows


Por Marcus Preto
da Folha de S.Paulo

Por incrível que pareça, Arrigo Barnabé nunca tocou no teatro Lira Paulistana. Apesar de absolutamente verdadeira, essa informação soa tão irreal quanto dizer que Cristóvão Colombo jamais botou os pés em Nina, Pinta, Santa Maria ou em qualquer outra caravela. Mas, como o que vale é o mito –e o parentesco imaginário entre Arrigo e o Lira é muito mais forte do que qualquer fato real-, o músico está escalado para todas as comemorações dos 30 anos de inauguração do histórico teatro, que se manteve ativo entre 1979 e 1986.

Serão dois shows dele com sua banda. O primeiro será no dia 9, dando continuidade ao projeto “Lira dos 30 Anos”, do Sesc Consolação. O outro vem neste sábado, na Sala Funarte, dentro da mostra “Boca no Trombone” –que também vai trazer, entre outras, as bandas Isca de Polícia, Língua de Trapo e Mercenárias.

“Fora esses shows, não pretendo perder muito tempo com esse negócio de comemoração”, diz Arrigo. “Estou compondo coisas novas, não posso ficar interrompendo isso para refazer algo que já está feito.”

A coisa que já está feita é Clara Crocodilo (1980), álbum de estreia do compositor e marco absoluto da vanguarda paulistana. Foi lançado em 1980. Está à beira de também completar 30 anos, portanto.

Construído sob influência da música atonal e do dodecafonismo, o trabalho permanece hoje como um dos mais experimentais da música brasileira. Difícil demais para os dias de hoje? Arrigo afirma que não.

“Chegamos a um momento em que as pessoas não se importam mais com a canção no sentido clássico”, diz. “E a linguagem discursiva do “Clara…” –em que as letras não são poesia, mas texto dito sobre música– tem tudo a ver com isso.” Esse argumento leva a crer que as experimentações daquele período estão mais presentes hoje no som de grupos jovens –como o DonaZica– do que nos trabalhos de integrantes originais do movimento.

Filme

Cantoras essencialmente ligadas à vanguarda paulista, Ná Ozzetti –ex-Rumo– e Vânia Bastos -que integrava a banda Sabor de Veneno, de Arrigo- são exemplares da dissidência.

Arrigo concorda, mas assinala diferenças. “Ná só ganhou saindo do Rumo. Mostrou ser uma cantora como a gente nem suspeitava”, diz. “Vânia, ao contrário, perdeu personalidade e passou a fazer o que qualquer uma faz. Com a gente, era única, não existia outra igual.

Fazia coisas inacreditáveis.” Acreditáveis ou não, essas histórias estão sendo reunidas em filme –que tem o Lira como ponto central. Dirigido por Ribamar de Castro, um dos antigos sócios do teatro, terá cenas históricas de Itamar Assumpção, de Tetê e Alzira Espíndola, de Passoca, dos grupos Rumo, Premê, Língua de Trapo, Ratos de Porão, Ultraje a Rigor, Titãs e de quem mais tenha passado por ali naqueles anos 80.

No palco ou, no caso de Arrigo, como espectador, em um dos 250 lugares disponíveis na plateia. Estreia em 2010.

Informações:
Data: de 3 a 6 e de 10 a 13/12; quin., sex. e sáb., às 19h; dom., às 20h
Local: Funarte – Sala Guiomar Novaes (al. Nothmann, 1.058, tel: 0/xx/11/ 3662-5177)
Valor: grátis (livre)

N.E. – Uma ótima dica para quem ainda não conhece a música de Arrigo Barnabé é o maravilhoso Missa In Memoriam Itamar Assumpção (2007) que custa banais R$ 1,50 na loja virtual do UOL o Megastore AQUI. Imperdível!

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